Sabatinas, hospitais e ruas: campanha presidencial acelera antes da entrevista de Flávio na Globo
Lula foi à sabatina da TV Globo, Renan Santos defendeu mudanças na Justiça do Trabalho, Caiado visitou hospital e Zema voltou ao tema da infraestrutura; Flávio Bolsonaro não teve agenda pública na quinta e vai à Globo nesta sexta.

A campanha presidencial entrou em uma sequência de alta exposição nacional nesta reta final de agosto. Na quinta-feira, 27, candidatos à Presidência dividiram o dia entre sabatinas, entrevistas, visitas a hospitais, obras, atividades de rua e encontros com trabalhadores. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou à noite de sabatina na TV Globo, enquanto Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário nas pesquisas recentes, não teve agenda pública divulgada para o dia e tem entrevista prevista pela emissora nesta sexta-feira, 28.
O contraste das agendas ajuda a entender a estratégia de cada candidatura num momento em que televisão, redes sociais e presença territorial disputam simultaneamente a atenção do eleitor. A Agência Brasil acompanhou as atividades dos presidenciáveis ao longo do dia. Outras fontes confirmam a programação da série de entrevistas da Globo, que reservou a sexta-feira para Flávio e o sábado para Augusto Cury (Avante).
Lula vai à Globo e defende política de salário mínimo
Lula concentrou sua principal exposição pública do dia na sabatina da TV Globo. Segundo a cobertura da Agência Brasil, o candidato também usou as redes sociais para defender a atual política de reajuste do salário mínimo, que prevê ganho acima da inflação, e afirmou que pretende mantê-la caso seja reeleito.
A participação ocorreu dentro de uma série de entrevistas com candidatos ao Palácio do Planalto. A programação divulgada pela imprensa colocou Romeu Zema (Novo) na segunda-feira, Ronaldo Caiado (PSD) na terça, Renan Santos (Missão) na quarta, Lula na quinta, Flávio Bolsonaro na sexta e Augusto Cury no sábado.
A sequência transforma a semana em uma espécie de corredor de exposição individual. Cada candidato recebe uma janela própria diante de uma audiência nacional, o que aumenta o peso de respostas sobre economia, segurança, emprego, instituições e programas de governo.
Renan Santos mira Justiça do Trabalho e escala 6x1
Renan Santos participou de sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e CBN, no Rio de Janeiro. Conforme a Agência Brasil, ele defendeu o fim da Justiça do Trabalho e classificou as discussões sobre o fim da escala 6x1 como uma pauta que considera perigosa.
As declarações colocam relações trabalhistas no centro de sua campanha e oferecem um contraste direto com a defesa feita por Lula da política de valorização do salário mínimo. São posições distintas sobre o papel do Estado e a regulação do trabalho, tema que tende a ganhar espaço à medida que a eleição se aproxima.
Zema fala de infraestrutura; Caiado leva saúde para a agenda
Romeu Zema cumpriu agenda em São Francisco, no Norte de Minas Gerais, onde acompanhou obras da ponte que liga o município a Pintópolis. Durante a visita, voltou a defender infraestrutura para reduzir custos de transporte e ampliar a competitividade do agronegócio.
Ronaldo Caiado, por sua vez, concedeu entrevista à rádio TMC e visitou o Hospital Santa Marcelina, em São Paulo. Segundo a cobertura publicada, o candidato prometeu ampliar investimentos na atenção primária para reduzir a pressão sobre hospitais e defendeu aumento de repasses federais por meio da tabela do SUS. À noite, participou no Rio de Janeiro do lançamento de uma candidatura a deputado federal.
Candidatos menores buscam território e nichos
Samara Martins (UP) concentrou atividades no Recife, com entrevistas, gravações, bandeiraço, caminhada e plenária com apoiadores. Wilson Grassi (Democrata) esteve em São Paulo e reforçou a pauta animal em visita a um gatil e participação em campanha de castração.
Clariana Barão (DC) cumpriu compromissos em Cuiabá, incluindo visitas a feira, abrigo e hospital. Hertz Dias (PSTU) encontrou trabalhadores da indústria em São José dos Campos e defendeu fortalecimento da produção nacional e preservação de empregos. Rui Costa Pimenta (PCO) participou de programa sobre política internacional. Edmilson Costa (PCB) concedeu entrevista à Rede Globo; atividades de rua previstas para Niterói foram canceladas, segundo a Agência Brasil.
Augusto Cury e Flávio Bolsonaro não tiveram agenda pública de campanha registrada na cobertura da quinta-feira.
Flávio entra na janela de maior exposição nesta sexta
A ausência de agenda pública na quinta não significa ausência da campanha no debate nacional. Flávio Bolsonaro tem sua sabatina na Globo prevista para esta sexta-feira, 28. A informação foi divulgada previamente na programação da emissora e reproduzida por veículos que acompanham a série.
O formato coloca o candidato diante de questionamentos ao vivo e tende a gerar repercussão imediata em cortes de vídeo, redes sociais, portais e programas de análise. Em uma eleição marcada por consumo fragmentado de informação, uma entrevista longa deixa de ser apenas um evento televisivo: suas respostas podem circular por dias em trechos de poucos segundos.
Uma campanha disputada também no controle da agenda
As atividades de quinta-feira mostram campanhas tentando escolher os assuntos pelos quais querem ser reconhecidas. Lula reforçou renda e salário mínimo. Renan levou mudanças trabalhistas ao debate. Zema insistiu em infraestrutura e agronegócio. Caiado falou de saúde. Candidatos com menor presença nas pesquisas buscaram nichos, territórios e contato direto com grupos específicos.
Esse mosaico também tem uma limitação importante: agenda pública não mede, sozinha, força eleitoral. Um candidato pode reduzir compromissos presenciais para preparar entrevistas, produzir conteúdo ou organizar ações futuras. O que ela revela é a prioridade comunicacional de cada dia.
Com Flávio Bolsonaro diante das câmeras nesta sexta e Augusto Cury previsto para sábado, a rodada de sabatinas entra em seus capítulos finais. A partir daí, o efeito mais relevante será medido fora do estúdio: na repercussão das respostas, na capacidade de cada campanha de transformar exposição em voto e nas próximas pesquisas eleitorais.