Economia · 2026-09-29 · Redação Notícia ES

Petróleo fecha acima de US$ 105 após impasse entre EUA e Irã

Brent avançou com receio de novas restrições no Estreito de Ormuz, enquanto bolsas recuaram diante do risco de inflação persistente.

Petróleo fecha acima de US$ 105 após impasse entre EUA e Irã
Petróleo fecha acima de US$ 105 após impasse entre EUA e Irã

O petróleo Brent encerrou a segunda-feira (28) a US$ 105,28 por barril, em alta de 0,9%, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou uma proposta iraniana para reabrir o Estreito de Ormuz e reduzir as hostilidades.

A CNN Brasil relacionou o movimento ao aumento da tensão geopolítica. MarketWatch e UOL confirmaram o fechamento acima de US$ 105 e registraram a reação negativa das bolsas diante do risco de interrupção do fluxo de energia e de nova pressão inflacionária.

O avanço perdeu força ao longo do pregão. O Brent chegou a superar US$ 107, mas recuou quando surgiram informações sobre contatos indiretos entre Estados Unidos e Irã, com participação de mediadores, para discutir uma versão revisada do entendimento.

O petróleo norte-americano WTI também subiu, fechando a US$ 92,60. A diferença entre a máxima do dia e o preço final mostra que os investidores ainda atribuem valor a uma solução diplomática, embora mantenham proteção contra o risco de novas restrições à oferta.

Ormuz concentra risco global

O Estreito de Ormuz é uma passagem decisiva para embarques de petróleo e derivados do Oriente Médio. Qualquer redução do tráfego eleva custos de transporte, seguros e fretes, mesmo quando a produção física não cai na mesma proporção.

A proposta iraniana previa uma trégua temporária e a reabertura da rota, segundo os relatos publicados. Trump rejeitou os termos iniciais, mas afirmou que conversas poderiam continuar. Essa combinação de recusa e negociação manteve o mercado sem uma direção estável durante o dia.

Exportações maiores de Arábia Saudita e Emirados Árabes ajudaram a limitar a alta. Ainda assim, o volume que atravessa a região permanece vulnerável a ataques, sanções e decisões militares, fatores que o mercado incorpora imediatamente ao preço futuro do barril.

A pressão não fica restrita às empresas de energia. Petróleo mais caro encarece diesel, gasolina, transporte marítimo, aviação, fertilizantes e parte da produção industrial. O efeito pode alcançar alimentos e bens de consumo quando empresas repassam custos à cadeia seguinte.

Mercados recalculam juros

Wall Street terminou em queda, com recuos nos principais índices. Investidores avaliaram que energia persistentemente cara pode dificultar o controle da inflação e levar o Federal Reserve a manter juros elevados por mais tempo do que o esperado.

Títulos do Tesouro norte-americano passaram a oferecer retornos maiores, aumentando a competição com ações. Empresas mais dependentes de crédito ou de crescimento futuro tendem a sofrer quando a taxa de desconto sobe, enquanto companhias de energia podem se beneficiar do barril valorizado.

No Brasil, o Ibovespa caiu 0,26% no dia citado pela CNN. O impacto doméstico depende também do câmbio, da política de preços dos combustíveis e da capacidade de refinarias e importadores absorverem oscilações sem repasse imediato ao consumidor.

As próximas sessões deverão reagir a qualquer avanço diplomático ou nova interrupção no Estreito de Ormuz. Enquanto não houver acordo verificável, o preço seguirá carregando um prêmio de risco que pode mudar rapidamente com declarações políticas, dados de estoque e informações sobre embarques.

Em resumo

Quanto fechou o barril de petróleo Brent?

O Brent fechou a segunda-feira a US$ 105,28 por barril, com alta de 0,9%.

Por que o petróleo subiu?

O mercado reagiu à rejeição de uma proposta iraniana e ao risco de restrições no Estreito de Ormuz.

O preço chegou a subir mais durante o dia?

Sim. O Brent superou US$ 107 antes de reduzir os ganhos com notícias sobre possíveis negociações.

Como a alta afeta a inflação?

Petróleo caro eleva custos de combustíveis, transporte e produção, que podem ser repassados aos consumidores.

O que pode reduzir o preço?

Um acordo verificável, maior oferta e normalização do tráfego em Ormuz poderiam retirar parte do prêmio de risco.

Fontes