Política ES · 2026-10-14 · Redação Notícia ES

Pedro Parente não declara voto, mas vê em Flávio risco de concentração de poder com vitória da direita no Congresso - BBC News Brasil

Ex-ministro da Casa Civil de FHC e ex-presidente da Petrobras e da BRF afirma que Flávio Bolsonaro não demonstrou ter um projeto de país e que possibilidade de moderação do candidato é 'um enigma'.

Pedro Parente não declara voto, mas vê em Flávio risco de concentração de poder com vitória da direita no Congresso - BBC News Brasil
Pedro Parente não declara voto, mas vê em Flávio risco de concentração de poder com vitória da direita no Congresso - BBC News Brasil

Veja a intenção de voto no 2º turno no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil

Ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento no governo

Ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso , ex-presidente da Petrobras e da BRF, Pedro Parente afirma que o resultado do primeiro turno mudou a equação do segundo.

Para ele, com uma maioria de direita eleita na Câmara e no Senado , a distância entre os riscos que cada candidato representa aumentou.

"Agora tem um que realmente tem uma representação de risco para o país, dessa concentração de poder", diz.

"É bem mais do que parecia ser antes

"É bem mais do que parecia ser antes do primeiro turno." Parente compara o cenário ao dos Estados Unidos, onde Trump governa com maioria republicana nas duas casas do Congresso.

Ainda assim, ele não declara voto. Diz que sua decisão é "individual e solitária" — expressão que ecoa o fecho de sua coluna "Convicção ou Responsabilidade?", publicada no sábado no jornal O Globo, em que discorre sobre o dilema de quem não se identifica com nenhum dos dois finalistas.

Já havia afirmado, porém, que não vota em Flávio Bolsonaro (PL) .

A declaração veio em uma carta publicada no LinkedIn, em resposta a um artigo de João Moreira Salles na revista piauí.

Moreira Salles criticou parte da elite econômica por relativizar os riscos à democracia para se aproximar da candidatura de Flávio e citou nominalmente executivos que participaram de um jantar com o candidato em São Paulo, organizado pelo ex-presidente do Credit Suisse Brasil Marcelo Kayath.

Na carta, disse ter ido ao encontro para ouvir diretamente quem pode vir a ser presidente — e que saiu de lá com uma opinião pior do que a que tinha ao chegar.

Na entrevista à BBC News Brasil, Parente detalha o que viu no jantar: mesmo perguntado, Flávio não demonstrou ter um projeto de país.

As propostas econômicas apresentadas foram genéricas e vieram não do candidato, mas de dois assessores — a ex-presidente da Caixa Daniella Marques e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.

A possibilidade de moderação de Flávio, para ele, é "um enigma".

BBC News Brasil – Sua coluna de sábado no Globo, "Convicção ou Responsabilidade?", trata de um dilema que muita gente está vivendo. O que levou o senhor escrevê-la?

Parente – O fato de que eu mesmo estava vivendo o dilema. O voto, para mim, não é apenas escolher um dos postulantes, mas é também depositar a sua confiança, delegar a sua parcela — que é pequena, mas existente — a um eleito para governar o país.

Não é pouca coisa. Não se trata tão somente de escolher o menos pior. É mais do que isso.

E esse "mais do que isso" estava me incomodando bastante. Porque, de fato, não tenho nenhuma simpatia por qualquer um dos candidatos.

Não acho um nem um pouco preparado — nunca teve uma posição executiva, se elegeu na esteira dos votos destinados ao pai, me refiro ao Senado.

E o outro, governos absolutamente desastrosos, especialmente do ponto de vista fiscal, do ponto de vista das alianças que escolheu, do ponto de vista da relação com o Supremo. Muito, muito ruim.

BBC News Brasil – O primeiro turno deixou quase 49 milhões de brasileiros sem votar em nenhum dos dois finalistas, três em cada dez. Como o senhor lê esse retrato?

Parente – Esse retrato é o retrato do desencanto. Desencanto com a política, desencanto com os candidatos. Uma percepção de que, qualquer que seja a escolha, o país não estará bem.

A gente está vendo agora, nessas últimas manifestações, um pouco mais de engajamento da turma da esquerda, aconteceu na Paulista e depois no Rio também. Foi importante.

Mas no domingo vai ter também os bolsonaristas, e é óbvio que eles vão fazer uma tremenda mobilização para não ficarem atrás. Se ficarem atrás, vai ficar muito ruim para eles. É esse desencanto.

BBC News Brasil – Ainda sobre o artigo: o senhor citou Hannah Arendt e Max Weber. Na sua avaliação, neste momento, onde termina a responsabilidade de escolher o menos ruim e começa a transigência com as próprias convicções?

Em resumo

O que aconteceu?

Veja a intenção de voto no 2º turno no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil

Qual é o ponto principal?

Ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso , ex-presidente da Petrobras e da BRF, Pedro Parente afirma que o resultado do primeiro turno mudou a equação do segundo.

Quais são os dados mais importantes?

Para ele, com uma maioria de direita eleita na Câmara e no Senado , a distância entre os riscos que cada candidato representa aumentou.

Qual é o contexto?

"Agora tem um que realmente tem uma representação de risco para o país, dessa concentração de poder", diz. "É bem mais do que parecia ser antes do primeiro turno." Parente compara o cenário ao dos Estados Unidos, onde Trump governa com maioria republicana nas duas casas do Congresso.

Quais são os próximos desdobramentos?

Ainda assim, ele não declara voto. Diz que sua decisão é "individual e solitária" — expressão que ecoa o fecho de sua coluna "Convicção ou Responsabilidade?", publicada no sábado no jornal O Globo, em que discorre sobre o dilema de quem não se identifica com nenhum dos dois finalistas. Já havia afirmado, porém, que não vota em Flávio Bols

Fontes