Fé e Sociedade · 2026-09-28 · Redação Notícia ES

Pastores negam conflito religioso e defendem Flávio

Manifesto assinado por 14 líderes evangélicos rejeita disputa com católicos e critica o uso eleitoral de informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida.

Pastores negam conflito religioso e defendem Flávio
Pastores negam conflito religioso e defendem Flávio

Quatorze líderes evangélicos divulgaram nesta segunda-feira (28) um manifesto em defesa do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e negaram que exista uma articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O documento surgiu a seis dias do primeiro turno, depois de o boato ganhar espaço na campanha eleitoral e nas redes sociais.

A CNN Brasil noticiou que a manifestação foi organizada pelo Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil, o Cimeb, que afirma reunir mais de 10 mil pastores. O SBT News confirmou a lista de signatários e registrou que o texto também rejeita qualquer iniciativa para cancelar feriados ou cultos de outras religiões.

O manifesto afirma que evangélicos e católicos vivem em paz e acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus apoiadores de usarem uma informação falsa para atingir um adversário. Ao mesmo tempo, o documento leva uma controvérsia religiosa para o centro da disputa presidencial, ao atribuir responsabilidade política pela circulação do boato.

Entre os signatários estão Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, Estevam Hernandes, da Renascer em Cristo, e Samuel Câmara, da Assembleia de Deus de Belém. Também assinam César Augusto, Galdino Júnior, Jabes de Alencar, Teó Hayashi, Cláudio Duarte, Luiz Hermínio, Ezequiel Teixeira, Paulo Roberto, Marcus Gregório e Simonton Araújo.

Manifesto rejeita conflito religioso

O ponto central do texto é a negação de uma campanha evangélica contra símbolos católicos. As lideranças afirmam não haver iniciativa junto a qualquer candidatura para acabar com o feriado de 12 de outubro, restringir cultos ou alterar o reconhecimento legal de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país.

Flávio Bolsonaro também nega ter apresentado ou apoiado proposta com esse objetivo. A informação falsa passou a circular em meio à campanha presidencial e provocou reação de eleitores católicos, de apoiadores do candidato e de instituições religiosas.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil declarou que não produziu, autorizou nem participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. A nota da CNBB veio depois de Flávio afirmar que o boato teria contado com a participação de pessoas ligadas à entidade, acusação para a qual ele não apresentou prova pública.

Com isso, as duas manifestações convergem na rejeição da notícia falsa, mas divergem sobre a origem e a responsabilidade política pelo episódio. O Cimeb aponta Lula e seus aliados; a CNBB nega envolvimento institucional e defende que uma mentira não seja enfrentada com outra.

Disputa chega à reta final

A proximidade da votação aumenta o peso político de pronunciamentos religiosos. Pastores e bispos têm alcance direto em comunidades numerosas, mas o apoio de líderes não representa automaticamente a posição de todos os fiéis nem transforma igreja em comitê eleitoral.

O manifesto também busca preservar a convivência entre católicos e evangélicos ao separar a disputa partidária da prática religiosa. Esse cuidado é relevante porque a acusação de conflito entre crenças pode produzir hostilidade fora do ambiente eleitoral, mesmo quando o fato que deu origem à mobilização é falso.

A apuração disponível não identifica proposta de Flávio Bolsonaro para retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida ou cancelar o feriado nacional. O debate verificável, portanto, é sobre a circulação do boato, as reações das entidades e o uso eleitoral da controvérsia.

Nos dias finais da campanha, candidatos, partidos e lideranças religiosas deverão responder pelo que afirmarem publicamente. A defesa da liberdade religiosa exige a mesma regra para todos: fatos comprovados, respeito às diferentes tradições e nenhuma exploração de boatos para mobilizar medo entre eleitores.

Em resumo

Quem divulgou o manifesto?

Quatorze lideranças ligadas ao Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil assinaram o documento.

O que os pastores negaram?

Eles negaram qualquer articulação para retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida ou cancelar feriados e cultos.

Qual foi a posição da CNBB?

A CNBB afirmou que não produziu, autorizou nem participou da divulgação da informação falsa.

Flávio apresentou proposta contra o título de padroeira?

Não há proposta identificada, e o candidato nega que pretenda retirar o título ou acabar com o feriado.

Quando o manifesto foi divulgado?

A manifestação foi divulgada na segunda-feira, 28 de setembro, a seis dias do primeiro turno.

Fontes

  • CNN Brasil
  • SBT News