Política Nacional · 2026-10-12 · Redação Notícia ES

PCO rompe com Lula e prega voto nulo no segundo turno

Partido muda a posição adotada em 2022 e decide não apoiar Lula nem Flávio Bolsonaro na etapa final da eleição presidencial

PCO rompe com Lula e prega voto nulo no segundo turno
PCO rompe com Lula e prega voto nulo no segundo turno

O Partido da Causa Operária (PCO) aprovou no domingo (11) a orientação de voto nulo no segundo turno da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A decisão rompe com a posição de 2022, quando a legenda apoiou Lula contra Jair Bolsonaro.

A informação foi publicada pela Revista Oeste e confirmada no relato oficial do Diário Causa Operária, veículo ligado ao PCO. O registro partidário informa que a proposta foi votada na 39ª Conferência Nacional, realizada no Centro Cultural Benjamin Péret, em São Paulo, com participação de delegados e militantes.

Segundo o relato do próprio partido, a conferência examinou o resultado do primeiro turno, avaliou a campanha presidencial e estendeu a orientação de voto nulo às disputas estaduais ainda em andamento. A deliberação foi apresentada como uma defesa da independência política da legenda diante das duas candidaturas que restaram.

Decisão marca ruptura eleitoral

A mudança tem peso político porque o PCO havia defendido Lula em 2018, até a exclusão do petista daquela disputa, e voltou a apoiá-lo no segundo turno de 2022. Agora, a direção sustenta que o terceiro mandato alterou a relação entre o governo e setores da classe trabalhadora que formam a base histórica da esquerda.

O documento debatido na conferência atribui o enfraquecimento do PT à política econômica, às alianças do governo e à ausência de respostas para problemas sociais. Também critica a participação dos ministros Fernando Haddad e Simone Tebet e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na condução econômica.

O partido afirma que o receio de uma vitória da direita não seria razão suficiente para apoiar Lula outra vez. Na avaliação aprovada, a repetição do voto no chamado mal menor impediria a construção de uma alternativa própria. Essa é a justificativa política apresentada pela legenda, e não uma conclusão independente sobre os candidatos.

Críticas miram governo petista

As críticas do PCO alcançam ainda a relação do governo com o Supremo Tribunal Federal e a estratégia de frente ampla adotada pelo PT. A resolução diz que Lula se aproximou de setores da direita tradicional e do sistema financeiro sem entregar as mudanças esperadas por parte do eleitorado que o sustentou nas eleições anteriores.

A orientação também afasta apoio a Flávio Bolsonaro. O partido reconhece que um governo de direita poderia ampliar conflitos com sindicatos e movimentos sociais, mas sustenta que isso não autoriza a subordinação de sua militância a uma das duas candidaturas presidenciais.

A resolução não anula a disputa direta entre Lula e Flávio, mas retira do presidente uma adesão simbólica que existiu quatro anos antes. O efeito eleitoral do anúncio dependerá da capacidade do PCO de mobilizar seus eleitores; politicamente, a decisão expõe uma fissura aberta no campo da esquerda na reta final da campanha.

Em resumo

O que o PCO decidiu?

O partido orientou voto nulo no segundo turno presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Quando ocorreu a decisão?

A proposta foi aprovada no domingo, 11 de outubro de 2026, durante a 39ª Conferência Nacional do PCO.

O PCO apoiou Lula em 2022?

Sim. A legenda apoiou Lula contra Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022.

Por que o partido mudou?

A direção critica a política econômica, as alianças do governo e a relação do PT com o STF e a direita tradicional.

A orientação inclui Flávio Bolsonaro?

Sim. O PCO rejeitou as duas candidaturas e estendeu o voto nulo às demais disputas de segundo turno.

Fontes