PF abre inquérito sobre vazamento de foto extraída de celular
Apuração busca identificar como uma imagem obtida no telefone do senador Weverton Rocha, em investigação sigilosa, chegou à imprensa.

A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar o vazamento de uma fotografia extraída do celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA). A imagem, divulgada pela imprensa, mostra o parlamentar em uma piscina com outros políticos e havia sido obtida durante uma investigação sob sigilo.
A Jovem Pan informou neste domingo (11) que a apuração foi instaurada após uma representação do senador. O Liberal, em reportagem do Estadão Conteúdo, confirmou a abertura do inquérito, a comunicação ao Supremo Tribunal Federal e a previsão de ouvir o delegado responsável pelo caso original.
O telefone de Weverton Rocha foi apreendido em uma investigação sobre suspeitas de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social. Segundo as fontes consultadas, a fotografia integrava o material extraído do aparelho e apareceu posteriormente em reportagem da revista Piauí.
Inquérito mira origem do vazamento
A nova apuração não discute, neste momento, o conteúdo social da fotografia. O objetivo é identificar como um arquivo de um procedimento sigiloso saiu da cadeia de custódia da investigação e chegou a terceiros. A distinção é importante porque a existência da imagem e a legalidade de sua divulgação são questões diferentes.
Ao instaurar o inquérito, a PF registrou que o documento ainda não havia sido disponibilizado aos advogados. Essa informação orienta a busca por quem teve acesso ao arquivo, em que momento ele foi copiado e por qual meio ocorreu o envio à imprensa.
A abertura foi comunicada ao Supremo porque a apuração envolve um senador, autoridade com foro no tribunal. A comunicação permite o acompanhamento judicial das diligências e preserva a competência da Corte para decidir sobre medidas que dependam de autorização.
Entre as primeiras providências mencionadas está o depoimento do delegado responsável pela investigação em que a fotografia foi apreendida. A oitiva pode esclarecer quais equipes manusearam o material, onde os arquivos ficaram armazenados e quais registros de acesso existem.
Sigilo orienta primeiras diligências
A instauração do inquérito não significa que uma pessoa já tenha sido responsabilizada. A PF terá de reunir elementos técnicos e testemunhais antes de apontar eventual autoria. Também não há, nas informações publicadas até agora, indicação de conclusão sobre a forma exata do vazamento.
A fotografia foi encontrada no aparelho de Weverton após busca e apreensão ligada à investigação sobre fraudes no INSS. A nova frente é autônoma: enquanto o procedimento principal apura suspeitas relacionadas ao instituto, o inquérito aberto agora se concentra na proteção de dados obtidos pela polícia.
O caso envolve ainda o dever de preservar a cadeia de custódia digital. Arquivos extraídos de celulares costumam ser registrados e armazenados com mecanismos que permitem verificar integridade, origem e acessos. Esses controles podem ajudar a reconstruir o caminho percorrido pela imagem.
O senador acionou a PF para que o episódio fosse investigado. Até a publicação das reportagens consultadas, não havia divulgação de indiciamentos nem de prazo para concluir o trabalho. As próximas etapas dependerão dos depoimentos e da análise dos registros técnicos do procedimento sigiloso.
A apuração deverá separar dois pontos: o interesse público de reportagens sobre autoridades e a obrigação estatal de proteger material submetido a sigilo judicial. A resposta sobre eventual crime ou infração funcional só poderá ser dada depois que a PF identificar a origem e a dinâmica do vazamento.
Em resumo
A origem do vazamento de uma fotografia extraída do celular do senador Weverton Rocha em procedimento sigiloso.
Porque o caso envolve um senador e diligências relacionadas a autoridade com foro no Supremo.
O inquérito foi aberto após uma representação apresentada pelo senador Weverton Rocha.
A coleta do depoimento do delegado responsável pela investigação na qual a fotografia foi apreendida.
Não. A abertura do inquérito inicia a coleta de provas e não equivale a indiciamento ou conclusão de autoria.