Diretor do Paraná Pesquisas vê disputa presidencial mais apertada e imprevisível que em 2022
Murilo Hidalgo afirma que o quadro atual permite vitória tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro e chama atenção para rejeição, volatilidade e disputa de segundo turno.

O diretor do instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, avalia que a eleição presidencial de 2026 tende a ser mais apertada e mais imprevisível do que a disputa de 2022. Em entrevista divulgada nesta terça-feira, 1º de setembro, ele afirmou que o cenário atual não permite apontar um vencedor seguro e que tanto Luiz Inácio Lula da Silva quanto Flávio Bolsonaro permanecem competitivos.
A leitura de Hidalgo ocorre em um momento em que diferentes institutos têm mostrado distância pequena entre os dois principais nomes em simulações de segundo turno. As pesquisas variam conforme período de campo, método de coleta, amostra e formulação das perguntas, mas convergem na indicação de uma disputa nacional polarizada.
Segundo turno é o ponto mais sensível
Hidalgo já havia afirmado em entrevista à CNN Brasil que, se a eleição fosse realizada naquele momento, esperaria um segundo turno muito acirrado. A análise considera não apenas intenção de voto, mas também rejeição dos candidatos e capacidade de cada um de crescer entre eleitores que hoje escolhem nomes alternativos, votam em branco ou ainda estão indecisos.
Em eleições equilibradas, pequenas oscilações entre grupos específicos podem alterar o resultado. Mudanças de dois ou três pontos entre mulheres, eleitores de renda média, evangélicos, moradores do Sudeste ou beneficiários de programas sociais podem ter efeito relevante sobre a soma nacional.
Pesquisa é fotografia, não previsão
Especialistas em opinião pública costumam tratar pesquisas eleitorais como retratos do momento em que as entrevistas são realizadas. O levantamento mede preferência declarada naquele período, mas não antecipa acontecimentos de campanha, debates, crises econômicas, decisões judiciais ou fatos políticos que possam mudar a percepção dos eleitores.
Por isso, a declaração de que a eleição está aberta deve ser entendida como diagnóstico de competitividade, e não como previsão matemática de resultado. A comparação entre institutos também exige atenção à margem de erro, ao desenho amostral, à ponderação e ao modo de entrevista.
Rejeição pode ser decisiva
Hidalgo tem destacado a rejeição como uma das variáveis centrais de 2026. Em disputas de segundo turno, um candidato pode ter base fiel elevada e, ao mesmo tempo, encontrar dificuldade para crescer quando sua taxa de rejeição é muito alta.
O mesmo vale para o presidente em exercício. Lula dispõe de vantagem de conhecimento e de uma estrutura política nacional consolidada, mas enfrenta desgaste em segmentos do eleitorado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, herda parte importante da base bolsonarista e tenta ampliar apoio para além do eleitorado mais identificado com o pai.
Campanha entra na fase em que fatos pesam mais
Com a proximidade da votação, a tendência é que o espaço para mudanças bruscas diminua, mas ainda exista. Propaganda eleitoral, debates, alianças estaduais e desempenho econômico podem alterar o equilíbrio. A avaliação do Paraná Pesquisas reforça a leitura de que a eleição de 2026 permanece competitiva e deve exigir acompanhamento contínuo dos levantamentos, sem transformar uma pesquisa isolada em sentença sobre o resultado.