Política Nacional · 2026-10-21 · Redação Notícia ES

PEC da tarifa zero reserva emendas parlamentares

Proposta agendada pelo Planalto destina parte das emendas obrigatórias ao transporte coletivo gratuito nos fins de semana.

PEC da tarifa zero reserva emendas parlamentares
PEC da tarifa zero reserva emendas parlamentares

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluiu na agenda desta quarta-feira (21) o envio ao Congresso de uma proposta de emenda à Constituição para oferecer transporte coletivo gratuito aos sábados e domingos. O texto deve reservar parte das emendas parlamentares obrigatórias para financiar o programa a partir de 2027.

O g1 informou que a medida seria encaminhada nesta quarta, a quatro dias do segundo turno presidencial. A agenda oficial do Planalto confirma uma cerimônia destinada ao envio da PEC, enquanto reportagem da Folha detalha que a proposta separa 25% das emendas individuais e de bancada para custear a gratuidade.

Financiamento entra na disputa

Pelas projeções divulgadas, o Orçamento de 2027 prevê R$ 44,76 bilhões em emendas impositivas. A aplicação do percentual indicado reservaria aproximadamente R$ 11,2 bilhões para a tarifa zero. O valor poderá mudar durante a tramitação e na votação do Orçamento, portanto não representa dinheiro já liberado nem benefício em funcionamento.

A proposta preservaria a parcela de 50% das emendas que já precisa ser destinada à saúde. Também deixaria fora do cálculo as emendas de comissão, que não têm a mesma obrigação de execução. Estados e municípios responsáveis por sistemas de transporte receberiam transferências federais, mas os critérios operacionais ainda dependerão do texto protocolado e de regulamentação posterior.

Lula associou o projeto ao fim da escala de trabalho 6x1 e argumentou que a população precisa de mobilidade para aproveitar os dias de descanso. O benefício alcançaria municípios com transporte coletivo e teria implantação gradual. Ainda não há uma estimativa oficial consolidada sobre número de passageiros, custo por cidade ou forma de compensar diferenças tarifárias entre redes locais.

O momento do anúncio adiciona uma questão política incontornável. A proposta foi apresentada na última semana da campanha presidencial e transforma uma política pública de grande alcance em ativo eleitoral. Isso não invalida automaticamente o mérito do passe livre, mas exige divulgação completa de custos, fonte de recursos, critérios de distribuição e efeitos sobre programas atualmente pagos pelas emendas.

Congresso terá decisão final

Uma PEC não entra em vigor por decisão isolada do presidente. Na Câmara e no Senado, o texto precisa superar análise de admissibilidade e receber apoio de três quintos dos parlamentares em dois turnos de votação em cada Casa. Deputados e senadores poderão alterar o percentual, o modelo de financiamento e o alcance territorial antes de qualquer promulgação.

A resistência já aparece no destino dos recursos. O presidente da Câmara, Hugo Motta, declarou apoio à gratuidade nos fins de semana, mas defendeu que as emendas parlamentares sejam preservadas. Esse conflito antecipa uma negociação entre o Planalto, o Congresso e os governos locais sobre quem pagará a conta e quais despesas deixarão de receber verba.

A cobertura também deve separar anúncio de entrega. Manchetes que tratem a promessa como política já disponível ocultam etapas legislativas e orçamentárias decisivas; o mesmo rigor deve valer para propostas semelhantes de qualquer candidato. A proximidade das urnas aumenta a obrigação de informar limites, condições e riscos, em vez de reproduzir apenas a mensagem eleitoral do governo.

Quando o texto for protocolado, o número da PEC e a redação integral permitirão conferir se os 25% aparecem como piso ou teto, como serão calculadas as transferências e quais contrapartidas serão exigidas. Até lá, tarifa zero aos fins de semana continua sendo uma proposta do Executivo sujeita ao Congresso, ao Orçamento e à capacidade operacional dos sistemas municipais.

Em resumo

O que prevê a PEC da tarifa zero?

A proposta prevê transporte coletivo gratuito aos sábados e domingos em municípios com rede de transporte público.

Como o programa seria financiado?

O governo propõe reservar 25% das emendas individuais e de bancada obrigatórias para transferências aos entes responsáveis pelo serviço.

Quanto pode ser reservado em 2027?

A projeção divulgada aponta cerca de R$ 11,2 bilhões, com base em R$ 44,76 bilhões de emendas impositivas previstas.

A tarifa zero já está valendo?

Não. A PEC ainda precisa ser protocolada, aprovada em dois turnos pela Câmara e pelo Senado e acompanhada de regras orçamentárias e operacionais.

Qual é a principal disputa no Congresso?

Parlamentares apoiam a gratuidade, mas resistem a vincular parte das emendas ao programa, o que abre negociação sobre a fonte dos recursos.

Fontes