Política Nacional · 2026-09-03 · Redação Notícia ES

Planalto e ministros do STF articulam blindar Moraes e tirar Mendonça do Caso Master, diz Traumann

Colunista da GloboNews afirma que conversas entre o Palácio e a Corte apontam maioria contra qualquer afastamento de Alexandre de Moraes e a favor de levar ao plenário a retirada de André Mendonça da relatoria do Banco Master.

Planalto e ministros do STF articulam blindar Moraes e tirar Mendonça do Caso Master, diz Traumann
Planalto e ministros do STF articulam blindar Moraes e tirar Mendonça do Caso Master, diz Traumann

Thomas Traumann afirmou nesta quinta-feira (3), no Estúdio i da GloboNews, que conversas entre o Palácio do Planalto e ministros do Supremo indicam maioria contra qualquer afastamento de Alexandre de Moraes e a favor de levar ao plenário a retirada de André Mendonça da relatoria do Caso Master.

O próprio jornal estampou o recado no rodapé da tela: o Planalto vê chance de um novo relator. A percepção, segundo Traumann, é que o plenário poderia tirar Mendonça do inquérito. O trecho circulou em vídeo e foi reproduzido pelo perfil oficial da GloboNews.

O fato é simples. Mendonça tirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que identifica Alexandre de Moraes como destinatário de mensagens de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A perícia apontou dezenas de interações, pedido de intervenção junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral Paulo Gonet, e contato dois dias antes da primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025.

Há ainda o contrato do escritório da mulher de Moraes com o Master: valores na casa das dezenas de milhões, sem cláusula de rescisão, citados em documentos e em debate no Senado.

A resposta do sistema não foi abrir a apuração sobre o ministro citado. Foi inverter o alvo.

A grande imprensa já escolheu o verbo

A Folha, no dia 2, foi direta: “Especialistas veem irregularidades em atuação de Mendonça”. Outra linha da casa: a PF teria visto “excesso” na ordem do relator. O UOL registrou que Moraes aceita o embate no plenário e “vê maioria para anular atos de Mendonça”.

O Globo, casa de Traumann, trata o episódio como crise institucional e, ao mesmo tempo, dá palco à tese de que o problema maior seria o método de Mendonça, não o conteúdo das mensagens. A PGR de Paulo Gonet, citado no próprio relatório, já sustentou a nulidade dos atos do relator. Em linguagem clara: quem pediu para identificar o interlocutor de Vorcaro é que estaria fora da linha. Quem aparece nas mensagens pedindo para “reverter” investigação fica protegido pela tese do rito.

Repare no verbo. Mendonça “extrapola”, “atua de forma ilegal”, “monta delegacia no gabinete”, “lembra Moro”. Moraes “é citado”, “figura em conversas”, “vê maioria”. Um lado recebe processo. O outro recebe atenuante.

O caso espelho está no próprio Supremo

Em fevereiro, quando o relatório da PF mencionou Dias Toffoli, a Corte fez reunião fechada, emitiu nota de apoio pessoal e tirou Toffoli da relatoria sem reconhecer suspeição. O caso foi para Mendonça por sorteio. Naquele momento, a solução institucional foi afastar o relator contaminado e seguir.

Agora o relatório aponta Moraes. A conversa de bastidor, segundo Traumann, não é afastar o ministro citado. É afastar o relator que expôs o ministro citado.

A régua virou. Em fevereiro, o problema era o relator que aparecia nas mensagens. Em setembro, o problema é o relator que mandou identificar as mensagens.

Se a cor partidária fosse outra, a Folha perguntaria por que o Planalto conversa com ministros para trocar o juiz do processo. Perguntaria por que a maioria contra o afastamento de Moraes aparece antes de qualquer sessão pública. Perguntaria se “levar ao plenário a retirada de Mendonça” é julgamento ou operação de contenção.

Não perguntou.

Quem ganha com a troca do relator

O interesse é documentável. Moraes virou personagem central da eleição depois que Mendonça soltou o relatório. Traumann escreveu isso no dia 1º, no próprio Globo: faltando pouco mais de um mês para a escolha de 54 senadores, o caso empurra o Supremo para o centro da campanha.

O Planalto não precisa de Moraes afastado. Precisa de Moraes no cargo, com maioria interna e sem um relator disposto a pautar plenário presencial e televisionado. Tirar Mendonça da relatoria do Master, no meio da apuração que já chegou ao gabinete, à mulher do ministro, à PGR e à cúpula da PF, é o caminho mais curto para o processo virar pizza.

Há antecedente recente de articulação política contra Mendonça. Em agosto circulou o relato de jantar com Lula, Moraes e Davi Alcolumbre para discutir o enfraquecimento do relator dos casos Master e INSS. Traumann agora descreve o passo seguinte: maioria contra o afastamento de Moraes e maioria a favor de discutir a queda de Mendonça.

Não é voto publicado. É recado de bastidor, dito na TV da Globo, no mesmo dia em que Fachin ainda diz que vai decidir no tempo devido e sem precipitação.

A regra que deveria valer para os dois

Se Toffoli saiu da relatoria porque o nome dele apareceu no celular de Vorcaro, Moraes não pode permanecer intocável quando o mesmo método aponta para ele. Se o plenário é o foro certo para julgar ministro, o plenário não pode ser usado só para cassar o relator que recusou o acerto a portas fechadas.

A pergunta é uma só, e vale para os dois lados. Relatório da PF com pedido de intervenção em investigação, contrato milionário na família do ministro e articulação do Planalto para trocar o relator: isso se investiga no aberto ou se resolve na conversa de gabinete?

Enquanto a Folha discute o “excesso” de Mendonça e o Planalto testa a troca do juiz, o conteúdo das mensagens segue sem dono. Essa é a assimetria. Não precisa de teoria. Basta ler o verbo de cada manchete e o alvo de cada articulação.

Em resumo

O que aconteceu?

Thomas Traumann disse na GloboNews que conversas entre o Palácio do Planalto e ministros do STF indicam maioria contra qualquer afastamento de Alexandre de Moraes e a favor de levar ao plenário a retirada de André Mendonça da relatoria do Caso Master.

Quem está envolvido?

Alexandre de Moraes, André Mendonça, Palácio do Planalto, Edson Fachin, Paulo Gonet, Andrei Rodrigues, Daniel Vorcaro e o colunista Thomas Traumann aparecem no contexto da disputa sobre a condução do Caso Master.

Onde aconteceu?

A articulação descrita envolve Brasília, o STF e o Palácio do Planalto, enquanto a declaração de Traumann foi feita no Estúdio i da GloboNews.

Quando aconteceu?

A declaração de Traumann foi feita em 3 de setembro de 2026. O debate ocorre após a retirada de sigilo do relatório da PF e as primeiras reações no plenário do STF.

Por que isso importa?

Porque o relato de bastidor aponta uma possível mudança de foco: em vez de discutir apenas o conteúdo das mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro, passa-se também a discutir a permanência de Mendonça na relatoria, em plena reta final eleitoral.

O que acontece agora?

Cabe ao STF definir se haverá discussão em plenário sobre os atos de Mendonça e a condução do Caso Master. A existência de maioria mencionada por interlocutores ainda não equivale a voto formal ou placar oficial.

Fontes