Pesquisa aponta 52% dos brasileiros preocupados com avanço da inteligência artificial
Levantamento do Pew Research em 36 países indica receio acima da média global; 42% no Brasil esperam redução de empregos pela tecnologia.

Mais da metade dos brasileiros, 52%, afirma estar preocupada com o avanço da inteligência artificial, segundo levantamento do Pew Research Center divulgado nesta segunda-feira, 21 de setembro. Outros 37% combinam preocupação e entusiasmo, enquanto 9% se dizem principalmente otimistas. O estudo ouviu 42.151 pessoas em 36 países entre 8 de fevereiro e 13 de maio de 2026.
O índice brasileiro de apreensão supera a média internacional de 37%. Entre os países comparados, a Austrália aparece com 53%, e o Brasil empata com os Estados Unidos em 52%. O resultado mede percepção, não ocorrência comprovada de dano. Ainda assim, sinaliza um ambiente social cauteloso diante da velocidade com que ferramentas de IA chegaram ao trabalho, à educação e aos serviços.
Quando a pergunta se concentra em emprego, 42% dos brasileiros acreditam que a IA reduzirá postos de trabalho. Outros 34% não sabem qual será o efeito, 11% esperam neutralidade e 13% preveem criação líquida de vagas. A média global de temor de perda de emprego foi de 46%, quatro pontos acima do resultado brasileiro.
Idade muda a percepção
A preocupação é maior entre brasileiros com mais de 50 anos: 58% demonstram receio. Entre os jovens de 18 a 34 anos, o percentual de preocupação subiu de 32% em 2025 para 44% em 2026. O aumento de 12 pontos sugere que maior familiaridade com a tecnologia não significa necessariamente tranquilidade sobre seus efeitos.
Os jovens, porém, acompanham mais o assunto. Cerca de 48% das pessoas de 18 a 34 anos dizem ler ou ouvir muito sobre IA, ante 33% entre 35 e 49 anos e 16% entre maiores de 50. Exposição elevada pode produzir entusiasmo com novas ferramentas e, ao mesmo tempo, consciência mais clara dos riscos de substituição, vigilância e desinformação.
Empregos tendem a mudar antes de desaparecer
Estudos de organismos como a Organização Internacional do Trabalho tratam a IA como tecnologia capaz de automatizar tarefas, não apenas profissões inteiras. Funções administrativas, atendimento, produção de texto, programação e análise de dados podem ter partes reorganizadas. O resultado depende de investimento, treinamento, regras e da decisão de empresas sobre como repartir ganhos de produtividade.
A incerteza é economicamente relevante. Trabalhadores podem adiar decisões de carreira e empresas podem contratar menos para funções percebidas como automatizáveis. Ao mesmo tempo, surgem vagas em integração de sistemas, segurança, avaliação de modelos, governança de dados e supervisão humana. A transição não é uniforme e pode aprofundar desigualdades.
Renda e desigualdade entram no debate
No Brasil, 24% acreditam que a IA ampliará a distância entre ricos e pobres, abaixo da média global de 28%. A maior parcela, 42%, não sabe estimar o efeito. Essa dúvida reflete a coexistência de dois caminhos: tecnologia pode democratizar serviços e produtividade, mas também concentrar renda quando infraestrutura, capital e dados ficam restritos a poucas empresas.
Políticas públicas precisam ir além de prever quantos empregos serão perdidos. Formação profissional, proteção de dados, transparência algorítmica, defesa da concorrência e apoio a trabalhadores em transição são instrumentos para reduzir custos sociais. Escolas e empresas também terão de ensinar uso crítico, e não apenas operação de ferramentas.
O levantamento registra sentimento, não destino. Os 52% preocupados expressam um alerta que governos e empresas não deveriam tratar como resistência irracional. A confiança dependerá de resultados concretos: tecnologia que melhore serviços, preserve direitos, permita contestação de decisões automatizadas e distribua ganhos de produtividade de forma perceptível.
Para trabalhadores e empresas, o desafio imediato é identificar tarefas que podem ser automatizadas e aquelas que exigem julgamento, responsabilidade ou contato humano. Capacitação não significa apenas aprender a usar uma ferramenta: envolve verificar resultados, proteger dados e reconhecer erros ou vieses. No setor público, decisões apoiadas por sistemas automatizados precisam de critérios auditáveis e canais de contestação. Nas escolas, o uso responsável depende de orientação pedagógica e regras de autoria. A parcela de brasileiros preocupados não prova que haverá perda líquida de empregos, mas sinaliza demanda por informação e proteção. Séries históricas, pesquisas com empregadores e dados de ocupação serão necessários para medir o efeito real, separado de expectativas sobre uma tecnologia que muda rapidamente. A amostra internacional permite comparar percepções, mas não substitui estudos específicos sobre o mercado brasileiro. Setor, escolaridade, região e tamanho da empresa podem produzir impactos muito diferentes sobre cada grupo de trabalhadores.
Em resumo
O levantamento aponta 52%.
Foram 42.151 entrevistados em 36 países.
42% acreditam que a IA reduzirá postos de trabalho.
No Brasil, pessoas com mais de 50 anos registraram 58% de preocupação.
Sim. 48% dos brasileiros de 18 a 34 anos dizem ler ou ouvir muito sobre IA.
Não. Ela mede percepção; o efeito real depende da adoção e de políticas de transição.