Economia · 2026-11-05 · Redação Notícia ES

Paraguai, Panamá, Uruguai e Argentina: o que atrai brasileiros para esses países?

Apenas o Paraguai concedeu 22,6 mil autorizações a brasileiros no primeiro semestre; estudo aponta avanço da cidadania e da residência no exterior como estratégias de diversificação patrimonial

Paraguai, Panamá, Uruguai e Argentina: o que atrai brasileiros para esses países?
Paraguai, Panamá, Uruguai e Argentina: o que atrai brasileiros para esses países?

Ter uma segunda residência ou cidadania no exterior deixou de ser apenas um projeto de mudança de país ou uma forma de viajar com menos restrições.

Dados e contexto do setor

Para uma parcela de empresários, investidores e famílias de maior patrimônio, passou a integrar uma estratégia de diversificação de riscos, proteção de ativos e acesso a novos mercados.

O movimento já aparece nas estatísticas migratórias da América Latina, especialmente no Paraguai, onde os brasileiros responderam por mais de três quartos das autorizações de residência concedidas só no primeiro semestre deste ano.

Entre janeiro e junho de 2026, o Paraguai concedeu 29.765 residências a estrangeiros, aumento de 81% em relação ao mesmo período de 2025.

Impactos e informações adicionais

Desse total, 22.628 foram destinadas a brasileiros, o equivalente a 76% das autorizações.

Os dados são da Direção Nacional de Migrações do país e ajudam a dimensionar o interesse crescente por alternativas de residência na região.

Esse movimento é um dos destaques do relatório The Next Decade of Mobility Planning: Jurisdiction as an Asset Class, divulgado pela consultoria internacional Global Citizen Solutions (GCS).

O estudo indica que a escolha do país de residência, da cidadania e do domicílio dos negócios está ganhando espaço nas decisões de planejamento patrimonial, ao lado de investimentos tradicionais.

Para a consultoria, a jurisdição é vista como uma nova classe de ativo. Apesar de uma autorização de residência não representar necessariamente um investimento negociável e nem garantir retorno financeiro.

Diferentemente de ações, imóveis ou títulos, seu valor está nas possibilidades que oferece como acesso a mercados, alternativas de residência, diversificação geográfica e, dependendo da legislação, condições tributárias distintas.

Segundo a GCS, a procura por serviços de planejamento de residência e cidadania entre seus clientes triplicou na última década e o Paraguai vem atraindo cada vez mais brasileiros, mesmo que a residência não signifique uma vantagem fiscal automática.

Entretanto, a proximidade geográfica, a integração regional e as regras migratórias relativamente acessíveis ajudam a explicar a posição do Paraguai entre os destinos mais procurados por brasileiros.

Segundo a consultoria, o Acordo de Residência do Mercosul facilita a obtenção de autorizações migratórias por cidadãos de países participantes, sem exigir necessariamente os investimentos elevados associados a programas destinados a estrangeiros de outras regiões.

Além disso, o Paraguai adota um sistema de tributação territorial, no qual a incidência do imposto sobre a renda está vinculada, em linhas gerais, à origem dos rendimentos.

Para a Global Citizen Solutions, essa combinação torna o país uma alternativa atraente para empresários e investidores interessados em estabelecer uma segunda base de residência na América do Sul.

Entretanto, a obtenção de uma autorização migratória não significa que o brasileiro passe automaticamente a pagar impostos no Paraguai ou deixe de ter obrigações tributárias no Brasil, como esclarece a consultoria.

A residência fiscal depende de critérios próprios, que incluem a situação efetiva do contribuinte e o cumprimento das exigências legais de cada país.

Quem continua residente fiscal no Brasil permanece sujeito às regras brasileiras de tributação, inclusive sobre rendimentos obtidos no exterior, conforme a legislação.

Além do Paraguai, o estudo destaca Panamá, Uruguai e Argentina como destinos relevantes para estratégias de residência e mobilidade internacional.

Na avaliação da Global Intelligence Unit, divisão de pesquisas da GCS, o Panamá ocupa a primeira posição entre 11 programas latino-americanos analisados, seguido pelo Paraguai.

O levantamento considera características como custos, condições de acesso e vantagens oferecidas pelos programas.

Uma das conclusões é que pagar mais caro não garante necessariamente uma alternativa superior.

Segundo a consultoria, os valores de entrada dos programas analisados variam de US$ 48,2 mil a US$ 2 milhões, mas algumas das opções mais acessíveis aparecem entre as mais bem avaliadas.

De acordo com a GCS, a comparação exige cautela, pois os programas possuem finalidades, requisitos e contrapartidas diferentes.

Em alguns casos, o desembolso corresponde a um investimento que permanece no patrimônio do interessado. Em outros, pode envolver contribuições não reembolsáveis ou despesas que não serão recuperadas.

O Uruguai é apontado pela consultoria como uma alternativa para quem prioriza estabilidade institucional e qualidade de vida. Já o Panamá se destaca, segundo o estudo, pela economia dolarizada e pelas regras tributárias.

Já a Argentina aparece no radar em razão das iniciativas para criar uma rota de cidadania vinculada a investimentos.

A eventual concessão de nacionalidade mediante aporte financeiro, contudo, depende das regras efetivamente implementadas, e anúncios de programas não devem ser confundidos com autorizações já disponíveis ao público.

Para Patricia Casaburi, fundadora e CEO da Global Citizen Solutions, a principal mudança no comportamento dos clientes está na maneira de pensar a mobilidade internacional.

“Há 10 anos, a pergunta que um cliente levava a um consultor de mobilidade global era mais simples e direta: qual passaporte é melhor, qual país é mais receptivo?”, afirma.

Hoje, segundo ela, a preocupação envolve a combinação de diferentes jurisdições, seus efeitos sobre a residência fiscal, a sucessão patrimonial e a localização dos negócios.

“A maior mudança é que as pessoas passaram a pensar na situação como um todo, incluindo os impactos na família, nos negócios, no patrimônio e no que se quer que aconteça no futuro”, diz.

Na prática, isso significa que um empresário pode considerar uma residência em determinado país para facilitar operações comerciais, enquanto busca uma cidadania europeia por razões familiares ou de mobilidade.

Em resumo

O que aconteceu?

Ter uma segunda residência ou cidadania no exterior deixou de ser apenas um projeto de mudança de país ou uma forma de viajar com menos restrições. Para uma parcela de empresários, investidores e famílias de maior patrimônio, passou a integrar uma estratégia de diversificação de riscos, proteção de ativos e acesso a novos mercados.

Qual é o ponto principal?

Entre janeiro e junho de 2026, o Paraguai concedeu 29.765 residências a estrangeiros, aumento de 81% em relação ao mesmo período de 2025. Desse total, 22.628 foram destinadas a brasileiros, o equivalente a 76% das autorizações.

Quais são os dados mais importantes?

Esse movimento é um dos destaques do relatório The Next Decade of Mobility Planning: Jurisdiction as an Asset Class, divulgado pela consultoria internacional Global Citizen Solutions (GCS).

Qual é o contexto?

Para a consultoria, a jurisdição é vista como uma nova classe de ativo. Apesar de uma autorização de residência não representar necessariamente um investimento negociável e nem garantir retorno financeiro.

Quais são os próximos desdobramentos?

Segundo a GCS, a procura por serviços de planejamento de residência e cidadania entre seus clientes triplicou na última década e o Paraguai vem atraindo cada vez mais brasileiros, mesmo que a residência não signifique uma vantagem fiscal automática.

Fontes