Fé e Sociedade · 2026-09-21 · Redação Notícia ES

Pesquisa Iser/Quaest mostra 98% com fé em Deus e 37% abertos à reencarnação

Levantamento com 15 mil pessoas em 412 municípios identifica maioria cristã e presença de crenças e práticas que atravessam fronteiras entre tradições religiosas.

Pesquisa Iser/Quaest mostra 98% com fé em Deus e 37% abertos à reencarnação
Thais dos Santos Barreto, personagem ouvida na reportagem que apresentou o levantamento sobre crenças religiosas no Brasil. Foto: Zanone Fraissat/Folhapress.

SÃO PAULO. Uma pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser), realizada em parceria com a Quaest, mostra que 98% dos brasileiros entrevistados dizem acreditar em Deus, 68% acreditam em espíritos e 37% não descartam a reencarnação. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira, 21 de setembro, ouviu 15 mil pessoas com 16 anos ou mais em 412 municípios, entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro.

A margem de erro informada é de um ponto percentual. Segundo os dados publicados pela Folha de S.Paulo, 79% se identificam como cristãos: 50% católicos e 29% evangélicos. Outros 14% declaram não ter religião. Mesmo nesse grupo, 88% afirmam possuir fé, resultado que ajuda a separar falta de filiação institucional de ausência de crença.

O estudo descreve um país em que identidade religiosa, crença e prática cotidiana nem sempre seguem a mesma fronteira. Entre os entrevistados, 80% acreditam no céu e 73% dizem usar versículos bíblicos no dia a dia. Ao mesmo tempo, 73% relatam acreditar em premonição, 58% mencionam o uso de ervas e 31% dizem bater na madeira para afastar o azar.

Reencarnação aparece entre católicos e evangélicos

A possibilidade de reencarnação é admitida por 37% do conjunto da amostra. O percentual chega a 40% entre católicos e a 20% entre evangélicos, conforme a divulgação. O dado não significa adesão formal ao espiritismo nem abandono da doutrina de cada igreja; ele registra a resposta a uma pergunta específica sobre crença.

Essa distinção é importante porque pesquisas de religião podem medir coisas diferentes. Uma pessoa pode declarar pertencimento a uma tradição, frequentar pouco suas celebrações e, ainda assim, incorporar referências de outras matrizes culturais. Também pode não ter religião institucional e manter oração, fé em Deus ou práticas familiares.

Entre os católicos, o levantamento separa 31% que se dizem praticantes e 19% não praticantes. No universo evangélico, a Assembleia de Deus reúne 32% dos entrevistados desse segmento, e cerca de sete em cada dez se vinculam a igrejas pentecostais. Aproximadamente 10% dos evangélicos foram descritos como “desigrejados”, por manterem a identidade sem frequentar uma denominação.

Região, idade e raça ajudam a explicar diferenças

O catolicismo aparece com maior presença no Nordeste e entre pessoas mais velhas. No Piauí, o percentual informado chega a 73%. Já os evangélicos alcançam maior proporção no Norte, com 40%, e no Amazonas, com 45%. O levantamento também indica 31% de evangélicos entre pessoas pretas, ante 26% entre pessoas brancas.

Essas diferenças não devem ser interpretadas como características fixas de cada grupo. Percentuais estaduais e recortes por idade ou raça têm níveis de incerteza próprios e podem refletir história regional, urbanização, redes comunitárias e oferta de instituições religiosas. A margem geral de um ponto percentual não necessariamente se aplica da mesma forma a todos os subgrupos.

Os dados dialogam com o Censo 2022 do IBGE, que mostrou redução da proporção de católicos e crescimento de evangélicos e pessoas sem religião ao longo das últimas décadas. As duas pesquisas, porém, não são diretamente equivalentes: o Censo busca ampla cobertura populacional e pergunta identificação religiosa, enquanto o Iser/Quaest inclui um questionário mais extenso sobre crenças e práticas.

Leitura pede respeito à liberdade de crença

Resultados sobre religião descrevem comportamentos agregados e não autorizam julgar a coerência da fé individual. Igrejas e tradições têm doutrinas próprias sobre reencarnação, espíritos, rituais e superstições, mas a pesquisa mede o que os entrevistados dizem acreditar. A coexistência de respostas diferentes pode indicar sincretismo, herança cultural ou interpretações pessoais.

O levantamento também oferece pistas para organizações religiosas, educadores e formuladores de políticas públicas. Compreender a diversidade interna dos grupos pode melhorar ações de assistência, diálogo inter-religioso e proteção à liberdade de consciência. O dado de que a maioria das pessoas sem religião mantém fé é particularmente relevante para evitar que “sem religião” seja tratado automaticamente como sinônimo de ateísmo.

Os próximos passos são a divulgação integral dos cruzamentos e do questionário, necessários para avaliar formulação das perguntas, ponderação e tamanho das bases de cada recorte. Por ora, o retrato central é o de uma população majoritariamente cristã, com crenças espirituais amplas e práticas que circulam entre tradições, famílias e regiões.

Em resumo

Quantos brasileiros dizem acreditar em Deus?

No levantamento Iser/Quaest, 98% dos entrevistados afirmaram acreditar em Deus.

Qual parcela admite a possibilidade de reencarnação?

O percentual é de 37% no conjunto da amostra, 40% entre católicos e 20% entre evangélicos.

Qual é a proporção de cristãos?

A pesquisa registra 79% de cristãos, sendo 50% católicos e 29% evangélicos.

Pessoas sem religião necessariamente não têm fé?

Não. Entre os que declararam não ter religião, 88% disseram possuir fé.

Quantas pessoas foram ouvidas?

Foram 15 mil entrevistados com 16 anos ou mais em 412 municípios.

Qual é a margem de erro?

A margem geral informada é de um ponto percentual; recortes menores podem ter incerteza maior.

Fontes

  • Folha de S.Paulo — divulgação da pesquisa Iser/Quaest sobre religião
  • Quaest — repositório institucional de relatórios
  • IBGE — resultados do Censo 2022 sobre religião
  • Folha de S.Paulo — comparação com os novos dados do Censo 2022