PF aponta elo empresarial entre Flávio e Willer
Relatório reúne registros bancários, viagens e comunicações que sustentam a suspeita de vínculo econômico; os dois negam relação comercial.

A Polícia Federal reuniu indícios de uma possível relação empresarial entre o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, investigado na Operação Sem Desconto. O relatório veio a público nesta quarta-feira, 21 de outubro, e ainda não representa uma conclusão sobre responsabilidade criminal.
A CBN informou, com base no documento obtido por O Globo, que os investigadores cruzaram acesso bancário, viagens pagas por empresas ligadas ao advogado e registros de convivência. Reportagem do Jornal de Brasília confirmou que a PF pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para apurar a hipótese de sociedade oculta. Flávio e Willer negam vínculo comercial.
Indícios reunidos pela investigação
Um dos pontos centrais é o cadastro de Flávio como “usuário master” de uma conta da Alcazar Holdings, empresa controlada por Tomaz em Portugal. Segundo o material atribuído à PF, esse nível de acesso teria permanecido ativo até maio de 2025 e permitiria operações relevantes na conta.
A presença no cadastro, isoladamente, não prova participação societária. Os investigadores afirmam que o dado ganhou importância quando analisado em conjunto com outros registros empresariais, documentos bancários e a proximidade entre as famílias. A Agência Brasil também registrou a existência da Alcazar e a informação de que o senador aparecia como usuário da conta.
O relatório cita ainda viagens internacionais em aeronaves particulares. Parte dos deslocamentos teria sido custeada por companhias relacionadas a Tomaz. A defesa do advogado sustenta que as viagens ocorreram entre amigos e que os custos não envolveram contrapartida comercial.
Outro elemento é o uso de aplicativo com mensagens temporárias. Para a PF, a ferramenta precisa ser considerada ao reconstruir as comunicações entre os envolvidos. O uso desse tipo de aplicativo, por si só, não caracteriza crime e depende do conjunto de provas reunido no procedimento.
Defesas negam vínculo comercial
A investigação também encontrou mensagens e uma planilha relacionadas ao pagamento de R$ 9 mil para remover ou desindexar 12 links de notícias que associavam Willer a Flávio. O serviço teria sido contratado de uma empresa de gestão de reputação digital depois de uma proposta inicial de R$ 12 mil.
Tomaz afirma que não manteve sociedade com o senador e que a relação entre as famílias é de amizade. Ele também nega irregularidades nas operações examinadas. Flávio diz que não era usuário da conta da Alcazar e classifica como ilação a tentativa de extrair suspeita criminal da relação pessoal.
A cautela é necessária porque o relatório descreve indícios e hipóteses de investigação, não uma condenação. Caberá ao STF decidir sobre as providências pedidas pela PF e garantir acesso das defesas aos elementos que possam ser contestados durante a apuração.
O caso entra na reta final da eleição presidencial com efeito político evidente, mas a régua jurídica continua sendo a mesma para qualquer candidato: acusação precisa ser provada, defesa precisa ser ouvida e documento bancário deve ser examinado dentro do processo, sem transformar suspeita em sentença antecipada.
Em resumo
A PF reuniu indícios de possível vínculo econômico entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz a partir de registros bancários, viagens e comunicações.
Não. O material descreve uma hipótese de investigação e não constitui condenação ou prova definitiva de sociedade.
O cadastro do senador como usuário master de uma conta da Alcazar Holdings, empresa ligada a Willer Tomaz.
Flávio e Willer negam relação comercial, contestam o acesso à conta e afirmam que as famílias mantêm apenas amizade.
O STF deve examinar as providências pedidas pela PF e o caso seguirá sujeito ao contraditório e à análise das provas.