Segurança Pública · 2026-09-22 · Redação Notícia ES

Polícia prende em Guarapari suspeito de comandar torturas em Aracruz

Investigado de 24 anos tinha dois mandados e foi autuado por tráfico; polícia atribui ao grupo agressões gravadas para intimidar moradores.

Polícia prende em Guarapari suspeito de comandar torturas em Aracruz
Suspeito foi localizado durante ação conjunta da Denarc de Aracruz e da DHPP de Guarapari. Crédito: divulgação/Polícia Civil.

Um homem de 24 anos foi preso em Guarapari nesta terça-feira (22), suspeito de chefiar uma organização criminosa que atuava em Barra do Riacho, distrito de Aracruz. A Polícia Civil atribui ao grupo tráfico de drogas, homicídios e sessões de tortura contra moradores e usuários de entorpecentes. O investigado tinha mandados de prisão preventiva e temporária expedidos pela Justiça de Aracruz e também foi autuado em flagrante por tráfico após a localização de drogas no imóvel.

A prisão foi realizada por equipes da Delegacia Especializada de Narcóticos de Aracruz e da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa de Guarapari. Segundo a apuração policial reproduzida por A Gazeta e Tribuna Online, o suspeito deixou Aracruz ao saber que era procurado, mas teria continuado a comandar atividades criminosas a distância. O serviço de inteligência identificou o endereço onde ele estaria escondido.

O delegado Vicente Pellegrino, responsável pela investigação em Aracruz, informou que moradores suspeitos de repassar informações às forças de segurança e usuários com dívidas relacionadas a drogas eram submetidos a agressões. Algumas ações teriam sido gravadas para intimidar a comunidade e enviadas à liderança. A polícia sustenta que o preso participava das decisões e dava a palavra final sobre as punições.

As imputações são a versão da Polícia Civil e ainda precisam ser submetidas ao contraditório. O nome do investigado não foi divulgado nas reportagens consultadas, e não havia manifestação pública de advogado até o fechamento desta matéria. Mandados cautelares e uma prisão em flagrante não equivalem a condenação; a defesa poderá contestar fatos, provas e enquadramentos no processo.

Drogas encontradas e celular quebrado

Durante as buscas no imóvel, os policiais encontraram entorpecentes, segundo as informações divulgadas após a operação. Esse material levou à lavratura do auto de prisão em flagrante por tráfico, procedimento distinto dos dois mandados já existentes. A quantidade e o tipo das substâncias não foram informados nas fontes consultadas, por isso não é possível dimensionar a apreensão.

A Tribuna Online relatou ainda que o homem teria quebrado o próprio telefone celular ao perceber a chegada dos policiais. A alegada tentativa de impedir o acesso ao aparelho será avaliada na investigação. Mesmo danificado, um dispositivo pode ser submetido a perícia, desde que haja autorização e cadeia de custódia adequadas; não foi informado se algum conteúdo já foi recuperado.

Os vídeos mencionados pela polícia também podem ter papel na individualização das condutas, mas sua existência, autoria e contexto precisam ser comprovados tecnicamente. Registros digitais exigem preservação do arquivo original, identificação de quem produziu e encaminhou o material e verificação de eventuais edições. A divulgação pública de imagens de violência deve preservar as vítimas.

Dois mandados têm natureza cautelar

A prisão preventiva pode ser decretada para proteger a investigação, o processo ou a aplicação da lei quando os requisitos legais estão presentes. A temporária tem prazo e finalidade ligados a diligências da fase investigativa. A existência simultânea de ordens de naturezas diferentes indica procedimentos ou fundamentos que deverão ser esclarecidos nos autos, sem permitir conclusão antecipada sobre culpa.

Com o flagrante por tráfico, a autoridade policial registra os elementos encontrados no momento da abordagem e encaminha o caso ao controle judicial. Caberá ao Judiciário examinar a legalidade da prisão e decidir sobre a manutenção da custódia e outras medidas. O Ministério Público poderá pedir diligências, oferecer denúncia ou concluir que as provas não sustentam determinada acusação.

A Polícia Civil aponta o detido como principal líder local de um grupo ligado a uma facção, mas essa classificação também integra a linha investigativa. Para demonstrar associação ou organização criminosa, a apuração precisa detalhar estrutura, divisão de tarefas, permanência e participação de cada suspeito. A atribuição genérica a uma facção não substitui prova individual.

Investigação procura outros envolvidos

O próximo passo anunciado é identificar e localizar os demais integrantes que teriam atuado em Barra do Riacho. Depoimentos de vítimas e testemunhas, perícias nos entorpecentes, análise de equipamentos e eventual comparação com inquéritos sobre homicídios podem ampliar ou restringir o conjunto de suspeitas. A polícia não informou quantas pessoas ainda são procuradas.

O preso foi encaminhado ao sistema prisional e permanece à disposição da Justiça. O andamento dos mandados e do flagrante poderá resultar em audiências, pedidos de acesso aos autos e manifestações da defesa. Se houver denúncia, cada crime imputado terá de ser descrito com fatos, datas e elementos que vinculem o investigado às condutas atribuídas ao grupo.

Para os moradores, a prisão remove alguém apontado pela polícia como responsável por decisões violentas, mas não encerra a apuração nem garante, por si só, o fim da atuação criminosa. A continuidade das diligências e a proteção de quem prestar informações serão centrais. Denúncias devem ser feitas pelos canais oficiais, sem exposição de vítimas ou divulgação de nomes não confirmados.

Em resumo

Onde o suspeito foi preso?

Ele foi localizado em um imóvel em Guarapari na terça-feira, 22 de setembro.

Quais crimes são investigados?

A Polícia Civil apura tráfico de drogas, homicídios e episódios de tortura atribuídos ao grupo em Barra do Riacho.

Por que moradores teriam sido agredidos?

Segundo a investigação, as vítimas incluíam moradores suspeitos de colaborar com a polícia e usuários com dívidas de drogas.

Havia mandados contra o investigado?

Sim. A Justiça de Aracruz havia expedido mandados de prisão preventiva e temporária.

O que foi encontrado no imóvel?

A polícia informou ter encontrado drogas e lavrou também um flagrante por tráfico.

A prisão significa condenação?

Não. As acusações ainda serão examinadas com contraditório, defesa e decisão judicial.

Fontes