Justiça · 2026-10-02 · Redação Notícia ES

PF apura financiamento do BRB a Flávio Bolsonaro

Polícia Federal analisa as condições de empréstimo de R$ 3,1 milhões usado na compra de imóvel em Brasília; senador afirma que a operação foi legal.

PF apura financiamento do BRB a Flávio Bolsonaro
PF apura financiamento do BRB a Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal passou a investigar as condições de um financiamento de R$ 3,1 milhões concedido pelo Banco de Brasília ao senador Flávio Bolsonaro (PL). O crédito foi usado na compra, em 2021, de um imóvel avaliado em R$ 6 milhões na capital federal.

O g1 informou nesta sexta-feira (2) que a operação entrou em uma frente do inquérito sobre Daniel Vorcaro e as relações entre o Banco Master e o BRB. A apuração também foi confirmada pelo IBTimes Brasil e pelo Correio do Brasil, que detalharam valores, prazos e a quitação antecipada do contrato.

Segundo as informações publicadas, o imóvel fica no Setor de Mansões Dom Bosco e ocupa terreno de aproximadamente 2,4 mil metros quadrados. Flávio financiou R$ 3,1 milhões, depois de pagar uma entrada próxima de R$ 2,87 milhões.

O contrato previa 360 parcelas, equivalentes a 30 anos, e taxa de juros de 3,71% ao ano. A PF analisa se as condições seguiram os critérios regulares do banco e se houve algum tratamento diferenciado na concessão do crédito.

Contrato entrou no inquérito

O financiamento passou a ser examinado a partir de documentos reunidos no inquérito que investiga Vorcaro e operações envolvendo o Banco Master e o BRB. Uma auditoria independente contratada pelo banco de Brasília teria identificado pontos que justificaram o envio de informações aos investigadores.

O relatório da auditoria foi entregue à Polícia Federal em fevereiro. A análise não equivale a uma condenação nem demonstra, por si só, irregularidade cometida pelo senador. O objetivo da investigação é verificar o procedimento de aprovação, a taxa aplicada, a capacidade de pagamento e a origem dos recursos usados para liquidar a dívida.

À época da contratação, o BRB era presidido por Paulo Henrique Costa, posteriormente preso em uma apuração relacionada às operações de Daniel Vorcaro. A ligação temporal levou os investigadores a examinar contratos celebrados durante aquela gestão.

Outro ponto considerado é a quitação antecipada. Embora o prazo fosse de três décadas, o saldo financiado foi pago em cerca de três anos. A PF procura esclarecer a movimentação financeira associada ao encerramento do contrato e compará-la com os dados declarados pelo tomador.

Defesa afirma operação legal

Flávio Bolsonaro afirma que a compra e o financiamento foram legais. Quando a aquisição do imóvel se tornou pública, ele declarou renda mensal de aproximadamente R$ 56 mil e disse possuir capacidade para assumir as parcelas.

O senador também declarou que formou os recursos da entrada com a venda do imóvel em que morava e com rendimentos de sua participação em uma loja de chocolates. Essa versão deverá ser confrontada com documentos bancários e fiscais no curso da apuração.

As reportagens apontam que a taxa contratada ficou abaixo da média de 4,85% praticada pelo BRB em operações comparáveis naquele ano. Essa diferença é um dos elementos submetidos à análise, mas a conclusão depende das características do contrato, das garantias oferecidas e das normas vigentes em 2021.

O inquérito ainda não apresentou uma conclusão pública sobre o financiamento. A apuração deverá indicar se a operação respeitou os padrões do BRB ou se houve favorecimento. Até essa definição, permanece registrada a posição de Flávio Bolsonaro de que a transação foi regular.

Em resumo

O que a Polícia Federal investiga?

A PF apura as condições do financiamento concedido pelo BRB a Flávio Bolsonaro para a compra de um imóvel em Brasília.

Qual foi o valor financiado?

O BRB financiou R$ 3,1 milhões de uma compra avaliada em R$ 6 milhões.

Qual era o prazo do contrato?

O contrato previa 360 parcelas, mas o saldo foi quitado em aproximadamente três anos.

Por que o contrato entrou na apuração?

A operação apareceu na análise das relações entre o BRB, o Banco Master e Daniel Vorcaro.

O que diz Flávio Bolsonaro?

O senador afirma que a compra foi legal e que possuía renda e patrimônio para pagar o financiamento.

Fontes