Por que mulheres podem estar por trás da vitória de Lula nas eleições
O atual presidente conseguiu ampliar a vantagem que tinha sobre o eleitorado feminino em relação a 2022, especialmente entre as mulheres jovens, indica análise das urnas.

Além das diferenças regionais do voto para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL), os resultados das eleições presidenciais de 2026 também apontam a uma outra divisão: a entre o voto de homens e mulheres.
Dados e informações dos municípios
A conclusão é de uma análise feita pelo professor Marco Antonio Faganello, do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (Cepesp FGV), que mostra uma tendência nacional de que, quanto mais mulheres eleitoras há em uma urna, maior foi a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro.
A contagem de votos divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não discrimina como votou cada eleitor que depositou seu voto na urna, apenas o resultado de cada máquina.
Mas os dados agregados mostram o perfil de gênero, faixa etária e escolaridade dos eleitores inscritos naquela seção.
Contexto e diferenças locais
Dessa forma, é possível visualizar quais urnas têm proporcionalmente mais mulheres votantes, quais têm mais homens e fazer uma comparação.
Com esses dados, Faganello conseguiu verificar a tendência de um voto feminino mais pró-Lula e, inclusive, uma acentuação desse movimento em 2026 em relação à eleição de 2022.
Analisando todas as urnas do país, o pesquisador estima que a diferença total entre homens e mulheres no voto para Lula foi de 9,8 pontos percentuais no segundo turno de 2026, contra 6,4 pontos percentuais no 2º turno de 2022, na disputa com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Não é possível dizer qual foi a votação do presidente por gênero, mas essa estimativa aponta que, por exemplo, se Lula teve 45% dos votos entre os homens, entre as mulheres ele ficaria com cerca de 55%.
O país tem 158 milhões de eleitores aptos a votar, sendo 83,8 milhões (52,8%) mulheres, segundo o TSE.
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No segundo turno, Lula teve 4,4 milhões de votos a mais do que Flávio.
"O voto é secreto e ninguém sabe como cada pessoa votou. Os números vêm da comparação entre seções eleitorais e dependem de uma suposição", explica Faganello em sua análise.
"Não é algo que dá para afirmar com 100% de certeza, mas é um indicativo claro [que mulheres votam mais em Lula]. A gente usa todas as urnas do país e, em todas as regiões, há um padrão muito claro", disse o cientista político.
O pesquisador usou um método estatístico chamado regressão ecológica, que permite estimar como determinado grupo social votou, mesmo quando não existe informação individual sobre o voto de cada eleitor.
Para isso, a comparação para identificar a diferença de gênero na votação foi feita entre urnas que funcionam no mesmo local de votação, como uma escola.
Segundo explica o professor, os eleitores de uma mesma escola moram perto uns dos outros e se parecem em renda e em outras características.
A proporção de mulheres, porém, muda de uma seção para outra.
Em resumo
Além das diferenças regionais do voto para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL), os resultados das eleições presidenciais de 2026 também apontam a uma outra divisão: a entre o voto de homens e mulheres.
A conclusão é de uma análise feita pelo professor Marco Antonio Faganello, do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (Cepesp FGV), que mostra uma tendência nacional de que, quanto mais mulheres eleitoras há em uma urna, maior foi a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro.
A contagem de votos divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não discrimina como votou cada eleitor que depositou seu voto na urna, apenas o resultado de cada máquina. Mas os dados agregados mostram o perfil de gênero, faixa etária e escolaridade dos eleitores inscritos naquela seção.
Dessa forma, é possível visualizar quais urnas têm proporcionalmente mais mulheres votantes, quais têm mais homens e fazer uma comparação.
Com esses dados, Faganello conseguiu verificar a tendência de um voto feminino mais pró-Lula e, inclusive, uma acentuação desse movimento em 2026 em relação à eleição de 2022.