Justiça · 2026-10-27 · Redação Notícia ES

Por que investigação contra Flávio Bolsonaro deve continuar com Moraes mesmo com perda de foro privilegiado - BBC News Brasil

Flávio Bolsonaro ficará sem mandato a partir de fevereiro, mas inquéritos sobre Dark Horse e Willer Tomaz devem continuar no STF

Por que investigação contra Flávio Bolsonaro deve continuar com Moraes mesmo com perda de foro privilegiado - BBC News Brasil
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Derrotado na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

Derrotado na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perderá o foro privilegiado após 31 de janeiro, quando acaba seu mandato parlamentar.

Apesar disso, os inquéritos contra ele devem continuar tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF) , avaliam criminalistas ouvidos pela BBC News Brasil.

A atual jurisprudência da Corte determina que investigações em curso são mantidas no STF, quando os supostos crimes forem cometidos durante o mandato e relacionados à sua atuação no cargo.

Duas investigações estão em andamento: uma apura possíveis irregularidades

Duas investigações estão em andamento: uma apura possíveis irregularidades no repasse de quase 70 milhões de dólares do Banco Master para o filme Dark Horse , em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto outra investiga suposta lavagem de dinheiro em parceria com o advogado Willer Tomáz.

O inquérito que investiga os repasses para o filme Dark Horse tramita no gabinete de André Mendonça, mas está suspenso por decisão do presidente Edson Fachin, após a grave crise que dividiu o STF em setembro e levantou acusações de parcialidade contra o ministro.

Já o inquérito que investiga a suposta lavagem de dinheiro em parceria com Willer Tomaz está no gabinete de Alexandre de Moraes, ministro desgastado por suspeitas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro , do Banco Master, e que está sob a meaça de processo de impeachment após o campo bolsonarista conquistar a maioria do Senado nestas eleições.

Foi nesse segundo inquérito que o ministro determinou, na segunda-feira (26/10), a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro . O senador não entregou os documentos à Polícia Federal dentro do prazo, que terminou por volta de 12h desta terça.

Também nesta terça, a PF acionou as autoridades da Argentina para identificar se Flávio Bolsonaro ingressou no país vizinho após a derrota nas eleições.

O acionamento aconteceu após informações de que uma aeronave particular com destino aos EUA estaria no aeroporto de Puerto Iguazú, próximo à fronteira com o Brasil.

Mesmo que o senador deixe o país, porém, isso não impede que as investigações continuem avançando.

O seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), mora nos EUA e foi investigado, processado e condenado por tentar obstruir a ação criminal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.

"A posição atual do Supremo é que, se o crime foi cometido no exercício do mandato e tenha relação com o cargo, mesmo que a pessoa deixe o mandato, ela tem que ser julgada no foro por prerrogativa de função", explica o criminalista Gustavo Badaró, professor titular de Direito Processual Penal da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com o professor, ao determinar a continuidade do caso no STF, a Corte precisa avaliar se os crimes apurados teriam relação com o exercício do mandato de senador. Na sua avaliação, isso parece ter ocorrido.

"Se eu chegasse para o Vorcaro e pedisse dinheiro para fazer o filme do meu pai, que foi professor, ele não ia me dar. Ele deu ao Flávio porque ele queria agradar o Flávio", nota o criminalista.

"E, no caso do Willer Tomaz, se a suspeita é que eles teriam lavado dinheiro de corrupção, e a corrupção ele ganhou em relação ao mandato, também fica uma linha tênue pra dizer que isso não tem nenhuma relação com o mandato".

O criminalista João Pedro Pádua, professor de direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), também acredita que os casos continuarão no STF.

"Se tem relação [com o mandato], o Supremo Tribunal Federal tem jurisprudência pacífica de que o foro privilegiado se mantém no próprio STF. Se não tem, vai para a primeira instância."

Em resumo

O que aconteceu?

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Qual é o ponto principal?

Derrotado na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perderá o foro privilegiado após 31 de janeiro, quando acaba seu mandato parlamentar.

Quais são os dados mais importantes?

Apesar disso, os inquéritos contra ele devem continuar tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF) , avaliam criminalistas ouvidos pela BBC News Brasil.

Qual é o contexto?

A atual jurisprudência da Corte determina que investigações em curso são mantidas no STF, quando os supostos crimes forem cometidos durante o mandato e relacionados à sua atuação no cargo.

Quais são os próximos desdobramentos?

Duas investigações estão em andamento: uma apura possíveis irregularidades no repasse de quase 70 milhões de dólares do Banco Master para o filme Dark Horse , em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto outra investiga suposta lavagem de dinheiro em parceria com o advogado Willer Tomáz.

Fontes