Prejuízo com roubo de canetas para emagrecimento leva farmácias a se unir à polícia
Com prejuízo de quase R$ 70 milhões, Abrafarma fecha acordo com as polícias Civil e Militar para combater roubos; cidade de São Paulo concentra 64% das ocorrências

O avanço dos roubos e furtos de medicamentos de alto valor, especialmente as canetas emagrecedoras, levou grandes redes de farmácias a não apenas reforçar a segurança interna como também compartilhar informações com a polícia de São Paulo.
Para isso, a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias
Para isso, a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) acaba de firmar uma aliança com autoridades de segurança civis e militares do estado de São Paulo com objetivo de prevenir e diminuir assaltos a estabelecimentos farmacêuticos.
Um levantamento da entidade aponta que as perdas com esses crimes já chega a aproximadamente R$ 70 milhões com a subtração de 58.898 unidades de medicamentos da classe GLP-1, utilizados principalmente no tratamento de diabetes e obesidade.
O prejuízo vai além das mercadorias roubadas, porque representam despesas adicionais com vigilância, monitoramento e prevenção, além de riscos para funcionários e consumidores.
Associação anunciou que a parceria será feita
A associação anunciou que a parceria será feita com o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e as sete grandes redes de farmácias para identificar padrões de atuação dos criminosos e desenvolver estratégias de prevenção.
Segundo a Abrafarma, suas associadas registraram, em média, 11 ocorrências diárias em São Paulo durante 2025. Desse total, sete aconteceram na capital, que concentrou 64% dos casos.
Outros 21% foram registrados em oito municípios como Campinas, Guarujá, Guarulhos, Osasco, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo e Sorocaba.
A concentração geográfica dos crimes é um dos fatores que motivaram a ação, que ajudará a reunir mais informações sobre horários, locais, características das ocorrências e possíveis conexões entre os episódios, permitindo direcionar as ações policiais.
“O tema roubo e segurança fazia parte da atuação institucional da entidade. A evolução das ocorrências mostrou a necessidade de incorporar medidas de prevenção à discussão, inclusive para a segurança de nossos próprios colaboradores”, explica o CEO da Abrafarma, Sergio Mena Barreto.
O aumento da preocupação com a segurança ocorre em um momento de expansão do varejo farmacêutico.
As redes associadas à Abrafarma faturaram R$ 118,5 bilhões em 2025, crescimento de 14,9% em relação ao ano anterior, segundo ranking elaborado com dados da FIA-USP.
O número de estabelecimentos chegou a 11.688, alta de 5,9%.
O tamanho do mercado ajuda a explicar o interesse de grupos criminosos por medicamentos de alto valor agregado.
De acordo com a entidade, diferentemente de produtos de baixo preço, as canetas emagrecedoras permitem concentrar valores elevados em volumes relativamente pequenos, característica que torna seu desvio especialmente preocupante para o varejo.
Considerando as perdas em torno de R$ 70 milhões e as 58.898 unidades informadas pela Abrafarma, o prejuízo médio equivale a cerca de R$ 1.189 por unidade subtraída. O cálculo é apenas uma média das perdas declaradas, não o preço de venda de um medicamento específico.
O crescimento dos crimes contra drogarias ganharam destaque por irem na contra-mão do cenário geral, com redução dos roubos em geral na capital paulista.
Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a cidade registrou 98.358 roubos em 2025, queda de 14,6% em relação aos 115.172 casos contabilizados em 2024.
No caso específico das farmácias, os dados oficiais mostram que, entre janeiro e maio de 2026, a capital registrou 162 roubos e furtos em drogarias, contra 166 no mesmo período de 2025, redução de aproximadamente 2,4%, segundo números divulgados pela SSP.
No conjunto do estado, a secretaria informou queda de 19% nos roubos a farmácias nos cinco primeiros meses deste ano.
Isso significa que o problema pode estar relacionado ao valor dos medicamentos visados. Mas a violência das ocorrências e a atuação de grupos especializados colocam em risco trabalhadores e clientes.
Em fevereiro deste ano, uma farmacêutica morreu durante um assalto a uma drogaria na zona norte da capital. No mesmo mês, um guarda-civil morreu ao tentar impedir um roubo a outra unidade na zona oeste.
O combate aos crimes também envolve identificar os canais utilizados para revender os medicamentos subtraídos.
Em janeiro, a Polícia Civil de São Paulo anunciou a ampliação das investigações contra roubos, furtos e receptação de medicamentos de alto custo, com foco nas canetas emagrecedoras.
Na ocasião, o Deic informou que as ações incluíam cumprimento de mandados, prisões em flagrante e utilização de tecnologia para localizar suspeitos e recuperar produtos.
A receptação é um dos pontos centrais das investigações, já que a existência de compradores para medicamentos roubados pode sustentar a continuidade dos crimes. O desvio também representa um risco sanitário.
Medicamentos comercializados fora dos canais regulares podem ter sua origem e suas condições de armazenamento comprometidas.
No caso de produtos que exigem refrigeração, como determinadas apresentações de medicamentos GLP-1, a perda do controle sobre a cadeia de conservação é especialmente preocupante.
A Vigilância Sanitária da cidade de São Paulo alerta que medicamentos roubados, furtados ou extraviados podem representar riscos à saúde porque deixam de ter condições de transporte e armazenamento asseguradas.
Leia Mais: Polícia Civil apreende R$ 2 milhões em canetas emagrecedoras no Rio de Janeiro
Em resumo
O avanço dos roubos e furtos de medicamentos de alto valor, especialmente as canetas emagrecedoras, levou grandes redes de farmácias a não apenas reforçar a segurança interna como também compartilhar informações com a polícia de São Paulo. Para isso, a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) acaba de firmar uma aliança com autoridades de s
Um levantamento da entidade aponta que as perdas com esses crimes já chega a aproximadamente R$ 70 milhões com a subtração de 58.898 unidades de medicamentos da classe GLP-1, utilizados principalmente no tratamento de diabetes e obesidade. O prejuízo vai além das mercadorias roubadas, porque representam despesas adicionais com vigilância, monitoramento e pre
A associação anunciou que a parceria será feita com o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e as sete grandes redes de farmácias para identificar padrões de atuação dos criminosos e desenvolver estratégias de prevenção.
Segundo a Abrafarma, suas associadas registraram, em média, 11 ocorrências diárias em São Paulo durante 2025. Desse total, sete aconteceram na capital, que concentrou 64% dos casos. Outros 21% foram registrados em oito municípios como Campinas, Guarujá, Guarulhos, Osasco, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo e Sorocaba.
A concentração geográfica dos crimes é um dos fatores que motivaram a ação, que ajudará a reunir mais informações sobre horários, locais, características das ocorrências e possíveis conexões entre os episódios, permitindo direcionar as ações policiais.