Segurança Pública · 2026-10-21 · Redação Notícia ES

Polícia investiga tiro de deputado que atingiu Fred Bruno

Boletim passou a registrar lesão corporal após disparo em casa noturna de São Paulo; apuração depende de autorização judicial por envolver parlamentar estadual.

Polícia investiga tiro de deputado que atingiu Fred Bruno
Polícia investiga tiro de deputado que atingiu Fred Bruno

A Polícia Civil de São Paulo incluiu lesão corporal no boletim de ocorrência sobre o disparo atribuído ao deputado estadual Marcelo Aguiar que atingiu de raspão o pé do deputado federal Fred Bruno. A atualização foi conhecida nesta quarta-feira, 21 de outubro, dois dias depois do episódio em uma casa noturna da capital paulista.

A informação foi publicada pela Jovem Pan e confirmada por reportagens da Folha de S.Paulo e do Poder360. Fred passou a constar formalmente como vítima, relatou dor e inchaço e recebeu encaminhamento ao Instituto Médico Legal. O exame deverá documentar a lesão e contribuir para reconstruir a trajetória do projétil.

O disparo ocorreu na madrugada de segunda-feira, 19, durante um encontro no estabelecimento. Marcelo Aguiar afirmou que a arma disparou acidentalmente e disse ter passado mal após usar medicamentos. Essa versão é uma declaração do parlamentar e ainda será confrontada com o laudo pericial, as imagens do local e os depoimentos das pessoas presentes.

Inquérito depende de autorização

Como Aguiar exerce mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo, a polícia pediu ao Tribunal de Justiça autorização para abrir formalmente a investigação. O foro não impede a coleta inicial de provas, mas define qual instância acompanha as diligências. A análise judicial deve estabelecer os limites do procedimento e a autoridade responsável pelo caso.

A pistola foi apreendida e encaminhada para perícia. O exame pode verificar funcionamento, condições de segurança e vestígios associados ao disparo. Investigadores também devem apurar quem portava a arma, como ela foi manuseada e a distância entre o ponto de saída do projétil e o local em que Fred estava.

Segundo os relatos divulgados, não houve teste de alcoolemia ou exame toxicológico no deputado estadual logo após a ocorrência. A ausência dessas medições impede afirmar, com base técnica, se havia consumo de álcool ou outra substância. Qualquer conclusão sobre o estado do parlamentar precisará se apoiar em testemunhos, imagens e documentos disponíveis.

Laudo deve esclarecer trajetória

A inclusão de lesão corporal muda a descrição policial porque registra que o disparo produziu consequência física, ainda que sem ferimento grave. Isso não determina, por si só, se a conduta foi intencional ou acidental. A classificação final dependerá das circunstâncias comprovadas e da avaliação do Ministério Público ao receber o inquérito.

Fred Bruno informou que o projétil atingiu seu pé de raspão e que seu estado de saúde é estável. A ida ao IML tem função probatória: o laudo descreve extensão, localização e tempo provável da lesão. Esse documento pode confirmar a compatibilidade entre o ferimento, o relato e os demais elementos recolhidos no local.

A polícia também pode ouvir funcionários e clientes da casa noturna, analisar câmeras de segurança e verificar os procedimentos adotados para entrada com arma. Esses dados ajudam a estabelecer a sequência dos fatos antes e depois do disparo. Até a conclusão dessas diligências, não é possível atribuir responsabilidade penal definitiva.

O caso reúne três perguntas centrais: se o tiro foi realmente acidental, como a arma foi acionada e se houve alguma violação no porte ou no manuseio. A perícia e a autorização judicial são os próximos passos objetivos. Enquanto a apuração não terminar, a versão de Aguiar deve ser apresentada como alegação de defesa e Fred deve ser tratado como vítima registrada no boletim.

Em resumo

O que mudou no boletim de ocorrência?

A Polícia Civil incluiu lesão corporal e passou a registrar Fred Bruno formalmente como vítima.

Qual foi o ferimento de Fred Bruno?

Ele relatou que o projétil atingiu seu pé de raspão, com dor e inchaço, mas está em condição estável.

O deputado admitiu o disparo?

Marcelo Aguiar afirmou que a arma disparou acidentalmente; a versão ainda será verificada pela investigação.

Por que a polícia pediu autorização judicial?

O pedido foi feito porque o caso envolve um deputado estadual e deve observar a competência do Tribunal de Justiça.

Quais são os próximos passos?

A polícia aguarda autorização, perícia da arma, laudo da vítima e análise de imagens e depoimentos.

Fontes