Política Nacional · 2026-10-22 · Redação Notícia ES

Pedras votando em britadeiras (por Felipe Sampaio)

Um candidato a presidente que representa a família que quase levou o Brasil à bancarrota no governo anterior

Pedras votando em britadeiras (por Felipe Sampaio)
Pedras votando em britadeiras (por Felipe Sampaio)

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Ainda causa espanto, mas já não surpreende, que ainda

Ainda causa espanto, mas já não surpreende, que ainda tenha um pessoal que sai de casa pra votar em candidato que nem se acanha de prometer atrapalhar, mais do que ajudar, a vida o próprio eleitor.

No caso da Ilha da Vera Cruz em 2026, significa que metade de uma nação com mais de 200 milhões de habitantes, que alcançou um Índice de Desenvolvimento Humano – IDH em grau “muito elevado”, e que está entre as maiores economias do planeta, apoiará, como se fossem moradores de uma republiqueta de bananas, um candidato a presidente que representa a família que quase levou o Brasil à bancarrota no governo anterior.

O mesmo clã que pilotou a maior tragédia humanitária da história do país desde a abolição da escravatura, durante a pandemia do COVID-19. Tudo isso há apenas cinco anos!

Que elimina a desculpa de alguma perda de memória

O que elimina a desculpa de alguma perda de memória geracional. Ainda são as mesmas pessoas, votando nas mesmas pessoas.

Para tentar entender a situação, resta recorrer ao filósofo musical Lula Queiroga.

Ouvindo novamente sua formidável “Noite Severina” (em parceria com Pedro Luiz) fica claro que o cara evoluiu da categoria de gênio para a de profeta ao elaborar o verso absoluto: “Cada ser tem sonhos a sua maneira”.

Como em toda boa poesia, Queiroga expressa uma verdade tão profunda quanto sutil. Sonhar do nosso jeito está entre nossos principais direitos… e defeitos.

Nessa véspera de eleição, a canção nos permite uma reflexão (meio tranquilizadora, meio apavorante).

Acontece que em 2026 as urnas se deparam com um eleitor ainda mais conservador do que já era em 2022, segundo o “Índice de Conservadorismo e Costumes 2026”.

A defesa da pena de morte, disparou de 31% da população para 52% em apenas 15 anos. Também é enorme o percentual a favor da prisão perpétua. 70% são a favor da redução indiscriminada da maioridade penal.

E seguem nas alturas os percentuais contrários ao aborto e ao casamento entre homossexuais (como se o assunto fosse da conta de quem é contra).

Ou seja, o conservadorismo crescente tem componentes culturais e religiosos, mas também se alimenta das dificuldades diárias que dependem das autoridades e das instituições, mesmo que sejam progressistas com gestão exitosa.

Como tem aí nessa questão uma carga de subjetividade expressiva, não seria exagero relembrar aquele suicídio coletivo de 800 mil seguidores da seita do pastor Jim Jones nos anos 1970.

Dá para imaginar que alguém chegue ao ponto de pensar que quanto pior, melhor? Naturalmente, os atuais eleitores da direita extremista brasileira não se enquadram naquela categoria de fanáticos (não todos).

Somente para ilustrar de outra forma, podemos considerar que uma nova variante da Síndrome de Estocolmo (quando a vítima se apaixona pelo seu sequestrador) pareça habitar a mente da moçada da nossa direita anarco-psicodélica, mesmo após o desastre tão recente do governo do seu líder (desde as entregas liberais frustradas até o desgoverno social e ambiental), e apesar dos avanços promovidos pelo atual presidente, que tirou o país do atoleiro socioeconômico em que se encontrava em janeiro de 2023.

Talvez, explique ainda porque, no Brasil, “pedras sonhem com britadeiras”. Tomara, Lula Queiroga esteja certo e “daqui a pouco o dia vá querer raiar”.

Felipe Sampaio: Chefiou a assessoria do Ministro da Defesa; dirigiu a área de estatísticas no Ministério da Justiça; foi diretor de programas do Ministério do Empreendedorismo; ex-secretário executivo de Segurança Urbana do Recife; cofundador do Centro Soberania e Clima; com atuação em grandes empresas, organismos internacionais e terceiro setor.

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Em resumo

O que aconteceu?

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Qual é o ponto principal?

Ainda causa espanto, mas já não surpreende, que ainda tenha um pessoal que sai de casa pra votar em candidato que nem se acanha de prometer atrapalhar, mais do que ajudar, a vida o próprio eleitor. No caso da Ilha da Vera Cruz em 2026, significa que metade de uma nação com mais de 200 milhões de habitantes, que alcançou um Índice de Desenvolvimento Humano –

Quais são os dados mais importantes?

Para tentar entender a situação, resta recorrer ao filósofo musical Lula Queiroga. Ouvindo novamente sua formidável “Noite Severina” (em parceria com Pedro Luiz) fica claro que o cara evoluiu da categoria de gênio para a de profeta ao elaborar o verso absoluto: “Cada ser tem sonhos a sua maneira”. Como em toda boa poesia, Queiroga expressa uma verdade tão pr

Qual é o contexto?

Ou seja, o conservadorismo crescente tem componentes culturais e religiosos, mas também se alimenta das dificuldades diárias que dependem das autoridades e das instituições, mesmo que sejam progressistas com gestão exitosa. Como tem aí nessa questão uma carga de subjetividade expressiva, não seria exagero relembrar aquele suicídio coletivo de 800 mil seguido

Quais são os próximos desdobramentos?

Somente para ilustrar de outra forma, podemos considerar que uma nova variante da Síndrome de Estocolmo (quando a vítima se apaixona pelo seu sequestrador) pareça habitar a mente da moçada da nossa direita anarco-psicodélica, mesmo após o desastre tão recente do governo do seu líder (desde as entregas liberais frustradas até o desgoverno social e ambiental),

Fontes