Economia · 2026-10-15 · Redação Notícia ES

Presidente da Faesp critica aprovação do fim da escala 6×1 e fala em riscos ao agronegócio | Jovem Pan

Meirelles defendeu a melhoria das condições de trabalho, mas disse que qualquer alteração na legislação trabalhista deveria ser precedida de estudos aprofundados

Presidente da Faesp critica aprovação do fim da escala 6×1 e fala em riscos ao agronegócio | Jovem Pan
Presidente da Faesp critica aprovação do fim da escala 6×1 e fala em riscos ao agronegócio | Jovem Pan

A aprovação da PEC 221/2019, que substitui a jornada 6×1 pelo modelo 5×2 e reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas, foi criticada pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles.

Ele afirmou que a mudança, sem considerar as particularidades

Ele afirmou que a mudança, sem considerar as particularidades do campo e sem estar acompanhada de outras reformas, pode elevar custos de produção, agravar a escassez de mão de obra e comprometer a competitividade das propriedades rurais.

Meirelles reconheceu a importância da valorização dos trabalhadores e da melhoria das condições de trabalho, mas defendeu que qualquer alteração na legislação trabalhista deveria ser precedida de estudos aprofundados sobre impactos econômicos e levar em conta as especificidades de cada setor.

“Não somos contrários à valorização do trabalhador. Pelo contrário, não existe agropecuária forte sem profissionais qualificados e bem remunerados. Mas é preciso equilíbrio.

Não podemos transformar uma proposta de melhoria social

Não podemos transformar uma proposta de melhoria social em mais um fator de insegurança econômica para quem produz”, disse.

Segundo a Faesp, o setor agropecuário enfrenta dificuldades estruturais que diferem de outras atividades econômicas.

A ordenha, a alimentação e os cuidados sanitários dos animais são diários e permanentes, enquanto plantio, irrigação e colheita dependem de ciclos biológicos e condições climáticas que não seguem o calendário convencional.

“O campo não pode parar. Os animais precisam de cuidados todos os dias e uma lavoura não pode esperar quando chega o momento certo da colheita”, afirmou Meirelles.

O economista José Pastore estima que a redução da jornada pode impactar o Produto Interno Bruto (PIB) em 6,2% de forma negativa e imediata, além de elevar em cerca de 22% o custo por hora trabalhada.

A preocupação se intensifica em atividades intensivas em mão de obra, como cafeicultura, fruticultura, horticultura e pecuária leiteira, em um momento em que produtores já enfrentam margens apertadas, juros elevados, dificuldades de crédito, oscilações de preços e riscos climáticos.

A entidade destaca que a maioria dos produtores rurais é de pequeno e médio porte, não determina o preço de venda de suas mercadorias e tem capacidade limitada de repassar custos adicionais.

Meirelles concluiu pedindo diálogo e negociação coletiva: “Não podemos continuar transferindo ao produtor rural os custos de decisões tomadas sem considerar a realidade do campo.

Precisamos de um verdadeiro projeto de desenvolvimento nacional, que concilie direitos trabalhistas, produtividade, competitividade e segurança jurídica.

O campo não pode parar, e o País não pode correr o risco de enfraquecer justamente um dos setores que sustentam sua economia”.

A Faesp argumenta que melhorias na legislação trabalhista devem caminhar junto com avanços em educação, saúde, mobilidade, inovação tecnológica e ganhos de produtividade, para não comprometer a geração de empregos e a formalização no meio rural.

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Em resumo

O que aconteceu?

A aprovação da PEC 221/2019, que substitui a jornada 6×1 pelo modelo 5×2 e reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas, foi criticada pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles. Ele afirmou que a mudança, sem considerar as particularidades do campo e sem estar acompanhada de outras reformas, p

Qual é o ponto principal?

Meirelles reconheceu a importância da valorização dos trabalhadores e da melhoria das condições de trabalho, mas defendeu que qualquer alteração na legislação trabalhista deveria ser precedida de estudos aprofundados sobre impactos econômicos e levar em conta as especificidades de cada setor. “Não somos contrários à valorização do trabalhador. Pelo contrário

Quais são os dados mais importantes?

Segundo a Faesp, o setor agropecuário enfrenta dificuldades estruturais que diferem de outras atividades econômicas. A ordenha, a alimentação e os cuidados sanitários dos animais são diários e permanentes, enquanto plantio, irrigação e colheita dependem de ciclos biológicos e condições climáticas que não seguem o calendário convencional. “O campo não pode pa

Qual é o contexto?

O economista José Pastore estima que a redução da jornada pode impactar o Produto Interno Bruto (PIB) em 6,2% de forma negativa e imediata, além de elevar em cerca de 22% o custo por hora trabalhada. A preocupação se intensifica em atividades intensivas em mão de obra, como cafeicultura, fruticultura, horticultura e pecuária leiteira, em um momento em que pr

Quais são os próximos desdobramentos?

A entidade destaca que a maioria dos produtores rurais é de pequeno e médio porte, não determina o preço de venda de suas mercadorias e tem capacidade limitada de repassar custos adicionais. Meirelles concluiu pedindo diálogo e negociação coletiva: “Não podemos continuar transferindo ao produtor rural os custos de decisões tomadas sem considerar a realidade

Fontes