Justiça · 2026-11-03 · Redação Notícia ES

Paraguai intervém no Ueno Bank e presidente do Banco Central renuncia

Paraguai intervém no Ueno Bank e presidente do Banco Central renuncia. Registro original em UOL Notícias. A Redação Notícia ES reapurou a pauta para a editoria Justiça.

Paraguai intervém no Ueno Bank e presidente do Banco Central renuncia
Paraguai intervém no Ueno Bank e presidente do Banco Central renuncia

São Paulo O Banco Central do Paraguai anunciou nesta terça-feira (03) o início de um processo de "resolução" do Ueno Bank, depois que seu índice de solvência caiu abaixo do mínimo exigido.

O contexto da decisão judicial

Segundo o Financial Times, a intervenção, provavelmente implicará na liquidação das operações do banco e a transferência de seus ativos e passivos a outra instituição financeira.

O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que comandou o Ueno até agosto de 2023, apresentou sua renúncia, mas permanecerá no cargo durante o processo.

"Afastar-me ajudará a acalmar a controvérsia em torno do BCP", disse Carvallo em entrevista coletiva após o anúncio do processo de resolução.

Detalhes e consequências do caso

Segundo ele, a renúncia permitirá que o Banco Central e a Superintendência de Bancos façam seu trabalho sem distrações causadas por disputas políticas e midiáticas.

A queda do banco é um duro golpe para o presidente do país Santiago Peña, líder de perfil favorável aos negócios, e ameaça gerar um grande escândalo para ele.

Peña foi investidor da holding do Ueno até março de 2025 e nomeou, em 2023, Carvallo, ex-presidente do banco, para chefiar o Banco Central.

Carvallo e o Banco Central estão sob pressão pela forma como supervisionaram o banco e por seus laços políticos. De acordo com o Financial Times, Carvallo havia dito anteriormente que se declararia impedido de participar de decisões envolvendo o Ueno.

Clientes ansiosos, entre eles aposentados que recebem suas aposentadorias por meio do Ueno, aglomeraram-se na manhã desta terça (03) diante de agências fechadas, enquanto aumentava a incerteza sobre o futuro do banco.

"Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no Ueno Bank", disse Manuel Cáceres, de Ñemby, na periferia de Assunção. "Infelizmente, muita gente, eu inclusive, está passando a manhã assim."

O Banco Central garantirá depósitos de até o equivalente a cerca de US$ 38 mil (R$ 208,48 mil) por cliente, e afirmou que os problemas do Ueno são "um caso isolado" e "não representativo de condições generalizadas no sistema financeiro do Paraguai".

A Superintendência de Bancos nomeará auditores para verificar a posição patrimonial do banco na data da resolução.

Também nesta terça (03), a Procuradoria do Paraguai pediu a abertura de uma investigação criminal sobre os fatos envolvendo o Ueno.

Fundado como fintech em 2021, o Ueno obteve rapidamente uma licença bancária e, afirmava ter conquistado mais de 60% dos adultos paraguaios como clientes, mais que qualquer outro banco.

Abriu dezenas de agências luxuosas e fez uma campanha de marketing onipresente, que incluiu o patrocínio da seleção nacional de futebol.

Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o banco tem cerca de 3 milhões de clientes. Cresceu de uma fintech local de nicho para um banco de médio porte, em trajetória semelhante à de fintechs como Monzo e Nubank.

O governo de Peña também supervisionou um aumento do dinheiro público depositado no Ueno, que chegou a mais de US$ 850 milhões (R$ 4,66 bilhões), equivalente a quase um terço dos depósitos do banco. O presidente havia minimizado repetidamente as preocupações com o banco.

Nos últimos meses, o Ueno enfrentou o escrutínio de reguladores e da imprensa por supostos empréstimos excessivos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, o que preocupou investidores e pesou sobre os títulos do banco com vencimento em 2031 e sobre os títulos soberanos do Paraguai.

Segundo o Financial Times, o banco realizou em março a maior emissão de títulos corporativos da história do país, mas as ações caíram bruscamente desde então.

No mês passado, a agência Fitch revisou para negativa a perspectiva da nota de crédito de longo prazo do Ueno, citando "crescimento acelerado do balanço e altos ativos intangíveis".

O caso testa a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul para capital estrangeiro, grande parte dele do Brasil.

De acordo com o Financial Times, embora a economia do país tenha crescido rapidamente e obtido grau de investimento nos últimos anos, críticos afirmam que a corrupção e a influência política sobre o Judiciário e o mundo empresarial continuam a complicar as operações.

Senadores do bloco de oposição de esquerda disseram que abrirão processo de impeachment contra Peña e seu vice-presidente, embora o Partido Colorado, de direita, do presidente tenha maioria no Congresso e possa barrar a tentativa.

Nos últimos meses, vários parlamentares já haviam pedido a demissão da cúpula do Banco Central, após rejeitarem um relatório sobre o banco que consideraram incompleto.

O gabinete de Peña e o Ueno Bank não responderam aos pedidos de resposta.

Em resumo

O que aconteceu?

São Paulo O Banco Central do Paraguai anunciou nesta terça-feira (03) o início de um processo de "resolução" do Ueno Bank, depois que seu índice de solvência caiu abaixo do mínimo exigido.

Qual é o ponto principal?

O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que comandou o Ueno até agosto de 2023, apresentou sua renúncia, mas permanecerá no cargo durante o processo.

Quais são os dados mais importantes?

"Afastar-me ajudará a acalmar a controvérsia em torno do BCP", disse Carvallo em entrevista coletiva após o anúncio do processo de resolução. Segundo ele, a renúncia permitirá que o Banco Central e a Superintendência de Bancos façam seu trabalho sem distrações causadas por disputas políticas e midiáticas.

Qual é o contexto?

A queda do banco é um duro golpe para o presidente do país Santiago Peña, líder de perfil favorável aos negócios, e ameaça gerar um grande escândalo para ele. Peña foi investidor da holding do Ueno até março de 2025 e nomeou, em 2023, Carvallo, ex-presidente do banco, para chefiar o Banco Central.

Quais são os próximos desdobramentos?

Carvallo e o Banco Central estão sob pressão pela forma como supervisionaram o banco e por seus laços políticos. De acordo com o Financial Times, Carvallo havia dito anteriormente que se declararia impedido de participar de decisões envolvendo o Ueno.

Fontes