PF aponta ao menos 28 mensagens de Vorcaro a telefone atribuído a Moraes na semana da prisão
Relatório policial identifica contatos enviados entre 12 e 17 de novembro de 2025, com pedidos de reunião e questionamentos sobre PF, Banco Central e risco de prisão; respostas do interlocutor não aparecem integralmente no material divulgado.
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A Polícia Federal identificou ao menos 28 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a um telefone atribuído ao ministro Alexandre de Moraes na semana que antecedeu a prisão do empresário, em novembro de 2025. Os registros fazem parte de relatório tornado público após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
As mensagens foram extraídas do celular de Vorcaro e se concentram entre os dias 12 e 17 de novembro. O banqueiro foi preso no dia 17, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. O conteúdo divulgado inclui pedidos de reunião, perguntas sobre movimentações da Polícia Federal e do Banco Central e referências ao risco de prisão.
Contato salvo com nome de Moraes
Segundo o relatório, o número estava associado no aparelho de Vorcaro ao nome “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”. A PF realizou diligências para confirmar a titularidade e cruzar informações técnicas. A atribuição do telefone é um elemento investigativo relevante, mas a análise completa ainda depende de confirmação pericial e do contexto integral das conversas.
Nem todas as mensagens apresentam respostas do interlocutor. Em vários trechos, o material divulgado mostra apenas o que Vorcaro enviou. Por isso, a existência de 28 contatos não permite concluir, isoladamente, que houve atendimento aos pedidos, interferência em investigações ou prática de qualquer ato funcional.
Pedidos na semana da prisão
As mensagens indicam preocupação crescente do empresário com a situação do Master. Vorcaro teria perguntado sobre a Polícia Federal, mencionado o Banco Central e buscado encontros presenciais. A proximidade temporal com sua prisão tornou essa sequência um dos pontos centrais do relatório.
Investigadores tentam reconstruir se houve reuniões, telefonemas ou respostas fora dos aplicativos analisados. Também avaliam registros de localização, agenda e outros documentos apreendidos para verificar se os contatos coincidem com decisões ou acontecimentos relacionados às investigações.
Contratos também entram na apuração
O relatório cruza as mensagens com contratos envolvendo o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes. Um acordo com o Banco Master previa honorários que poderiam superar R$ 100 milhões. Outro documento encontrado pela PF cita valor de R$ 50 milhões e tratativas relacionadas a aeronaves.
O escritório afirma que não houve irregularidade e que parte das propostas não chegou a ser concluída. Também sustenta que Alexandre de Moraes não atuou em processos do banco e que consultas de compliance foram feitas para verificar impedimentos.
Próximas etapas
André Mendonça encaminhou os elementos à Procuradoria-Geral da República e indicou que o plenário do STF deverá analisar os novos fatos. A investigação precisa estabelecer a autenticidade completa das mensagens, a identidade dos interlocutores, eventuais respostas e a relevância jurídica de cada contato.
A divulgação do número de mensagens aumentou a pressão política sobre Moraes, mas o relatório ainda está em fase investigativa. Não há condenação nem acusação definitiva decorrente desses registros. A conclusão dependerá da análise da PF, da PGR e das decisões do Supremo sobre diligências adicionais.