Economia · 2026-10-28 · Redação Notícia ES

Previdência do Brasil tem quinta pior nota em sustentabilidade, diz estudo

Entre 55 sistemas avaliados pelo Índice Global de Previdência, o país recuou da 40ª para a 44ª posição; envelhecimento da população amplia pressão sobre o sistema

Previdência do Brasil tem quinta pior nota em sustentabilidade, diz estudo
Previdência do Brasil tem quinta pior nota em sustentabilidade, diz estudo

O Brasil continua enfrentando uma grande dificuldade para garantir o financiamento das aposentadorias para as próximas décadas.

É o que mostra o Índice Global de Previdência

É o que mostra o Índice Global de Previdência Marsh CFA Institute, divulgado na última semana, indicando que o país alcançou 57 pontos, em uma escala de zero a 100.

A pontuação fez o país perder quatro posições no ranking em 2026, passando do 40º para o 44º lugar.

Com isso, o país manteve a classificação C, mas a sustentabilidade, que mede a capacidade dos sistemas de manter o pagamento dos benefícios no longo prazo, teve uma pontuação de apenas 32,1, a quinta pior nota do levantamento nesse quesito entre os 55 sistemas avaliados.

Mesmo assim, o Brasil ficou à frente de Áustria,

Mesmo assim, o Brasil ficou à frente de Áustria, Itália, Turquia e Argentina.

O resultado expõe um desequilíbrio entre a capacidade de oferecer proteção aos aposentados atuais e a necessidade de manter o sistema financeiramente viável para as próximas gerações.

Enquanto o Brasil obteve 69,1 pontos em adequação dos benefícios e 72,6 em integridade, a avaliação de sustentabilidade ficou 37 pontos abaixo da nota de adequação.

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A fragilidade ganha relevância diante do envelhecimento acelerado da população brasileira.

Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de pessoas com 60 anos ou mais, que representava 15,6% da população em 2023, deverá chegar a 37,8% em 2070.

Em números absolutos, o contingente de idosos passará de 33 milhões para aproximadamente 75,3 milhões nesse intervalo.

Isso significa que, nas próximas décadas, haverá uma parcela proporcionalmente menor da população em idade de trabalhar para sustentar uma quantidade crescente de aposentados.

Em sistemas baseados na repartição, como o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), as contribuições dos trabalhadores e empregadores em atividade ajudam a financiar os benefícios pagos aos aposentados e pensionistas.

A pressão demográfica, portanto, tende a ampliar os desafios de financiamento, especialmente em um país marcado por informalidade no mercado de trabalho e desigualdade de renda.

Para Tiago Calçada, diretor de Investments and Retirement da Marsh Brasil, o resultado evidencia a necessidade de mudanças que conciliem a proteção dos atuais beneficiários com a sustentabilidade futura.

“Em 2026, o Brasil avançou de forma moderada no estudo, alcançando 57,0 pontos e mantendo a classificação C.

O resultado reforça um quadro em que o sistema apresenta bases relevantes em adequação e integridade, mas ainda enfrenta um desafio importante em sustentabilidade”, afirma.

Segundo o executivo, a agenda previdenciária precisa considerar reformas consistentes, ampliação da cobertura e fortalecimento da poupança de longo prazo.

Essa nota de 57 pontos em 2026 representou um avanço de apenas 0,8 ponto em relação a 2025 e, apesar de manter a classificação C, indica que o desempenho não foi uniforme entre os três componentes do índice.

A pontuação em adequação caiu de 70,6 para 69,1, enquanto a sustentabilidade subiu de 31,8 para 32,1.

Já a integridade, que considera aspectos de governança, regulação e proteção dos participantes, avançou de 67,3 para 72,6.

Na prática, a maior melhora ocorreu nos aspectos institucionais avaliados pela pesquisa, e não na capacidade de financiar os benefícios no longo prazo.

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O Brasil também ficou abaixo da média de 62,6 pontos registrada pelos nove países latino-americanos incluídos no levantamento.

O Chile lidera a região, com 79,2 pontos e classificação B+, seguido por México, com 71,2, e Uruguai, com 69,7. Colômbia, com 63,3, Panamá, com 62, e República Dominicana, com 61,4. Todos superam a pontuação brasileira.

Na outra ponta, a Argentina recebeu 43,7 pontos e classificação D, a menor nota entre os países avaliados pelo estudo.

Na média latino-americana, a adequação dos benefícios recebeu 66,5 pontos, contra 52,1 em sustentabilidade.

Os números demonstram que a dificuldade de conciliar proteção social e financiamento de longo prazo não é exclusiva do sistema brasileiro, embora o país apresente uma situação mais desfavorável.

“Os sistemas previdenciários da América Latina estão em um ponto de inflexão. Embora vários países mostrem capacidade de oferecer benefícios adequados, a sustentabilidade continua sendo o desafio crítico que define o futuro de milhões de aposentados”, afirma Leonardo Lara, líder de Investments and Retirement da Marsh México e América Latina.

A pesquisa recomenda três frentes de ação para os países da região: ampliar a inclusão dos trabalhadores informais, criar maior flexibilidade nas regras de aposentadoria e estimular mecanismos complementares de poupança de longo prazo.

Entenda melhor: PGBL: o plano de previdência que pode ser abatido no Imposto de Renda

O desafio brasileiro está diretamente ligado a uma transformação demográfica que ocorre em diferentes velocidades pelo mundo.

As projeções do IBGE indicam que a população do país deverá parar de crescer em 2041, quando alcançará aproximadamente 220,4 milhões de habitantes.

A partir daí, a tendência será de redução populacional, acompanhada de aumento da proporção de idosos.

Em resumo

O que aconteceu?

O Brasil continua enfrentando uma grande dificuldade para garantir o financiamento das aposentadorias para as próximas décadas. É o que mostra o Índice Global de Previdência Marsh CFA Institute, divulgado na última semana, indicando que o país alcançou 57 pontos, em uma escala de zero a 100. A pontuação fez o país perder quatro posições no ranking em 2026, p

Qual é o ponto principal?

Com isso, o país manteve a classificação C, mas a sustentabilidade, que mede a capacidade dos sistemas de manter o pagamento dos benefícios no longo prazo, teve uma pontuação de apenas 32,1, a quinta pior nota do levantamento nesse quesito entre os 55 sistemas avaliados. Mesmo assim, o Brasil ficou à frente de Áustria, Itália, Turquia e Argentina.

Quais são os dados mais importantes?

O resultado expõe um desequilíbrio entre a capacidade de oferecer proteção aos aposentados atuais e a necessidade de manter o sistema financeiramente viável para as próximas gerações. Enquanto o Brasil obteve 69,1 pontos em adequação dos benefícios e 72,6 em integridade, a avaliação de sustentabilidade ficou 37 pontos abaixo da nota de adequação.

Qual é o contexto?

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Quais são os próximos desdobramentos?

A fragilidade ganha relevância diante do envelhecimento acelerado da população brasileira. Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de pessoas com 60 anos ou mais, que representava 15,6% da população em 2023, deverá chegar a 37,8% em 2070. Em números absolutos, o contingente de idosos passará de 33 milhões para

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