PF prende deputado eleito em operação sobre lavagem de dinheiro
Márcio Canella e o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amin foram presos na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma rede de postos no Rio.

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual eleito Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Marcus Amin. As prisões fazem parte da oitava fase da Operação Unha e Carne.
A CBN noticiou a prisão de Canella e relembrou uma detenção anterior ocorrida em julho. UOL e InfoMoney confirmaram a nova operação e detalharam o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 16 ordens de busca em sete municípios fluminenses.
Segundo a PF, a investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de usar postos de combustíveis para lavagem de dinheiro e de contar com apoio de agentes públicos. Os investigados ainda não foram condenados pelos fatos apurados nesta fase.
Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio em 2026, com 197.178 votos. A prisão ocorre antes de sua posse e amplia o alcance político de uma investigação que já atingia empresários, operadores financeiros e servidores públicos.
Operação mira rede de postos
A PF afirma que relatórios financeiros indicaram movimentação de cerca de R$ 7,6 bilhões em seis anos pelo grupo investigado. O volume é um dado de inteligência financeira citado pela apuração e não representa, por si só, valor definitivamente comprovado como ilícito.
As medidas desta quinta alcançaram 112 empresas e 96 postos de combustíveis, segundo informações divulgadas sobre a operação. A Justiça determinou suspensões de atividades e outras restrições enquanto os investigadores analisam a origem e o destino dos recursos.
Os crimes sob apuração incluem organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção, violação de sigilo funcional, venda irregular de combustíveis e formação de cartel. A responsabilização individual dependerá das provas reunidas e do andamento do processo.
A oitava fase recebeu o nome de "Unha e Carne" por causa da suspeita de proximidade entre interesses privados e estruturas públicas. A hipótese dos investigadores é que informações e facilidades institucionais tenham protegido negócios do grupo.
Investigação alcança agentes públicos
Quatro inspetores da Polícia Civil também foram presos. Para a PF, a participação de agentes públicos teria ajudado a organização a antecipar fiscalizações, obter informações reservadas ou reduzir obstáculos às atividades investigadas.
Marcus Amin, que comandou a Polícia Civil fluminense, está entre os alvos presos. A inclusão de um ex-dirigente da corporação reforça a linha de investigação sobre possível infiltração em órgãos de segurança, mas não permite tratar a suspeita como culpa estabelecida.
A defesa de Canella informou ao UOL que ainda não tinha acesso integral aos autos no momento da publicação e que se manifestaria depois de conhecer as acusações. O espaço para contraditório e ampla defesa permanece obrigatório durante a análise das medidas e do mérito.
A menção à prisão anterior de julho deve ser separada desta operação. Naquele episódio, Canella foi detido após a localização de um fuzil em imóvel associado a ele, e a prisão preventiva acabou revogada. A nova ordem decorre da investigação sobre lavagem e rede de postos.
Com buscas, prisões e bloqueios, a PF tenta preservar documentos, dados e valores que possam esclarecer a estrutura financeira do grupo. Os próximos atos judiciais deverão examinar a necessidade de manter as preventivas e delimitar a conduta atribuída a cada investigado.
Em resumo
Entre os presos estão o deputado estadual eleito Márcio Canella, o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amin e quatro inspetores.
A PF apura uma organização suspeita de lavar dinheiro por meio de postos de combustíveis e de receber apoio de agentes públicos.
Foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e 16 ordens de busca em sete municípios do Rio de Janeiro.
Relatórios citados pela investigação apontaram cerca de R$ 7,6 bilhões movimentados em seis anos.
Não. As prisões são cautelares, e a culpa dependerá da produção de provas e da decisão judicial no processo.