Pedro Parente não declara voto, mas vê em Flávio risco de concentração de poder com vitória da direita no Congresso - BBC News Brasil
Ex-ministro da Casa Civil de FHC e ex-presidente da Petrobras e da BRF afirma que Flávio Bolsonaro não demonstrou ter um projeto de país e que possibilidade de moderação do candidato é 'um enigma'.

Veja a intenção de voto no 2º turno no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil
Ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento no governo
Ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso , ex-presidente da Petrobras e da BRF, Pedro Parente afirma que o resultado do primeiro turno mudou a equação do segundo.
Para ele, com uma maioria de direita eleita na Câmara e no Senado , a distância entre os riscos que cada candidato representa aumentou.
"Agora tem um que realmente tem uma representação de risco para o país, dessa concentração de poder", diz.
"É bem mais do que parecia ser antes
"É bem mais do que parecia ser antes do primeiro turno." Parente compara o cenário ao dos Estados Unidos, onde Trump governa com maioria republicana nas duas casas do Congresso.
Ainda assim, ele não declara voto. Diz que sua decisão é "individual e solitária" — expressão que ecoa o fecho de sua coluna "Convicção ou Responsabilidade?", publicada no sábado no jornal O Globo, em que discorre sobre o dilema de quem não se identifica com nenhum dos dois finalistas.
Já havia afirmado, porém, que não vota em Flávio Bolsonaro (PL) .
A declaração veio em uma carta publicada no LinkedIn, em resposta a um artigo de João Moreira Salles na revista piauí.
Moreira Salles criticou parte da elite econômica por relativizar os riscos à democracia para se aproximar da candidatura de Flávio e citou nominalmente executivos que participaram de um jantar com o candidato em São Paulo, organizado pelo ex-presidente do Credit Suisse Brasil Marcelo Kayath.
Na carta, disse ter ido ao encontro para ouvir diretamente quem pode vir a ser presidente — e que saiu de lá com uma opinião pior do que a que tinha ao chegar.
Na entrevista à BBC News Brasil, Parente detalha o que viu no jantar: mesmo perguntado, Flávio não demonstrou ter um projeto de país.
As propostas econômicas apresentadas foram genéricas e vieram não do candidato, mas de dois assessores — a ex-presidente da Caixa Daniella Marques e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
A possibilidade de moderação de Flávio, para ele, é "um enigma".
BBC News Brasil – Sua coluna de sábado no Globo, "Convicção ou Responsabilidade?", trata de um dilema que muita gente está vivendo. O que levou o senhor escrevê-la?
Parente – O fato de que eu mesmo estava vivendo o dilema. O voto, para mim, não é apenas escolher um dos postulantes, mas é também depositar a sua confiança, delegar a sua parcela — que é pequena, mas existente — a um eleito para governar o país.
Não é pouca coisa. Não se trata tão somente de escolher o menos pior. É mais do que isso.
E esse "mais do que isso" estava me incomodando bastante. Porque, de fato, não tenho nenhuma simpatia por qualquer um dos candidatos.
Não acho um nem um pouco preparado — nunca teve uma posição executiva, se elegeu na esteira dos votos destinados ao pai, me refiro ao Senado.
E o outro, governos absolutamente desastrosos, especialmente do ponto de vista fiscal, do ponto de vista das alianças que escolheu, do ponto de vista da relação com o Supremo. Muito, muito ruim.
BBC News Brasil – O primeiro turno deixou quase 49 milhões de brasileiros sem votar em nenhum dos dois finalistas, três em cada dez. Como o senhor lê esse retrato?
Parente – Esse retrato é o retrato do desencanto. Desencanto com a política, desencanto com os candidatos. Uma percepção de que, qualquer que seja a escolha, o país não estará bem.
A gente está vendo agora, nessas últimas manifestações, um pouco mais de engajamento da turma da esquerda, aconteceu na Paulista e depois no Rio também. Foi importante.
Mas no domingo vai ter também os bolsonaristas, e é óbvio que eles vão fazer uma tremenda mobilização para não ficarem atrás. Se ficarem atrás, vai ficar muito ruim para eles. É esse desencanto.
BBC News Brasil – Ainda sobre o artigo: o senhor citou Hannah Arendt e Max Weber. Na sua avaliação, neste momento, onde termina a responsabilidade de escolher o menos ruim e começa a transigência com as próprias convicções?
Em resumo
Veja a intenção de voto no 2º turno no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil
Ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso , ex-presidente da Petrobras e da BRF, Pedro Parente afirma que o resultado do primeiro turno mudou a equação do segundo.
Para ele, com uma maioria de direita eleita na Câmara e no Senado , a distância entre os riscos que cada candidato representa aumentou.
"Agora tem um que realmente tem uma representação de risco para o país, dessa concentração de poder", diz. "É bem mais do que parecia ser antes do primeiro turno." Parente compara o cenário ao dos Estados Unidos, onde Trump governa com maioria republicana nas duas casas do Congresso.
Ainda assim, ele não declara voto. Diz que sua decisão é "individual e solitária" — expressão que ecoa o fecho de sua coluna "Convicção ou Responsabilidade?", publicada no sábado no jornal O Globo, em que discorre sobre o dilema de quem não se identifica com nenhum dos dois finalistas. Já havia afirmado, porém, que não vota em Flávio Bols