PF ouve Galípolo como testemunha no Caso Master
Presidente do Banco Central prestou depoimento à Polícia Federal sobre a fiscalização do Banco Master; ele foi chamado como testemunha.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, prestou depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira, 6, como testemunha no inquérito que examina a fiscalização do Banco Master. A condição registrada para a oitiva não o coloca como investigado no procedimento.
O Metrópoles informou que Galípolo já comandava o BC quando a compra do Master pelo Banco de Brasília foi barrada. Reportagens da Folha de S.Paulo e do UOL confirmaram a convocação dele, do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, do diretor Ailton de Aquino e do banqueiro André Esteves para prestar esclarecimentos.
A PF procura reconstruir decisões, reuniões e fluxos de informação relacionados à supervisão do Master. O banco, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado em novembro de 2025, depois de uma sucessão de questionamentos sobre sua situação financeira e sobre negócios propostos para seus ativos.
O depoimento de Galípolo integra uma sequência de oitivas marcada pela investigação. Campos Neto deveria ser ouvido nesta quarta-feira, 7, enquanto a fala de André Esteves, inicialmente prevista para segunda-feira, 5, foi adiada e ainda não tinha nova data divulgada.
Depoimento integra investigação federal
A apuração ganhou novos elementos a partir de relatos de antigos integrantes da área de fiscalização do Banco Central. Segundo as reportagens, a PF busca entender como informações sobre o Master circularam dentro e fora da autoridade monetária e quais providências foram adotadas em cada etapa.
Galípolo assumiu a presidência do Banco Central em janeiro de 2025. A tentativa de aquisição do Master pelo BRB foi analisada durante sua gestão e acabou rejeitada. Essa posição funcional ajuda a explicar por que os investigadores querem registrar sua versão sobre os fatos e sobre a atuação institucional do BC.
A investigação também alcança períodos anteriores. Roberto Campos Neto presidiu o Banco Central de 2019 a 2024 e foi chamado para falar sobre a supervisão feita antes da troca no comando. A presença de dirigentes de gestões diferentes permite à PF comparar decisões e responsabilidades administrativas ao longo do tempo.
O inquérito é relacionado às suspeitas apuradas na Operação Compliance Zero. Entre os pontos examinados estão possíveis fraudes envolvendo o Master e a conduta de ex-servidores da fiscalização. As oitivas de testemunhas servem para esclarecer o ambiente decisório, mas não representam, por si só, acusação contra quem depõe.
Condição de testemunha limita alcance
O enquadramento de Galípolo como testemunha é juridicamente relevante. Ele foi chamado para fornecer informações que possam ajudar a investigação, e não para responder formalmente a uma imputação. Confundir as duas situações produziria uma conclusão que os dados disponíveis não sustentam.
O mesmo cuidado vale para os demais convocados na condição de testemunhas. A PF pode confrontar versões, documentos e cronologias, mas eventual responsabilização depende de elementos específicos e de decisões posteriores das autoridades competentes.
No caso de André Esteves, o adiamento do depoimento também não altera sua situação processual divulgada. O UOL informou que ele seria ouvido como testemunha e que não figura como investigado. A nova data deverá ser definida pela Polícia Federal.
A sequência de depoimentos deve ajudar a delimitar quem tomou decisões sobre a fiscalização, quando surgiram alertas e como o Banco Central reagiu às informações disponíveis. Esse é o núcleo factual da apuração: estabelecer a cronologia institucional antes de atribuir responsabilidade individual.
Até a conclusão do inquérito, a distinção entre testemunha e investigado permanece essencial. O depoimento de Galípolo amplia o conjunto de informações da PF, mas não autoriza tratá-lo como acusado nem antecipar conclusões sobre a atuação do Banco Central.
Em resumo
Ele foi ouvido para esclarecer fatos ligados à fiscalização do Banco Master.
Não segundo as informações divulgadas; ele prestou depoimento como testemunha.
Roberto Campos Neto, Ailton de Aquino e André Esteves também foram convocados como testemunhas.
A PF examina a fiscalização do Master, fluxos de informação e possíveis irregularidades relacionadas ao banco.
Não. A oitiva reúne informações e não equivale a uma acusação ou condenação.