Justiça · 2026-10-15 · Redação Notícia ES

PCDF investiga cartazes falsos com referência ao nazismo

Inquérito da 3ª Delegacia apura a produção e a distribuição de material eleitoral no Distrito Federal; perícia recolheu vestígios para identificar responsáveis.

PCDF investiga cartazes falsos com referência ao nazismo
PCDF investiga cartazes falsos com referência ao nazismo

A Polícia Civil do Distrito Federal abriu inquérito para identificar quem produziu e distribuiu cartazes eleitorais falsos no Cruzeiro Velho e no Sudoeste. A apuração, conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia, inclui peças que associam Celina Leão e Flávio Bolsonaro a referências ao nazismo.

O Metrópoles revelou a nova frente da investigação na madrugada desta quinta-feira (15). O R7 confirmou a abertura do inquérito, a busca por três mulheres registradas em vídeo e a coleta de possíveis impressões digitais; o portal Acorda DF também registrou que materiais com alusões ao nazismo integram a apuração.

As imagens analisadas pela polícia mostram três mulheres carregando sacolas e afixando papéis em muros e placas de identificação no Cruzeiro Velho. Outros materiais foram deixados nos para-brisas de veículos, e há informação de distribuição também no Sudoeste.

Perícia busca autoria dos materiais

Peritos do Instituto de Criminalística estiveram nos locais na quarta-feira (14) para recolher impressões digitais e outros vestígios. O objetivo é relacionar o material encontrado às pessoas filmadas e, depois, esclarecer quem planejou, imprimiu e financiou a distribuição.

Uma parte dos cartazes atribui a Celina Leão o número 22, embora o número eleitoral informado para a candidata ao governo do Distrito Federal seja 11. A polícia apura se a troca foi feita deliberadamente para confundir eleitores e se houve circulação coordenada em mais de uma região administrativa.

Outro conjunto de peças usa a imagem de Flávio Bolsonaro e elementos visuais ligados ao nazismo. A existência desse material já havia provocado reação política após cartazes semelhantes aparecerem na Universidade de Brasília, mas o novo inquérito precisa estabelecer se os episódios têm a mesma origem.

A associação a símbolos nazistas torna indispensável separar a crítica política, protegida pela liberdade de expressão, de condutas que possam configurar ilícitos. Esse enquadramento dependerá do conteúdo efetivamente apreendido, da autoria e da avaliação das autoridades responsáveis, não apenas da aparência das peças divulgadas nas redes.

Investigação separa suspeita e prova

Até a publicação desta reportagem, as três mulheres procuradas não haviam sido identificadas publicamente. O registro em vídeo é uma pista, mas não basta para atribuir a elas a produção de todos os cartazes ou qualquer crime antes da conclusão das diligências.

O inquérito também deverá verificar a cadeia de produção do material, os locais onde houve distribuição e eventual conexão entre as peças falsas sobre a eleição distrital e aquelas com referências ao nazismo. A perícia pode comparar papel, tinta, impressão e impressões digitais, além de imagens de câmeras disponíveis nas áreas atingidas.

Para o eleitor, o fato confirmado é que a polícia investiga material de autoria ainda desconhecida. Imagens compartilhadas fora desse recorte podem alimentar acusações prematuras, razão pela qual a apuração oficial e a identificação responsável dos envolvidos são centrais.

A 3ª Delegacia de Polícia segue responsável pelas diligências. O avanço do caso dependerá do resultado dos exames periciais, da análise dos vídeos e de depoimentos que ajudem a determinar quem participou da produção e da distribuição das peças.

Em resumo

O que a PCDF investiga?

A produção e a distribuição de cartazes eleitorais falsos, incluindo peças com referências ao nazismo.

Onde os materiais foram encontrados?

No Cruzeiro Velho e no Sudoeste, no Distrito Federal.

Quem conduz o inquérito?

A 3ª Delegacia de Polícia, com apoio pericial do Instituto de Criminalística.

Há suspeitos identificados?

A polícia tenta identificar três mulheres filmadas durante a distribuição, mas seus nomes não foram divulgados.

Quais provas foram recolhidas?

Peritos buscaram impressões digitais e outros vestígios nos cartazes e nos locais onde foram afixados.

Fontes