Segurança Pública · 2026-09-21 · Redação Notícia ES

Pedreiro é preso por duas tentativas de feminicídio após ataque na Serra

Homem de 35 anos foi autuado após invasão de residência; idosa de 73 anos sofreu quatro perfurações e ex-companheira também ficou ferida.

Pedreiro é preso por duas tentativas de feminicídio após ataque na Serra
Atendimento à idosa ferida em Cidade Nova da Serra na noite de domingo. Crédito: Viviane Lopes/A Gazeta.

Um pedreiro de 35 anos foi preso na noite de domingo, 20 de setembro, após invadir uma casa em Cidade Nova da Serra e atacar a ex-companheira e a avó dela, segundo informações das polícias Militar e Civil reunidas por A Gazeta. A idosa, de 73 anos, sofreu quatro perfurações e foi hospitalizada. O homem foi autuado em flagrante por duas tentativas de feminicídio e encaminhado ao sistema prisional.

O relato publicado informa que o suspeito arrombou a porta da residência e entrou no quarto onde estavam a ex-companheira, de 34 anos, e a avó. A mulher mais velha foi atingida nas costas e no tórax. A ex-companheira teve ferimento em um dedo, conseguiu sair pela janela e pediu ajuda. A dinâmica ainda será examinada no inquérito, e a versão reunida até agora parte das vítimas, de familiares e das corporações que atenderam a ocorrência.

A idosa foi socorrida por uma ambulância da Ecovias Capixaba e levada ao Hospital Estadual Jayme Santos Neves. Até a publicação da reportagem usada como fonte principal, não havia previsão de alta. A família não teve os nomes divulgados, medida que preserva as vítimas de uma ocorrência de violência doméstica.

Família relata ameaças depois da separação

A mãe da ex-companheira disse à TV Gazeta que o relacionamento durou 15 anos e terminou cerca de um mês antes do ataque. Segundo ela, o homem apresentava comportamento agressivo, tinha problemas relacionados ao consumo de álcool e vinha fazendo ameaças desde a separação. Essas informações são declarações da familiar e deverão ser confrontadas com documentos, depoimentos e demais provas pela Polícia Civil.

A mesma testemunha relatou que, depois da invasão, o suspeito enviou um áudio afirmando que a ex-companheira “mereceu”. A Polícia Militar informou que o encontrou ainda no bairro e que, durante a abordagem, ele teria dito aos agentes que as duas mulheres mereciam as facadas. O conteúdo do áudio e a fala atribuída ao detido integram a narrativa policial; a defesa poderá contestar a interpretação ou apresentar sua versão no processo.

Segundo a reportagem, a ex-companheira havia procurado uma delegacia na semana anterior e solicitado uma medida protetiva. A Polícia Civil acrescentou que, após o ataque, as duas vítimas pediram medidas protetivas de urgência contra o suspeito. Não foi informado, até a publicação, se o primeiro pedido já havia sido analisado, deferido ou comunicado ao homem. Sem essa informação, não é possível atribuir eventual falha a um órgão específico.

Autuação não equivale a condenação

A Polícia Civil declarou que o preso foi autuado por tentativa de feminicídio no contexto de violência doméstica contra a ex-companheira e por tentativa de feminicídio contra pessoa maior de 60 anos em relação à avó. O enquadramento pode ser mantido ou alterado no curso da investigação e do processo, conforme a análise do Ministério Público e do Judiciário.

A prisão em flagrante e a autuação são atos iniciais. O investigado tem direito à defesa e à presunção de inocência até decisão definitiva. A reportagem não localizou manifestação de advogado constituído pelo homem. A ausência de contraponto imediato deve ser registrada, mas não autoriza tratar a acusação policial como sentença.

A Lei Maria da Penha prevê medidas de proteção para mulheres em situação de violência doméstica e familiar, como restrição de contato e afastamento do agressor. Desde 2024, a Lei 14.994 tornou o feminicídio crime autônomo e agravou penas relacionadas à violência contra a mulher. A definição jurídica do caso concreto, porém, dependerá das provas e das decisões das autoridades competentes.

Investigação deve reconstruir sequência e resposta institucional

Os próximos passos incluem ouvir vítimas e testemunhas, periciar o local, preservar mensagens e áudios, obter laudos médicos e esclarecer o histórico do pedido de medida protetiva. Também caberá ao Judiciário examinar a legalidade da prisão e decidir sobre a manutenção da custódia durante a investigação.

Mulheres em risco podem acionar a Polícia Militar pelo 190. O Ligue 180, serviço nacional gratuito, recebe denúncias, fornece orientações sobre direitos e indica a rede de atendimento; em emergência, a orientação oficial é procurar imediatamente a polícia. Familiares e vizinhos também podem comunicar ameaças, agressões ou descumprimento de medida protetiva.

O estado de saúde da idosa e o avanço do inquérito ainda podem gerar atualizações. Até que laudos e decisões sejam concluídos, os fatos confirmados são o atendimento de duas mulheres feridas, a prisão do suspeito, a autuação informada pela Polícia Civil e o encaminhamento dele ao sistema prisional.

Em resumo

Onde ocorreu o ataque?

Na noite de 20 de setembro, em uma residência de Cidade Nova da Serra, no município da Serra.

Quantas pessoas ficaram feridas?

Duas mulheres: a ex-companheira do suspeito, de 34 anos, e a avó dela, de 73 anos.

Qual é o estado de saúde da idosa?

Ela foi levada ao Hospital Jayme Santos Neves com perfurações nas costas e no tórax; não havia previsão de alta na publicação inicial.

Por quais crimes o homem foi autuado?

A Polícia Civil informou duas autuações por tentativa de feminicídio, uma no contexto de violência doméstica e outra contra pessoa maior de 60 anos.

A prisão significa que o suspeito já foi condenado?

Não. A autuação e a prisão em flagrante são etapas iniciais; ele tem direito à defesa e à presunção de inocência.

Como denunciar violência contra a mulher?

Em emergência, ligue 190. O Ligue 180 recebe denúncias, orienta sobre direitos e informa a rede de atendimento.

Fontes