Planos para educação no ES dividem candidatos sobre escola militar e universidade estadual
Programas registrados na Justiça Eleitoral convergem na expansão do ensino integral, mas divergem sobre escolas cívico-militares, universidade estadual, creches e aprovação automática.

Os cinco candidatos ao governo do Espírito Santo apresentaram propostas para ampliar o ensino em tempo integral, melhorar a infraestrutura e aproximar a escola da formação profissional, mas os programas divergem em temas como escolas cívico-militares, criação de uma universidade estadual, limite de alunos por turma e aprovação automática. A comparação, publicada por A Gazeta a partir dos planos entregues ao Tribunal Superior Eleitoral, reúne compromissos de Breno Barcelos, Helder Salomão, Lorenzo Pazolini, Rafael Demuner e Ricardo Ferraço para o mandato de 2027 a 2030.
As propostas são compromissos eleitorais, não políticas já contratadas. Os documentos indicam prioridades, mas não substituem orçamento, cronograma, projeto de lei ou análise de impacto. Parte das medidas também depende de cooperação com municípios, responsáveis por creches e pela maior parte do ensino fundamental, ou com o governo federal, que mantém institutos e universidades. Por isso, a comparação mostra diferenças de direção política, sem permitir concluir quanto cada promessa custará ou em que prazo poderá ser cumprida.
Universidade estadual e escolas cívico-militares separam os programas
Breno Barcelos, do Missão, lista 20 propostas para a educação. Entre elas estão a criação de uma universidade estadual, a integração do ensino médio com cursos técnicos ajustados às vocações econômicas de cada região e uma força-tarefa para localizar estudantes com defasagem em português e matemática. O plano também defende ampliar escolas cívico-militares, aumentar de um terço para metade da jornada docente o tempo reservado ao planejamento e encerrar a aprovação automática.
Rafael Demuner, da Unidade Popular, segue direção oposta no modelo de gestão escolar. Seu programa prevê o fim das escolas cívico-militares, limita turmas a 25 estudantes e propõe atendimento integral e noturno para filhos de trabalhadores e estudantes. O candidato também inclui concurso para professores, equipes com psicólogos e assistentes sociais, eliminação da fila por vagas em creches e criação de uma Universidade Estadual do Espírito Santo.
A presença da universidade estadual em dois planos abre uma discussão que vai além da abertura de vagas. Uma nova instituição exigiria definição de cursos, campi, quadro de servidores, fonte permanente de financiamento e relação com a Universidade Federal do Espírito Santo e o Instituto Federal do Espírito Santo. Os programas registram a intenção política, mas a execução dependeria de proposta detalhada e aprovação orçamentária.
Tempo integral, creches e formação técnica aparecem como convergências
Helder Salomão, do PT, apresenta 23 medidas. O documento propõe expandir o ensino integral, construir e adaptar escolas, garantir tempo remunerado de planejamento aos professores e cumprir de forma atualizada o piso salarial nacional. Na formação profissional, o candidato pretende articular com a União novos polos do Ifes. O plano também cita permanência estudantil, inclusão digital e reforço às escolas do campo, quilombolas e famílias agrícolas.
Lorenzo Pazolini, do Republicanos, reúne 32 objetivos. A proposta prioriza a ampliação da educação integral em áreas vulneráveis, um programa permanente de modernização das unidades e apoio técnico e financeiro aos municípios para criar vagas em creches e pré-escolas. Para o ensino médio, o plano prevê combinar formação técnica, tecnologia e atividades econômicas regionais. Também inclui internet de alta velocidade em todas as escolas e uma rede estadual de prevenção de violências contra estudantes.
Ricardo Ferraço, do MDB, apresenta 39 propostas e defende universalizar matrículas em tempo integral, ampliar a rede física e instalar micro-usinas solares em unidades de ensino. O programa prevê modernizar quatro Centros Estaduais de Educação Técnica com laboratórios de inteligência artificial, robótica e manufatura aditiva, além de criar espaços de fabricação digital e robótica em 110 escolas. Ferraço também propõe manter políticas de formação profissional e fortalecer o Pacto pela Aprendizagem no Espírito Santo.
O que falta esclarecer antes do voto
Os programas permitem identificar prioridades, mas deixam perguntas práticas. A expansão do tempo integral exige professores, alimentação, transporte e prédios adequados. A ampliação de creches depende de pactuação com prefeituras. Laboratórios tecnológicos precisam de manutenção, conectividade e formação contínua. Já mudanças como o fim da aprovação automática ou o limite de alunos por turma alteram a organização pedagógica e podem exigir mais salas e profissionais.
A próxima etapa da campanha é cobrar metas verificáveis: número de vagas, municípios atendidos, custo anual, origem dos recursos e calendário de implantação. Também é importante distinguir ações sob responsabilidade direta do Estado daquelas que dependem da União ou das prefeituras. Sem esses dados, propostas de nomes semelhantes podem ter alcances muito diferentes.
Para o eleitor, o ponto central não é apenas contar promessas. É confrontar cada plano com a capacidade de execução e acompanhar, depois da eleição, se as metas foram incorporadas ao Plano Plurianual e aos orçamentos anuais. Os documentos registrados no TSE permanecem como referência pública para essa cobrança, enquanto debates e entrevistas devem testar as lacunas de financiamento e prazo.
Em resumo
Breno Barcelos, Helder Salomão, Lorenzo Pazolini, Rafael Demuner e Ricardo Ferraço.
Os planos de Breno Barcelos e Rafael Demuner incluem a criação de uma universidade estadual no Espírito Santo.
Sim. Breno Barcelos propõe ampliar o modelo, enquanto Rafael Demuner defende encerrá-lo.
A ampliação do tempo integral aparece, com formatos diferentes, como um dos pontos de maior convergência entre os programas.
Não. Os planos registram compromissos eleitorais, mas a execução depende de orçamento, cronograma e, em vários casos, aprovação legislativa e cooperação federativa.
Os planos foram entregues ao TSE junto aos registros de candidatura e podem ser consultados no DivulgaCandContas.