Política ES · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Pazolini busca eleitor de centro e mantém proximidade com Flávio Bolsonaro na disputa pelo ES

Em sabatina de A Gazeta e CBN Vitória, candidato do Republicanos evitou assumir o rótulo de bolsonarista, mas disse estar mais próximo do projeto presidencial de Flávio Bolsonaro e adotou discurso voltado à ampliação de alianças.

Pazolini busca eleitor de centro e mantém proximidade com Flávio Bolsonaro na disputa pelo ES
Pazolini busca eleitor de centro e mantém proximidade com Flávio Bolsonaro na disputa pelo ES

O candidato do Republicanos ao governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini, usou a sabatina promovida por A Gazeta e CBN Vitória nesta terça-feira, 1º de setembro, para tentar ampliar o alcance de sua candidatura sem romper com o campo político que sustenta sua aliança eleitoral. O ex-prefeito de Vitória evitou assumir diretamente o rótulo de bolsonarista, ao mesmo tempo em que afirmou estar mais próximo do projeto presidencial de Flávio Bolsonaro do que dos demais concorrentes ao Palácio do Planalto.

A combinação das duas mensagens indica uma estratégia de campanha voltada a preservar o eleitor conservador e, simultaneamente, reduzir resistências em setores de centro. A disputa estadual ocorre em um ambiente de alianças partidárias amplas, no qual candidatos ao governo precisam dialogar com bases ideológicas diferentes e também com lideranças municipais que nem sempre reproduzem as divisões nacionais.

Proximidade com Flávio sem assumir rótulo

Durante a entrevista, Pazolini afirmou que Flávio Bolsonaro tem apresentado uma posição que considera equilibrada na campanha presidencial. Segundo a cobertura da própria Rede Gazeta, o candidato capixaba disse estar mais próximo do projeto do senador do PL, destacando entrevistas e posições que, na avaliação dele, têm sido apresentadas de maneira racional.

Quando questionado sobre a identificação direta com o bolsonarismo, porém, Pazolini não adotou o rótulo. A colunista Letícia Gonçalves interpretou o movimento como uma tentativa de acenar ao centro sem abandonar a proximidade com o eleitorado de direita. Essa leitura ganha força quando comparada a outras respostas dadas pelo candidato na mesma sabatina, especialmente as relacionadas à composição de um eventual governo e à disposição de dialogar com diferentes partidos.

Aliança no Espírito Santo exige equilíbrio

O cenário capixaba impõe um cálculo próprio. O Republicanos e o PL estão no mesmo campo eleitoral no Estado, e o senador Magno Malta é uma das principais referências da direita no Espírito Santo. Ao mesmo tempo, Pazolini tenta apresentar uma candidatura capaz de reunir gestores, prefeitos e lideranças que não necessariamente se identificam com todas as pautas nacionais do bolsonarismo.

Na prática, isso significa que a campanha precisa administrar duas frentes. De um lado, há a necessidade de manter mobilizada a base conservadora, que tem peso relevante no eleitorado capixaba. De outro, existe a disputa por eleitores menos ideológicos, que costumam decidir o voto a partir de temas como segurança, saúde, mobilidade, gestão fiscal e capacidade administrativa.

Sabatina expôs desenho de campanha

A entrevista também serviu para mostrar como Pazolini pretende organizar o discurso nesta reta da campanha. Em vez de centrar todas as respostas na polarização nacional, o candidato procurou relacionar sua trajetória como delegado e ex-prefeito a propostas de gestão estadual. Essa escolha não elimina a dimensão nacional da eleição, mas tenta impedir que ela domine completamente a disputa pelo Palácio Anchieta.

O próprio posicionamento sobre Flávio Bolsonaro ilustra esse movimento. Pazolini fez um gesto claro de proximidade ao presidenciável do PL, porém sem transformar sua candidatura estadual em extensão automática da campanha presidencial. Para os adversários, essa postura poderá ser explorada como ambiguidade. Para a campanha do Republicanos, a aposta é que ela seja percebida como capacidade de diálogo.

Eleitor terá de avaliar coerência das alianças

A estratégia será testada nas próximas semanas, quando os candidatos passarem a ser confrontados com temas mais específicos sobre composição de governo, participação de aliados, políticas de segurança e relação com o governo federal. Quanto mais detalhadas forem essas perguntas, menor será o espaço para respostas genéricas.

Até aqui, Pazolini procura se posicionar como candidato de direita com abertura ao centro. A efetividade dessa fórmula dependerá da capacidade de manter sua base mobilizada sem afastar o eleitor que rejeita a polarização nacional. A sabatina desta terça-feira foi um dos sinais mais claros de que esse equilíbrio deverá ser uma das marcas da campanha do Republicanos no Espírito Santo.

Fontes