PL mantém pressão por impeachment de Moraes e Dino
Legenda projeta ofensiva no Senado a partir de 2027, mas o afastamento de ministros do STF depende de rito formal e quórum qualificado.

Dirigentes do PL pretendem manter em 2027 a pressão política pela abertura de processos de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A posição ganhou força nesta terça-feira, 6 de outubro, depois de o partido ampliar sua bancada no Senado e avaliar que terá mais espaço para pautar o tema.
A informação foi publicada pela CNN Brasil, que atribuiu a integrantes da legenda a rejeição de um entendimento político com a ala do Supremo vista como próxima ao governo Lula. Segundo o relato, Moraes é tratado como alvo prioritário, enquanto a posição sobre Dino dependeria da atuação do ministro depois do segundo turno presidencial.
Partido sustenta ofensiva no Senado
O movimento ocorre em meio a sinais divergentes dentro do próprio campo político. A reportagem da CNN descreve uma ala favorável a pressionar diretamente pelos afastamentos. Já o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ao UOL que o partido precisa agir com equilíbrio e que não pode “pôr fogo no país”, embora candidatos da sigla tenham feito campanha defendendo o impeachment de Moraes.
O novo desenho do Senado alimenta a estratégia. Levantamento da Folha de S.Paulo apontou ao menos 49 senadores, atuais ou eleitos para a legislatura que começa em 2027, dispostos a apoiar o afastamento de ministros do STF, ainda que alguns imponham condições. Esse total fica cinco votos abaixo dos 54 necessários para atingir dois terços das 81 cadeiras.
A conta política, porém, não equivale à existência de um processo aberto nem assegura seu resultado. Um pedido precisa ser apresentado, examinado e admitido no Senado antes da fase de julgamento. A responsabilidade pela condução inicial cabe à Presidência da Casa, e a decisão final depende de votação nominal.
Nota explicativa do Senado Federal registra que denúncias contra ministros do Supremo tratam de crimes de responsabilidade definidos em lei. A tramitação exige fundamentação própria; discordância com decisões judiciais ou oposição partidária, por si só, não produz automaticamente a perda do cargo.
Disputa depende da nova maioria
O PL elegeu 18 senadores em 2026 e chegará a 28 das 81 cadeiras na composição de 2027, segundo os balanços publicados após o primeiro turno. A maior bancada permite ao partido organizar requerimentos, negociar com outras legendas e ocupar mais espaço no debate, mas ainda exige apoio externo para alcançar o quórum qualificado.
No caso de Moraes, a legenda associa a ofensiva à condução de processos envolvendo Jair Bolsonaro e aliados. Sobre Dino, a reportagem da CNN afirma que dirigentes observam decisões relacionadas a emendas parlamentares e a eventuais investigações eleitorais. Essas avaliações são posições políticas atribuídas ao partido, não conclusões jurídicas contra os ministros.
O cenário também se cruza com a campanha presidencial. Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno e disputa a segunda etapa contra Lula, enquanto aliados discutem anistia para condenados pelos atos de 8 de janeiro e revisão de medidas impostas ao ex-presidente. Qualquer negociação, contudo, permanece separada do rito constitucional de impeachment.
Até o momento, não há decisão do Senado que abra os processos anunciados pelo PL contra Moraes ou Dino. O fato concreto é a intenção declarada de ampliar a pressão a partir de 2027. A transformação dessa promessa em procedimento formal dependerá da apresentação de uma denúncia, da condução da Presidência do Senado e da formação de uma maioria de dois terços.
Em resumo
A legenda pretende manter em 2027 a pressão pela abertura de processos de impeachment contra Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
O afastamento de um ministro do STF depende do apoio de dois terços do Senado, equivalentes a 54 votos.
Levantamento da Folha apontou ao menos 49 senadores favoráveis ao impeachment de ministros do Supremo, alguns com ressalvas.
Não há decisão do Senado que tenha aberto os processos anunciados pelo PL contra Moraes ou Dino.
A Presidência do Senado faz a análise inicial, e eventual condenação depende de votação nominal com quórum qualificado.