Pazolini só lidera no gráfico. Mas no mapa do Espírito Santo, a pesquisa não fecha
O instituto Veritá coloca o ex-prefeito de Vitória à frente com 40,5%. Mas veja o detalhamento: troca cidade, bairro, município e até o Estado. Isso é sério? O histórico do instituto responde.

O Instituto Veritá voltou a colocar Lorenzo Pazolini, do Republicanos, na dianteira da disputa pelo governo do Espírito Santo, agora com 40,5% dos votos válidos. O número já circula como se fosse retrato do Estado. Circula em corte de vídeo, em grupo de WhatsApp, em discurso de quem precisa vender a ideia de que a eleição já acabou. Antes de tratar esse percentual como fato, é preciso abrir o que o próprio instituto entregou no detalhamento da coleta.
A falta de idoneidade do instituto contra o mapa do Espírito Santo.
Cachoeiro de Itapemirim aparece com Castelo, Marataízes, Pedra Menina, Vale do Sol e Vila Betânia. Aracruz aparece com Chácara Parreiral, Joana D’Arc e Vilagem do Sol. Domingos Martins aparece com Jardim da Penha. Guarapari aparece com Guarujá e Ubu. Linhares aparece com Jacarepaguá. São Mateus aparece com Jaguare e Vitória. Vila Velha aparece com Maria Ortiz e Vila Isabel. Vitória aparece com Itapuã e Mata da Serra.
Quem mora no Estado não precisa de estatístico para sentir o golpe. Joana D’Arc e Jardim da Penha são bairros de Vitória. Itapuã é de Vila Velha. Jacarepaguá é do Rio de Janeiro. Ubu é distrito de Anchieta. Jaguare é município, não bairro de São Mateus. O detalhamento ainda usa caixa postal e Corpo de Bombeiros como identificação territorial da entrevista.
Pesquisa eleitoral não é horóscopo. Não é chute. Não é enquete de rede social. Tem método, tem regra, tem responsabilidade. O mínimo é coerência geográfica. Quando o mapa da coleta não corresponde ao mapa do Estado, o percentual publicado não descreve o eleitor capixaba.
Governador se escolhe na urna, não em gráfico com endereço trocado
Pazolini pode até ter voto. O que ele não pode ter, sem contestação, é a conversão automática de um anexo incoerente em liderança consolidada. Se o instituto tiver resposta, que apresente. Município por município. Bairro por bairro. Entrevista por entrevista. Se não tiver, o 40,5% precisa sair da capa e ir para o processo. Porque a urna ainda não foi aberta. E o Estado ainda não foi leiloado por gráfico.