Pós-eleição: Ibovespa já achou um piso? Dólar ainda tem espaço para subir?
Ibovespa afunda após o segundo turno e entra em sobrevenda, enquanto dólar futuro corrige a disparada. Veja suportes, resistências e próximos níveis.

O mercado brasileiro entra no quarto pregão após o segundo turno ainda tentando encontrar novos pontos de equilíbrio para Bolsa e câmbio.
Depois da reprecificação abrupta provocada pela reeleição do presidente
Depois da reprecificação abrupta provocada pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ibovespa segue pressionado perto das mínimas do ano, enquanto o dólar futuro permanece em patamar elevado.
Por volta das 11h45 desta quinta-feira (29), o Ibovespa recuava 0,25%, aos 170,6 mil pontos , ampliando para cerca de 16,8% a perda acumulada na semana . Já o dólar futuro avançava 0,63%, aos 5.382,5 pontos , e acumulava valorização superior a 8% desde segunda-feira .
Os números mostram que, embora a intensidade dos movimentos tenha diminuído depois do choque inicial de segunda-feira, a reprecificação dos ativos brasileiros ainda deixa marcas importantes nos gráficos — e não há, até agora, uma sinalização técnica clara de retorno aos níveis anteriores à eleição.
Cautela também vai além das cotações
A cautela também vai além das cotações. Bancos globais passaram a reduzir a exposição ao Brasil e aumentar as proteções após o resultado eleitoral, diante das incertezas fiscais, da perspectiva de juros elevados por mais tempo e da deterioração da relação entre risco e retorno dos ativos brasileiros.
A forte valorização do dólar também entrou no radar da política monetária. Economistas avaliam que um real mais fraco pode aumentar a pressão inflacionária e levar o Banco Central a adotar maior cautela nos próximos cortes da Selic.
No gráfico, porém, Bolsa e câmbio começam a apresentar situações distintas. O Ibovespa entrou em região de sobrevenda e testa uma faixa importante de suporte , enquanto o dólar futuro continua esticado após avançar mais de 8% na semana e permanece bem acima das principais médias móveis .
A questão agora é até onde pode ir essa reprecificação. Os próximos suportes e resistências podem indicar se o choque pós-eleição começa finalmente a perder força — ou se ainda há espaço para uma nova perna de volatilidade.
Bolsas dos EUA recuam em meio a novos balanços, de PIB e PCE
No gráfico diário , o Ibovespa atravessa uma forte deterioração de curto prazo após o período de extrema volatilidade provocado pelo segundo turno das eleições.
Depois de renovar a máxima histórica em 209.713 pontos e permanecer lateralizado próximo do topo, o índice rompeu essa estrutura para baixo na segunda-feira (26), quando despencou 13,88% .
Na última sessão, voltou a recuar 2,68% , aos 171.006 pontos , aprofundando a correção e passando a negociar abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos.
O movimento já aparece bastante esticado. As médias estão atualmente próximas de 189.820 pontos , 197.970 pontos e 181.399 pontos , deixando o índice consideravelmente afastado dessas referências.
Ao mesmo tempo, o IFR (14) caiu para 27,09 pontos , entrando em região de sobrevenda. Essa combinação aumenta a possibilidade de um repique técnico , mas o gráfico ainda não apresenta confirmação de fundo ou de reversão.
Por enquanto, o fluxo segue predominantemente vendedor.
Na continuidade da queda, a primeira região de atenção está em 169.516 pontos , seguida pela mínima anual em 164.835 pontos .
A perda dessas faixas pode ampliar a pressão vendedora, colocando no radar 161.745 pontos , 157.120 pontos , 153.570 pontos e, em uma extensão mais longa, as regiões de 147.000 e 140.000 pontos .
A faixa entre 164 mil e 160 mil pontos ganha especial importância porque uma ruptura consistente representaria uma nova deterioração da estrutura.
Para uma recuperação mais consistente, o Ibovespa precisa inicialmente retomar a região da média de 200 períodos, próxima de 181.400 pontos , e depois superar 189.487 pontos .
Acima dessas referências, as próximas resistências ficam em 199.354 pontos , 203.050 pontos e na máxima histórica de 209.713 pontos .
Por ora, portanto, o cenário segue defensivo: a sobrevenda abre espaço para reação, mas somente a recuperação de resistências e médias importantes começaria a reduzir o domínio vendedor.
No gráfico diário , o dólar futuro segue em um cenário de forte volatilidade após a disparada registrada na segunda-feira (26), quando avançou 8,18% no pregão seguinte ao segundo turno.
Antes disso, o contrato vinha de uma tendência de baixa, chegou à mínima do ano na região de 4.910 pontos e passou por uma recuperação parcial.
Depois do salto de segunda-feira, porém, o ativo começou a devolver parte do movimento e acumulou duas sessões consecutivas de baixa, encerrando agora na região de 5.348,5 pontos .
Mesmo com essa realização, o dólar futuro ainda negocia bem acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, atualmente próximas de 5.198 , 5.124,5 e 5.153,9 pontos , respectivamente.
O forte afastamento dessas referências mostra o quanto o movimento recente foi esticado. O IFR (14) está em 64,26 pontos , ainda fora da região de sobrecompra.
A leitura, portanto, é de cautela: o ativo pode continuar corrigindo parte da alta recente, inclusive tentando reduzir o gap aberto na segunda-feira, mas ainda trabalha acima de regiões técnicas relevantes.
Para uma correção mais profunda, a primeira região de atenção está em 5.310 pontos , seguida por 5.266,5 pontos .
Abaixo dessas faixas, entram no radar a média de 200 períodos, em 5.153,9 pontos , além de 5.116,5 , 5.067 , 4.961,5 e, em uma extensão maior, a mínima anual em 4.910 pontos .
Em resumo
O mercado brasileiro entra no quarto pregão após o segundo turno ainda tentando encontrar novos pontos de equilíbrio para Bolsa e câmbio. Depois da reprecificação abrupta provocada pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ibovespa segue pressionado perto das mínimas do ano, enquanto o dólar futuro permanece em patamar elevado.
Por volta das 11h45 desta quinta-feira (29), o Ibovespa recuava 0,25%, aos 170,6 mil pontos , ampliando para cerca de 16,8% a perda acumulada na semana . Já o dólar futuro avançava 0,63%, aos 5.382,5 pontos , e acumulava valorização superior a 8% desde segunda-feira .
Os números mostram que, embora a intensidade dos movimentos tenha diminuído depois do choque inicial de segunda-feira, a reprecificação dos ativos brasileiros ainda deixa marcas importantes nos gráficos — e não há, até agora, uma sinalização técnica clara de retorno aos níveis anteriores à eleição.
A cautela também vai além das cotações. Bancos globais passaram a reduzir a exposição ao Brasil e aumentar as proteções após o resultado eleitoral, diante das incertezas fiscais, da perspectiva de juros elevados por mais tempo e da deterioração da relação entre risco e retorno dos ativos brasileiros.
A forte valorização do dólar também entrou no radar da política monetária. Economistas avaliam que um real mais fraco pode aumentar a pressão inflacionária e levar o Banco Central a adotar maior cautela nos próximos cortes da Selic.