Planos econômicos opõem gasto público e cortes
Programas presidenciais divergem sobre despesas, impostos, privatizações e política trabalhista, embora reconheçam a pressão fiscal.

Os principais candidatos à Presidência chegaram à votação deste domingo, 4 de outubro, com propostas diferentes para enfrentar dívida elevada, juros altos, baixo espaço orçamentário e pressão sobre a renda. As divergências envolvem o tamanho do Estado, impostos, privatizações e regras do trabalho.
O g1 comparou os programas econômicos de Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema. A leitura foi confrontada com os planos registrados na Justiça Eleitoral e com levantamentos do UOL e da Folha sobre medidas fiscais e tributárias.
Há um ponto de aproximação: os concorrentes reconhecem que o próximo governo precisará estabilizar as contas públicas. As diferenças aparecem na velocidade do ajuste, no peso atribuído ao investimento estatal e na disposição para cortar despesas ou elevar a participação do setor privado.
Estado e investimento dividem programas
Lula propõe manter o atual arcabouço fiscal com ajustes, ampliar investimentos em infraestrutura e reindustrialização e preservar o aumento real do salário mínimo. Seu programa também defende tributação mais progressiva sobre rendas altas e redução da jornada semanal para 40 horas sem corte de salário.
Flávio Bolsonaro apresenta uma direção mais orientada à contenção do Estado. O plano prevê nova regra fiscal, busca de superávits primários, limites para despesas discricionárias, redução de ministérios e retomada de privatizações. Na área tributária, propõe rever pontos da reforma em implantação e reduzir a alíquota do imposto sobre consumo.
Romeu Zema defende privatizar empresas estatais e ampliar parcerias público-privadas, enquanto Ronaldo Caiado associa expansão do crédito e concessões à estabilidade fiscal. Augusto Cury também apresenta metas sociais e econômicas, mas, assim como outros concorrentes, deixa parte do custo e do cronograma para definições posteriores.
A reforma tributária expõe outra diferença. Lula, Caiado, Cury e Zema defendem preservar a transição com ajustes, segundo levantamento publicado pela Folha. Flávio admite mudanças mais amplas e a possibilidade de rever o calendário, embora alterações estruturais dependam de negociação no Congresso.
Promessas dependem de espaço fiscal
O debate não termina na lista de projetos. Medidas como redução de jornada, novos subsídios, cortes tributários, privatizações ou ampliação de obras produzem efeitos distintos sobre arrecadação, despesas e investimento. Sem valores e prazos completos, o eleitor consegue identificar a direção de cada programa, mas não calcular todo o impacto.
A dívida bruta alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto em agosto, segundo dado citado pela Folha. Esse patamar aumenta a pressão por medidas capazes de reduzir déficits e controlar o crescimento do endividamento, especialmente enquanto os juros permanecem altos.
O Orçamento também contém despesas obrigatórias que limitam a margem do presidente. Qualquer mudança relevante em impostos, benefícios, jornada de trabalho ou regras fiscais exigirá votação no Congresso, além de regulamentação e compatibilidade com a arrecadação efetiva.
Os programas oferecem escolhas reconhecíveis: maior presença estatal e políticas de renda de um lado; redução de estruturas, privatizações e regras fiscais mais rígidas de outro. A viabilidade será medida pela capacidade de transformar promessas em projetos financiáveis e reunir maioria política para aprová-los.
Em resumo
Eles diferem no tamanho do Estado, nos cortes de despesas, nas privatizações e na política tributária.
O programa combina o atual arcabouço fiscal com investimentos, reindustrialização e políticas de renda.
O plano prevê regra fiscal mais rígida, redução da máquina pública, revisão tributária e privatizações.
Os principais concorrentes reconhecem a necessidade de controlar a dívida, mas divergem sobre o método.
Não. Muitas medidas dependem do Congresso, de regulamentação e de espaço no Orçamento.