PF pede 90 dias extras para concluir inquérito Dark Horse
Pedido enviado ao STF cita perícias financeiras, dados telemáticos e cooperação internacional ainda pendentes na apuração sobre o financiamento do filme.

A Polícia Federal pediu nesta quinta-feira (15) mais 90 dias para concluir o inquérito que apura o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, depois que o prazo anterior terminou em 10 de outubro.
A solicitação foi noticiada pelo InfoMoney e confirmada por UOL e Metrópoles, que tiveram acesso a informações do procedimento. As reportagens convergem sobre a necessidade de completar perícias financeiras, examinar dados eletrônicos e obter documentos por cooperação jurídica internacional antes do relatório final.
O inquérito foi aberto em julho, após autorização de Mendonça e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. A investigação envolve o senador Flávio Bolsonaro e busca esclarecer a origem, o percurso e o destino de recursos relacionados ao projeto cinematográfico, além da participação de pessoas e empresas citadas nas movimentações.
Perícias seguem em andamento
Entre as diligências pendentes está uma análise contábil e financeira destinada a comparar remessas ao exterior, valores recebidos por empresas ligadas à produção e despesas declaradas com o filme. A PF também aguarda o tratamento de dados obtidos em aparelhos e comunicações, segundo as apurações jornalísticas.
Outra frente depende de cooperação internacional para acessar registros de um fundo sediado nos Estados Unidos e de uma empresa vinculada à produção. O procedimento é necessário porque parte da documentação financeira está fora do país e precisa ser obtida por canais formais para ter validade no inquérito.
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, aparece na investigação por causa de aportes que a PF atribui ao financiamento do filme. As autoridades apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa. Essas hipóteses ainda estão em investigação e não representam condenação dos envolvidos.
As fontes relatam que mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro integram o material examinado. O senador sustenta que apenas buscou investimento privado para uma obra cultural sobre o pai e nega ter oferecido contrapartidas pelos recursos. Sua defesa também solicitou acesso integral aos autos.
Relator decidirá sobre prazo
Cabe a André Mendonça avaliar se concede a prorrogação. Embora ele seja o relator, o processo estava temporariamente no gabinete do presidente do STF, Edson Fachin, quando a solicitação foi apresentada. Até a publicação desta reportagem, não havia decisão divulgada sobre os 90 dias adicionais.
A extensão não antecipa o resultado da apuração nem implica denúncia. Se for autorizada, permitirá que a PF conclua as diligências e apresente um relatório ao Supremo. Depois disso, o material poderá ser submetido à PGR, responsável por decidir se pede novas medidas, promove arquivamento ou apresenta acusação formal.
O ponto central do pedido é probatório: os investigadores afirmam que ainda não reuniram todos os elementos necessários para fechar o caminho dos recursos. A decisão do relator definirá apenas o tempo disponível para essa etapa, preservando o direito de defesa e a presunção de inocência de todos os citados.
Em resumo
A PF solicitou ao STF mais 90 dias para concluir o inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse.
O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, deverá analisar o pedido.
Ainda faltam perícias financeiras, análise de dados eletrônicos e documentos obtidos por cooperação internacional.
Não. Trata-se de uma solicitação de prazo em uma investigação ainda em andamento.
Ele afirma que buscou investimento privado para o filme, nega contrapartidas e pediu acesso integral aos autos.