Tecnologia · 2026-10-22 · Redação Notícia ES

Petrobras salta 100% em 2026, Vale fica para trás: o que esperar das gigantes agora?

Enquanto a petroleira acumula ganhos próximos de 100% em 2026, impulsionada pela alta do petróleo e pelo cenário político, a mineradora sofre com a queda do minério de ferro, a fraqueza da China e o aumento da oferta global

Petrobras salta 100% em 2026, Vale fica para trás: o que esperar das gigantes agora?
Petrobras salta 100% em 2026, Vale fica para trás: o que esperar das gigantes agora?

Duas das maiores empresas da Bolsa brasileira vivem momentos opostos em 2026. Enquanto a Petrobras ( PETR3 , PETR4 ) consolidou-se como um dos principais motores da valorização do Ibovespa, com alta de cerca de 20% em outubro (18% em PETR3 e 16% em PETR4 ) e próxima de 100% no acumulado do ano, a Vale ( VALE3 ) registra queda de cerca de 9% tanto neste mês quanto em 2026.

Diferença reflete, sobretudo, os movimentos distintos das commodities às

A diferença reflete, sobretudo, os movimentos distintos das commodities às quais as companhias estão expostas.

De um lado, o petróleo voltou a subir com força diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio, elevando as projeções de geração de caixa da Petrobras.

Do outro, o minério de ferro continua pressionado pela combinação de demanda fraca da China e perspectivas de aumento da oferta global.

Especialista em renda variável da AVIN, a Petrobras reúne

Segundo Heitor de Nicola, especialista em renda variável da AVIN, a Petrobras reúne atualmente uma combinação de fatores favoráveis.

Além do petróleo mais caro, a estatal apresenta forte geração de caixa, crescimento da produção e fundamentos operacionais sólidos.

Já a Vale enfrenta um ambiente mais desafiador, marcado por preços mais baixos do minério e pela valorização do real, que reduz a conversão das receitas obtidas em moeda estrangeira.

A mineradora tem ficado à margem do rali eleitoral que impulsionou boa parte das ações brasileiras nas últimas semanas. Para analistas, isso ocorre porque os fatores que mais afetam a Vale são externos e vêm se deteriorando.

Em relatório recente, o UBS BB alertou que ainda é cedo para apostar no fim da queda das ações .

O banco vê um mercado de minério cada vez mais pressionado pelo crescimento da oferta global, especialmente com a entrada de novos volumes do projeto Simandou, na Guiné, ao mesmo tempo em que a demanda por aço permanece fraca.

Além disso, a instituição aponta preocupações com a produção da própria Vale e elevou o tom cauteloso em relação aos próximos resultados operacionais.

O BTG Pactual, por sua vez, tem destacado uma “compressão de resultados” para a companhia, reflexo da combinação de preços menores do minério, custos mais elevados e rentabilidade mais pressionada.

A três dias da eleição que definirá o próximo presidente, analistas debatem resultado das pesquisas e decisões tomadas pelos candidatos

O cenário ajuda a explicar por que a Vale não acompanhou o desempenho de outros papéis ligados à economia doméstica após o primeiro turno das eleições.

A companhia também foi prejudicada pela queda do dólar, movimento que reduz a competitividade relativa de suas receitas em moeda estrangeira.

A gigante da mineração segue dependente principalmente dos preços internacionais do minério de ferro e dos sinais vindos da economia chinesa.

No caso da Petrobras, os vetores caminham na direção oposta. Além da disparada do petróleo, a ação passou a incorporar uma percepção mais favorável dos investidores em relação ao ambiente político, aumentando as expectativas de distribuição de dividendos.

O petróleo Brent acima de US$ 100 por barril, em meio às tensões contínuas envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz, reforçou esse movimento.

Como uma parcela relevante da produção global passa pela região, investidores passaram a precificar um prêmio de risco maior no barril, impulsionando petroleiras no mundo todo.

Ações da companhia acumulam ganhos de cerca de 100% em 2026

O resultado foi uma valorização expressiva da estatal, que ultrapassou R$ 800 bilhões em valor de mercado em meados de outubro.

Durante o mês, ainda houve avanços em diversas outras frentes para a companhia. No início de outubro, a Petrobras anunciou uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na costa do Amapá, reforçando o potencial da Margem Equatorial após o poço de Morpho e fortalecendo a tese de reposição de reservas para o período posterior ao pico de produção do pré-sal.

Na sequência, participou do leilão de oferta permanente da ANP, arrematando 21 blocos e desembolsando R$ 3,2 bilhões.

Ainda na primeira quinzena, assinou os acordos de equalização das jazidas compartilhadas de Berbigão e Sururu, na Bacia de Santos, pelos quais deverá receber cerca de US$ 859 milhões dos sócios do consórcio BM-S-11A (Shell, TotalEnergies e Petrogal) até novembro.

A companhia também recebeu novas parcelas do programa federal de subvenção, elevando para R$ 16 bilhões o total já obtido por meio desses programas.

Analistas veem cenários distintos para as duas companhias. Para a Petrobras, ainda há espaço para valorização adicional, mas em ritmo menos intenso.

O principal gatilho de curto prazo será a divulgação dos resultados do terceiro trimestre e do próximo plano estratégico.

O BTG Pactual avalia que a empresa segue gerando caixa de forma robusta, beneficiada pelos preços elevados do petróleo e pelo crescimento da produção.

Por outro lado, parte relevante das notícias positivas já parece refletida nas cotações. Segundo especialistas, uma eventual redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio poderia aliviar os preços do petróleo e limitar novos ganhos das ações.

Em resumo

O que aconteceu?

Duas das maiores empresas da Bolsa brasileira vivem momentos opostos em 2026. Enquanto a Petrobras ( PETR3 , PETR4 ) consolidou-se como um dos principais motores da valorização do Ibovespa, com alta de cerca de 20% em outubro (18% em PETR3 e 16% em PETR4 ) e próxima de 100% no acumulado do ano, a Vale ( VALE3 ) registra queda de cerca de 9% tanto neste mês q

Qual é o ponto principal?

A diferença reflete, sobretudo, os movimentos distintos das commodities às quais as companhias estão expostas. De um lado, o petróleo voltou a subir com força diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio, elevando as projeções de geração de caixa da Petrobras. Do outro, o minério de ferro continua pressionado pela combinação de demanda fraca da China e p

Quais são os dados mais importantes?

Segundo Heitor de Nicola, especialista em renda variável da AVIN, a Petrobras reúne atualmente uma combinação de fatores favoráveis. Além do petróleo mais caro, a estatal apresenta forte geração de caixa, crescimento da produção e fundamentos operacionais sólidos. Já a Vale enfrenta um ambiente mais desafiador, marcado por preços mais baixos do minério e pel

Qual é o contexto?

A mineradora tem ficado à margem do rali eleitoral que impulsionou boa parte das ações brasileiras nas últimas semanas. Para analistas, isso ocorre porque os fatores que mais afetam a Vale são externos e vêm se deteriorando.

Quais são os próximos desdobramentos?

Em relatório recente, o UBS BB alertou que ainda é cedo para apostar no fim da queda das ações . O banco vê um mercado de minério cada vez mais pressionado pelo crescimento da oferta global, especialmente com a entrada de novos volumes do projeto Simandou, na Guiné, ao mesmo tempo em que a demanda por aço permanece fraca. Além disso, a instituição aponta pre

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