Polícia prende suspeito de vigiar clientes de bancos
Homem foi preso em Benfica e é apontado pela Polícia Civil como olheiro de um grupo investigado por roubos após saques. Ele teria monitorado vítimas em pelo menos cinco casos, incluindo o ataque à arqueóloga Tânia Andrade Lima.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, na quinta-feira (22), um homem suspeito de monitorar clientes dentro de agências bancárias e indicar vítimas a uma quadrilha de roubos. A captura ocorreu em Benfica, na Zona Norte da capital, e a investigação relaciona o suspeito a pelo menos cinco assaltos.
De acordo com o Metrópoles, Fábio Cassiano da Silva atuaria como olheiro do grupo especializado na modalidade conhecida como “saidinha de banco”. Os investigadores também apuram sua participação no caso da arqueóloga Tânia Andrade Lima, de 81 anos, baleada durante um roubo no Leblon.
A TMC confirmou a prisão e informou que, segundo a Polícia Civil, o suspeito observava movimentações nas agências, identificava pessoas que haviam sacado dinheiro, fazia fotografias e repassava as imagens aos comparsas. A atribuição é da investigação policial e será submetida ao processo judicial.
Vigilância antecedia os assaltos
O método descrito pelos agentes dividia funções entre os integrantes. Enquanto o olheiro permanecia no ambiente bancário, outros suspeitos acompanhavam as vítimas depois da saída e executavam a abordagem. A polícia afirma ter encontrado o mesmo padrão em crimes ocorridos em diferentes regiões do Rio.
Somente em agosto, o grupo teria ligação com quatro roubos em Copacabana, Flamengo e Barra da Tijuca, segundo a reportagem da TMC. A repetição do procedimento é um dos elementos usados para aproximar as ocorrências e tentar identificar quem exercia cada função.
No ataque contra Tânia, câmeras registraram a abordagem depois que ela deixou um banco no Leblon. O UOL informou, em 16 de outubro, que a arqueóloga caiu durante a tentativa de roubo da bolsa e foi atingida por três disparos. Ela foi transferida para um hospital particular e não corria risco de morrer.
Investigação busca outros integrantes
A motocicleta utilizada no crime contra a arqueóloga foi apreendida e encaminhada à perícia. Esse material, as gravações de segurança e os registros de circulação dos investigados podem ajudar a reconstruir a sequência do assalto e a participação atribuída a cada suspeito.
A Polícia Civil mantém diligências para localizar outros integrantes do grupo. A prisão do suposto olheiro não encerra o caso: os agentes ainda precisam esclarecer quem acompanhou a vítima, quem fez a abordagem e se a mesma equipe atuou nas demais ocorrências reunidas no inquérito.
Tânia é reconhecida pelo trabalho que levou à descoberta do Cais do Valongo, em 2011, sítio arqueológico ligado à história da escravidão no Brasil. A trajetória pública da vítima ampliou a repercussão do caso, mas a apuração policial se concentra na dinâmica do roubo e na identificação dos envolvidos.
O suspeito tem direito à defesa e será considerado inocente até eventual condenação. A investigação deverá reunir provas materiais e testemunhais para sustentar as acusações, evitando que a identificação policial, ainda sujeita ao contraditório, seja tratada como sentença.
Em resumo
Fábio Cassiano da Silva, apontado pela Polícia Civil como olheiro de uma quadrilha de roubos após saques bancários.
A captura ocorreu em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na quinta-feira, 22 de outubro.
Segundo a investigação, vítimas eram observadas e fotografadas dentro dos bancos antes de serem seguidas e abordadas.
O suspeito foi relacionado pela polícia a pelo menos cinco assaltos, quatro deles ocorridos em agosto.
Não. A polícia ainda procura outros integrantes e tenta definir a participação de cada suspeito nos crimes.