Política Nacional · 2026-10-07 · Redação Notícia ES

Pessôa aponta Congresso como vantagem de Flávio

Economista avalia que alinhamento entre Planalto e Congresso favoreceria coalizão, mas cobra programa fiscal e definição de prioridades.

Pessôa aponta Congresso como vantagem de Flávio
Pessôa aponta Congresso como vantagem de Flávio

O economista Samuel Pessôa avaliou nesta semana que Flávio Bolsonaro teria uma vantagem institucional caso vença a eleição presidencial: a possibilidade de negociar com um Congresso cuja maioria está mais próxima de seu campo político. Para ele, o teste seria transformar essa proximidade em uma coalizão estável e com programa comum.

A análise foi publicada pela BBC Brasil nesta quarta-feira (7), em entrevista realizada antes e depois do primeiro turno. Pessôa, pesquisador associado do FGV Ibre, afirmou que o desafio de Flávio seria conduzir um governo de direita dentro das regras do presidencialismo de coalizão.

A avaliação parte da nova composição legislativa. O PL elegeu 121 deputados federais e tornou-se a maior bancada da Câmara. O partido, porém, não dispõe sozinho dos três quintos necessários para aprovar mudanças constitucionais e dependeria de acordos com siglas como PP, Republicanos, União Brasil, MDB e PSD.

Coalizão depende de acordos

Pessôa sustenta que a menor distância ideológica entre o eventual governo e a maioria do Congresso facilitaria a definição de uma agenda. Essa condição não elimina a necessidade de repartir responsabilidades, negociar ministérios e apresentar prioridades capazes de manter partidos diferentes na mesma base.

A força parlamentar também apareceu no discurso de Flávio após o primeiro turno. O candidato declarou que pretende usar a maioria conservadora para promover mudanças constitucionais. A aritmética mostra, entretanto, que apoio eleitoral e tamanho da bancada não substituem a construção de votos em cada Casa.

A cobertura do resultado eleitoral enfatizou a reação positiva dos ativos brasileiros, mas veículos que acompanham o mercado registraram a mesma ressalva: o candidato ainda não detalhou sua equipe econômica nem apresentou medidas completas para as contas públicas. A valorização inicial, portanto, representa expectativa, não garantia de execução.

Mercado cobra plano fiscal

Segundo Pessôa, investidores enxergam maior disposição para um ajuste fiscal em um governo de direita. Ele também considera que uma nova gestão teria de decidir quanto capital político empregaria em medidas econômicas e quanto destinaria a pautas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O economista não tratou o segundo turno como decidido. Sua leitura é que a abstenção pode prejudicar mais Lula, enquanto o mercado tende a pressionar qualquer vencedor por respostas sobre dívida pública, juros e gastos obrigatórios. O quadro permanece sujeito à campanha e à formação de alianças.

O ponto verificável é que Flávio partiria de uma base parlamentar numerosa, mas não autossuficiente. A governabilidade dependeria de programa, negociação e disciplina de coalizão — os mesmos requisitos cobrados de presidentes de qualquer orientação política.

Em resumo

Qual vantagem Pessôa vê para Flávio?

O economista aponta a proximidade ideológica entre um eventual governo Flávio Bolsonaro e a maioria do novo Congresso.

O PL pode mudar a Constituição sozinho?

Não. O partido elegeu a maior bancada, mas ainda precisa de aliados para alcançar três quintos dos votos na Câmara e no Senado.

O que seria necessário para formar uma coalizão?

Seriam necessários programa comum, divisão de responsabilidades e negociação contínua com partidos aliados.

Por que o mercado reagiu positivamente?

Investidores projetaram maior compromisso com ajuste fiscal, mas ainda aguardam equipe econômica e medidas concretas.

Pessôa considera a eleição decidida?

Não. Ele apontou fatores favoráveis a Flávio, mas evitou tratar o resultado do segundo turno como irreversível.

Fontes