PL lança Rogério Marinho e rejeita apoio a Alcolumbre
Valdemar Costa Neto afirmou que o partido terá candidatura própria à presidência do Senado em 2027 e indicou Rogério Marinho para a disputa.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (5) que o partido não apoiará uma tentativa de reeleição de Davi Alcolumbre à presidência do Senado em 2027. A legenda pretende lançar o senador Rogério Marinho, do Rio Grande do Norte, ao comando da Casa.
A declaração foi dada por Valdemar à CNN Brasil. O BNews também registrou a escolha de Marinho e a recusa do PL em apoiar Alcolumbre, que preside o Senado no biênio iniciado em 2025 e precisaria vencer uma nova votação interna para permanecer no cargo.
O anúncio transforma o resultado eleitoral do PL em uma decisão concreta sobre a organização do Senado. A sigla elegeu 19 senadores no primeiro turno de domingo (4) e, somados os nove mandatos ainda em curso, chegará a 28 das 81 cadeiras em fevereiro de 2027.
PL antecipa disputa interna
Rogério Marinho é líder da oposição no Senado e já disputou a presidência da Casa em 2023, quando foi derrotado por Rodrigo Pacheco. Agora, recebe o respaldo público da direção partidária com meses de antecedência, numa tentativa de consolidar votos antes que outras bancadas definam suas candidaturas.
A presidência do Senado tem influência direta sobre a agenda legislativa. Cabe ao ocupante do cargo conduzir as sessões, organizar a pauta do plenário e participar da definição dos espaços na Mesa Diretora, além de exercer simultaneamente a presidência do Congresso Nacional.
Alcolumbre, senador pelo Amapá, voltou ao comando da Casa em fevereiro de 2025. A manifestação de Valdemar não impede que ele busque outro mandato na presidência, mas deixa claro que a maior bancada projetada para a próxima legislatura pretende apresentar uma alternativa própria.
A escolha ocorre antes da posse dos senadores eleitos e poderá ser revista ou ajustada conforme as negociações avancem. Até a votação da Mesa Diretora, partidos podem formar blocos, trocar apoios e vincular a presidência a acordos sobre comissões e outros cargos de direção.
Maioria exige novas alianças
As 28 cadeiras projetadas dão ao PL peso decisivo, mas não garantem a vitória de Marinho. Em uma Casa com 81 integrantes, a eleição depende de maioria absoluta, equivalente a 41 votos, o que obriga o partido a buscar pelo menos 13 apoios fora de sua própria bancada se todos os seus senadores votarem unidos.
MDB, PP, Republicanos, PSD e União Brasil estarão entre os principais interlocutores. Essas legendas reúnem bancadas capazes de inclinar a disputa e costumam negociar espaço na Mesa, presidências de comissões e participação na condução de projetos prioritários.
Para Alcolumbre, a antecipação do adversário oferece tempo para medir a fidelidade de aliados e recompor uma maioria. Para o PL, lançar um nome cedo permite transformar o crescimento eleitoral em capacidade de articulação, mas também expõe eventuais divergências internas durante a montagem da nova legislatura.
A declaração de Valdemar abre a disputa, mas não a encerra. O resultado dependerá da composição dos blocos, dos compromissos assumidos por cada candidato e do comportamento individual dos senadores na votação que escolherá a direção da Casa em fevereiro de 2027.
Em resumo
A direção partidária indicou o senador Rogério Marinho para a eleição de 2027.
Valdemar Costa Neto afirmou que a legenda não apoiará uma nova candidatura de Alcolumbre.
A projeção é de 28 cadeiras, considerando os 19 eleitos e os nove mandatos em curso.
Não. O partido precisará conquistar votos de outras legendas para alcançar 41 apoios.
A nova Mesa Diretora será escolhida após a posse da legislatura, em fevereiro de 2027.