Justiça · 2026-10-18 · Redação Notícia ES

PF pede inquérito ao STF sobre Flávio e advogado

Pedido cita suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz; abertura formal ainda depende de decisão de Alexandre de Moraes.

PF pede inquérito ao STF sobre Flávio e advogado
PF pede inquérito ao STF sobre Flávio e advogado

A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal um pedido de abertura de inquérito sobre o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz. A apuração proposta envolve suspeita de lavagem de dinheiro e ainda não foi formalmente autorizada pela Corte.

A Folha de S.Paulo informou neste domingo (18) que o ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator. Caberá a ele decidir se há elementos para instaurar o inquérito e, depois, analisar medidas que dependam de autorização judicial, como quebras de sigilo ou buscas.

O pedido não equivale a denúncia, processo ou condenação. Nesta etapa, a PF apresenta fatos que considera merecedores de investigação, enquanto os citados mantêm o direito de conhecer os autos, contestar as suspeitas e oferecer explicações.

Pedido ainda aguarda decisão

Segundo a reportagem, uma das linhas de apuração trata de viagens internacionais realizadas em 2025. Uma empresa ligada a Willer teria intermediado o pagamento de voos de Flávio e de familiares entre Portugal e França. O vínculo financeiro e a finalidade dos pagamentos estão entre os pontos que a polícia pretende esclarecer.

A Folha também relata que investigadores identificaram Flávio como usuário com acesso relevante a uma conta bancária de uma empresa offshore da qual Willer é sócio. A existência de acesso, isoladamente, não prova movimentação irregular; a investigação busca determinar como a conta era usada e quem autorizava as operações.

Reportagem do UOL acrescenta que a PF examina cerca de R$ 1,4 bilhão em transações envolvendo Willer e uma plataforma de apostas. O advogado nega ser sócio oculto da empresa citada e afirma que as movimentações correspondem a apostas feitas com recursos próprios.

Apuração exige mesma régua

O caso chega ao STF a uma semana do segundo turno presidencial. A proximidade da eleição não impede a atuação policial, mas aumenta a obrigação de transparência: decisões, provas e respostas das defesas precisam ser apresentadas sem transformar suspeitas em culpa antecipada ou omitir fatos de interesse público.

A campanha de Flávio foi procurada pela Folha e não havia respondido até a publicação da reportagem. Em episódios anteriores, o senador afirmou que mantém amizade com Willer e negou irregularidades nas viagens realizadas com o advogado.

Também é necessário separar este pedido de outro inquérito que apura o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. Embora existam personagens e suspeitas financeiras que aparecem nas duas frentes, cada procedimento tem relatoria, documentos e objeto próprios.

A próxima decisão concreta será do relator: autorizar ou não a abertura formal do inquérito. Até lá, a formulação correta é que existe um pedido da Polícia Federal baseado em suspeitas. Se a investigação for instaurada, o conteúdo das provas e as manifestações das defesas deverão orientar a cobertura, com a mesma cobrança aplicada a candidatos de qualquer campo político.

Em resumo

O que a Polícia Federal pediu?

A PF pediu ao STF a abertura de um inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.

O inquérito já foi aberto?

Não. A abertura formal ainda depende de decisão do relator, ministro Alexandre de Moraes.

Quais fatos estão sob análise?

A apuração menciona pagamentos de viagens internacionais e o acesso a uma conta de empresa offshore ligada ao advogado.

O pedido significa culpa?

Não. Pedido de inquérito é uma etapa preliminar e não equivale a denúncia, processo ou condenação.

O que acontece agora?

O relator avaliará se autoriza a investigação e quais medidas poderão ser adotadas com controle judicial.

Fontes