PP e Da Vitória desembarcam de vez do palanque de Ricardo e Casagrande
Pelo que a coluna com fontes ligadas ao PP, o líder do partido no Estado põe na conta de Casagrande a decisão de retirar o apoio de Ricardo no 2º turno. Grupo do ex-governador fala em “traição” e “narrativa” para justificar uma “atrocidade”

Não foi uma ruptura anunciada. Mas o rompimento é real. Em meio a uma velada desavença, o Progressistas (PP), um dos mais importantes partidos da coalizão dos governos de Casagrande (PSB) e Ricardo Ferraço (MDB) e um dos mais estratégicos da coligação do segundo, na prática já abandonou o palanque do atual governador.
É mais uma deserção após o resultado do primeiro
É mais uma deserção após o resultado do primeiro turno, que trouxe Lorenzo Pazolini (Republicanos) mais de 15 pontos percentuais à frente de Ricardo.
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Nos bastidores, o movimento de desembarque do navio governista é liderado por aquele que, desde 2023, dirige o PP no Espírito Santo: o deputado federal Josias da Vitória, reeleito no último dia 4 para seu terceiro mandato seguido na Câmara, com mais de 100 mil votos.
Ele não deu nem deve dar declarações
Ele não deu nem deve dar declarações sobre o assunto até o fim do segundo turno.
Da Vitória, nos últimos anos, pode ser considerado um dos mais importantes aliados de Casagrande na geopolítica do Espírito Santo.
Foi um dos poucos a fazer oposição a Hartung na Assembleia de 2015 a 2018, quando o socialista estava sem mandato.
Mas, ao que tudo indica, a aliança acabou, e os dois se distanciaram de um jeito que poderá até se provar irremediável.
Não é só o PP, como partido, institucionalmente. Assim como no caso do União Brasil, todas as tropas da legenda foram desmobilizadas.
Ao lado do União Brasil na Federação União Progressista, o PP é um partido com alta capilaridade na Grande Vitória e no interior, com prefeitos, vereadores etc. Esses batalhões não estão mais a serviço de Ricardo.
Pelo que a coluna com fontes ligadas ao PP, o líder do partido no Estado põe na conta de Casagrande a decisão de retirar o apoio de Ricardo. Como ouvimos de interlocutores do deputado, Da Vitória responsabiliza (ou culpa mesmo) o ex-governador pela guinada.
No entendimento do deputado, conforme apuramos, Casagrande teria agido intensa e pessoalmente, durante a campanha, para esvaziar sua candidatura e dificultar sua reeleição na Câmara.
O ex-governador teria pedido a aliados em comum (prefeitos etc.) apoio a seus candidatos preferidos para a Câmara Federal, destacadamente Manu (PSB), em desfavor de Da Vitória. Essa é uma versão da história.
Já do ponto de vista de Casagrande, segundo fontes ligadas ao ex-governador, isso não passa de uma “desculpa esfarrapada” para encobrir o que, “chamando as coisas pelo nome certo”, não passa de “traição pura e simples”; um pretexto para justificar a “atrocidade” que está sendo
cometida (a palavra foi mesmo empregada), para que Da Vitória e companhia se justifiquem a si mesmos e se sintam mais em paz com a própria consciência após o “ato de deslealdade”.
“Isso é construção de narrativa para justificar traição pura. As pessoas que traem se sentem melhor contando essas histórias. Tentam ter um pouco de conforto pela atrocidade que fizeram”, diz um colaborador de Casagrande.
Por outro lado, pessoas ligadas a Da Vitória relatam uma série de “movimentos bruscos” por parte de Casagrande durante o 1º turno – os quais o teriam prejudicado diretamente.
Citam que o ex-governador teria espalhado para alguns prefeitos que Da Vitória “já estava eleito”, pedindo-lhes que disponibilizassem seus apoiadores também para outros candidatos de sua base.
Manu foi eleita. Da Vitória, reeleito. Ficaram as sequelas. Mas esta história, bem como o poço de mágoas do presidente do PP, antecede em muito a eleição.
Da Vitória chegou à presidência estadual do PP “por cima”, via Brasília. Na crista da onda após se reeleger em 2022, articulou-se diretamente com a nacional do partido (Ciro Nogueira) e conseguiu ser indicado para o comando local da sigla, em abril de 2023, no lugar do até então presidente estadual do PP, Marcus Vicente (grande aliado de Casagrande).
Desde então, em movimentos ambivalentes no tabuleiro político-eleitoral capixaba, o PP foi um dos raros partidos que manteve “um pé em cada canoa”: fez parte, ao mesmo tempo, do governo Casagrande no Estado (com direito a posto no alto escalão) e da administração de Pazolini em Vitória.
Ora, desde antes da reeleição de Pazolini, em 2024, até os pesos levantados por Da Vitória na academia sabiam que o então prefeito de Vitória emergira como principal adversário político do grupo de Casagrande no Estado e potencial adversário do sucessor dele nas urnas em 2026 – como de fato se confirmou.
Entretanto, pelas mãos de Da Vitória, o PP entrou na administração de Pazolini em 2023, indicando o secretário municipal de Cultura.
No ano seguinte, apoiou a reeleição do prefeito (enquanto o grupo de Casagrande dividiu-se entre dois opositores, os ex-prefeitos João Coser e Luiz Paulo); de quebra, o PP ainda emplacou a vice-prefeita, Cris Samorini, que trocou o Republicanos pela sigla exatamente para viabilizar essa composição.
Hoje, Cris é a prefeita de Vitória. Segue filiada ao PP.
Em resumo
Não foi uma ruptura anunciada. Mas o rompimento é real. Em meio a uma velada desavença, o Progressistas (PP), um dos mais importantes partidos da coalizão dos governos de Casagrande (PSB) e Ricardo Ferraço (MDB) e um dos mais estratégicos da coligação do segundo, na prática já abandonou o palanque do atual governador. É mais uma deserção após o resultado do
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Nos bastidores, o movimento de desembarque do navio governista é liderado por aquele que, desde 2023, dirige o PP no Espírito Santo: o deputado federal Josias da Vitória, reeleito no último dia 4 para seu terceiro mandato seguido na Câmara, com mais de 100 mil votos. Ele não deu nem deve dar declarações sobre o assunto até o fim do segundo turno.
Da Vitória, nos últimos anos, pode ser considerado um dos mais importantes aliados de Casagrande na geopolítica do Espírito Santo. Foi um dos poucos a fazer oposição a Hartung na Assembleia de 2015 a 2018, quando o socialista estava sem mandato. Mas, ao que tudo indica, a aliança acabou, e os dois se distanciaram de um jeito que poderá até se provar irremedi
Não é só o PP, como partido, institucionalmente. Assim como no caso do União Brasil, todas as tropas da legenda foram desmobilizadas. Ao lado do União Brasil na Federação União Progressista, o PP é um partido com alta capilaridade na Grande Vitória e no interior, com prefeitos, vereadores etc. Esses batalhões não estão mais a serviço de Ricardo.