PF pede mais prazo no inquérito do filme Dark Horse
Polícia Federal solicita ao STF outros 90 dias para concluir diligências sobre recursos destinados ao longa-metragem; pedido ainda aguarda análise.

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal mais 90 dias para investigar o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. A solicitação foi apresentada após o encerramento, em 10 de outubro, do prazo anterior para as diligências.
A Revista Oeste informou o novo pedido, enquanto CNN Brasil e UOL confirmaram a prorrogação solicitada e os pontos centrais da investigação. O caso tem como relator o ministro André Mendonça, mas foi encaminhado temporariamente ao presidente do STF, Edson Fachin.
O inquérito foi aberto em julho com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. A apuração examina mensagens, áudios, documentos bancários e a destinação de valores ligados ao empresário Daniel Vorcaro, sem que exista até agora uma conclusão judicial sobre as suspeitas.
Segundo as reportagens, a PF quer esclarecer o papel atribuído ao senador Flávio Bolsonaro na captação e no acompanhamento de pagamentos relacionados à produção. A referência consta do material investigativo e deve ser tratada como hipótese em apuração, não como comprovação de crime.
Perícias ainda estão pendentes
O pedido menciona a necessidade de terminar análises periciais e confrontar versões reunidas desde a abertura do procedimento. A extensão de prazo, se autorizada, permitirá que os investigadores revisem os documentos e avaliem a consistência das comunicações anexadas aos autos.
As informações publicadas apontam que Vorcaro teria se comprometido com cerca de US$ 24 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação indicada pelas reportagens. Entre fevereiro e setembro de 2025, teriam sido transferidos cerca de US$ 12,3 milhões, ou R$ 62 milhões.
Os repasses teriam passado pela Entre Investimentos e por um fundo chamado Havengate. A simples circulação de recursos por essas estruturas não define, por si só, irregularidade; a investigação busca verificar origem, finalidade, documentação e eventual divergência entre contratos e pagamentos.
O ex-presidente da Embratur Marcelo Freixo prestou depoimento como testemunha por ter mantido relação profissional com Vorcaro. De acordo com os relatos publicados, ele disse ter tomado conhecimento pela imprensa de que os recursos seriam destinados ao filme e afirmou ter pedido o encerramento do acordo.
Defesas contestam suspeitas
A PF informou que documentos registram sete remessas, mas vê pontos ainda não esclarecidos entre valores, datas e justificativas. É justamente esse tipo de diferença que a prorrogação pretende submeter a perícias e novos cruzamentos antes de qualquer relatório conclusivo.
A defesa de Flávio Bolsonaro afirmou não ter acesso integral aos documentos e, por isso, não poder se manifestar sobre todo o conteúdo. A GO UP, produtora envolvida no projeto, declarou que uma auditoria forense demonstrará a legalidade das operações e classificou o caso como politizado.
O STF ainda precisa decidir se concede os 90 dias adicionais. Autorizar mais tempo não significa validar as suspeitas nem antecipar responsabilidade; representa apenas permitir a continuidade das diligências indicadas pela autoridade policial.
Enquanto a análise permanece aberta, a leitura responsável separa três planos: os fatos documentados, as versões das partes e as inferências da investigação. Só o exame completo das provas poderá estabelecer se houve irregularidade no financiamento e se alguém deve responder por ela.
Em resumo
A PF solicitou ao STF mais 90 dias para concluir diligências sobre o financiamento do filme Dark Horse.
O relator é o ministro André Mendonça, embora o pedido tenha sido encaminhado temporariamente ao presidente Edson Fachin.
Não. O Supremo ainda precisa analisar a solicitação apresentada pela Polícia Federal.
As reportagens citam compromisso de cerca de US$ 24 milhões e remessas aproximadas de US$ 12,3 milhões.
Não. O inquérito continua aberto, as defesas contestam as suspeitas e não existe decisão judicial conclusiva.