Petrobras confirma nova descoberta na Foz do Amazonas
Novo intervalo com petróleo foi identificado no poço Morpho, em águas ultraprofundas da costa do Amapá, mas a viabilidade comercial ainda será avaliada.

A Petrobras confirmou nesta sexta-feira, 2 de outubro, uma nova descoberta de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas. O intervalo foi identificado no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas da costa do Amapá, durante o aprofundamento da perfuração.
A informação foi publicada pela Agência Brasil e confirmada em comunicado oficial da Petrobras. O poço 1-BRSA-1405-APS está em uma lâmina d’água de 2.886 metros, a cerca de 175 quilômetros da costa amapaense.
A companhia já havia anunciado em agosto a presença de hidrocarbonetos no mesmo poço. A continuidade do trabalho permitiu examinar camadas mais profundas e localizar outro intervalo portador de petróleo, identificado por perfis elétricos, indícios em rocha e amostras de fluidos.
Descoberta ainda será avaliada
O achado amplia o conjunto de dados sobre o potencial petrolífero da região, mas ainda não comprova a existência de uma jazida comercial. As amostras passarão por análises laboratoriais, e os resultados serão integrados às informações obtidas durante a perfuração.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou em entrevista coletiva que os dados aumentam o otimismo com uma nova fronteira exploratória. Ela ponderou, porém, que a empresa ainda não pode garantir a viabilidade econômica da descoberta.
Segundo a estatal, as análises da descoberta anunciada em agosto indicaram petróleo de boa qualidade. A empresa não divulgou o grau API nem outros parâmetros técnicos do novo intervalo, informações necessárias para medir densidade, características do óleo e valor potencial.
A perfuração e a avaliação das formações devem continuar até o fim de outubro. Depois dessa etapa, a sonda será desmobilizada e enviada ao Rio Grande do Norte para uma campanha no prospecto Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar.
Projeto enfrenta disputa ambiental
A Petrobras planeja retornar ao bloco FZA-M-59 no primeiro trimestre de 2027 para perfurar três poços de delimitação. Esses trabalhos deverão indicar a extensão das acumulações e ajudar a companhia a decidir se existe volume suficiente para avançar com um projeto comercial.
Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética estima que o potencial recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode alcançar 10 bilhões de barris de óleo equivalente. A projeção se refere ao potencial regional e não ao volume confirmado no poço Morpho.
A exploração também enfrenta questionamentos ambientais. O Ministério Público Federal pediu à Justiça a suspensão da licença do bloco e apontou riscos operacionais, além da necessidade de consulta prévia a povos indígenas e comunidades tradicionais potencialmente afetadas.
A Petrobras sustenta que conduz a perfuração com segurança e respeito ao meio ambiente. A empresa afirma que a exploração de novas fronteiras faz parte da estratégia para recompor reservas e atender à demanda energética durante a transição para fontes de menor emissão.
Os próximos resultados técnicos serão decisivos para separar uma descoberta geológica de um projeto economicamente viável. Até a conclusão das avaliações, o volume, a extensão e a comercialidade do petróleo permanecem em aberto.
Em resumo
No poço Morpho, no bloco FZA-M-59 da Bacia da Foz do Amazonas, em águas profundas do Amapá.
O poço está em lâmina d’água de 2.886 metros, a cerca de 175 quilômetros da costa.
Não. A Petrobras ainda precisa avaliar o volume, a extensão e a viabilidade econômica do achado.
Por perfis elétricos, indícios em rocha e amostras de fluidos coletadas durante a perfuração.
A empresa continuará as análises e pretende perfurar três poços de delimitação no primeiro trimestre de 2027.