Política ES · 2026-08-29 · Redação Notícia ES

Professor Fabian leva educação ao centro da disputa pelo Senado e defende novo modelo de segurança

Estreante nas urnas, Carlos Fabian disputa uma das duas vagas do Espírito Santo no Senado pelo PSOL e apresenta propostas em educação, segurança pública, cultura e proteção à infância.

Professor Fabian leva educação ao centro da disputa pelo Senado e defende novo modelo de segurança
Professor Fabian leva educação ao centro da disputa pelo Senado e defende novo modelo de segurança

Professor da rede pública e doutor em Educação, Carlos Fabian de Carvalho entrou na disputa pelas duas vagas do Espírito Santo no Senado com uma candidatura construída em torno de educação, direitos humanos e atuação comunitária. Registrado na Justiça Eleitoral como Professor Fabian, o candidato do PSOL concorre com o número 500 e chega à eleição de 2026 sem experiência anterior nas urnas, mas com trajetória ligada à escola pública, à Educação de Jovens e Adultos e a movimentos sociais.

Fabian tem 49 anos, nasceu em Vitória e é professor de ensino fundamental. Dados eleitorais compilados a partir do registro da candidatura indicam que seu pedido está deferido e que ele concorre pela Federação PSOL Rede. O patrimônio declarado à Justiça Eleitoral é de R$ 264,8 mil.

Educação como eixo principal

A educação aparece como o ponto mais estruturado da plataforma apresentada pelo candidato. Em seu material oficial de campanha, Fabian defende formação continuada para profissionais da área, fortalecimento das universidades públicas e dos institutos federais e prioridade para a Educação de Jovens e Adultos, segmento no qual construiu parte de sua trajetória profissional.

Ele também sustenta que o acompanhamento das metas dos planos nacional, estadual e municipais de educação deve fazer parte da atuação parlamentar. A proposta busca aproximar o mandato do Senado de uma agenda normalmente executada por estados e municípios, mas que depende de financiamento, legislação federal e definição de políticas nacionais.

Fabian afirma ter participado da elaboração de diretrizes educacionais na Secretaria Municipal de Educação de Vitória e também de trabalhos ligados ao Ministério da Educação. A Folha Vitória registrou ainda que ele colaborou, junto à Arquidiocese de Vitória, na construção de um caderno voltado à proteção da infância.

Segurança pública com foco em controle e prevenção

Na segurança pública, o candidato apresenta uma visão diferente daquela defendida por boa parte dos concorrentes do campo conservador. Seu programa propõe câmeras nos uniformes policiais, criação de ouvidoria independente para forças de segurança e ampliação de políticas de prevenção à violência.

Fabian também defende investimentos em educação, cultura, esporte e iluminação pública como ferramentas de redução da criminalidade entre jovens. Essas propostas são posições de campanha e ainda dependeriam, em caso de eleição, de articulação legislativa e de competências compartilhadas entre União, estados e municípios.

O candidato também manifesta posição crítica ao que considera excesso de repressão em áreas periféricas e defende maior controle externo sobre ações policiais. Esse ponto tende a marcar contraste com adversários que apresentam plataformas mais centradas em endurecimento penal, ampliação de efetivos e fortalecimento das forças de segurança.

Trajetória em movimentos sociais e cultura popular

Além da carreira docente, Fabian tem histórico de participação em movimentos sociais ligados à moradia, educação popular e direitos humanos. Em sua apresentação oficial, cita vínculos com o MST, fóruns de Educação de Jovens e Adultos, Movimento dos Atingidos por Barragens, pastorais sociais e a Comissão de Justiça e Paz.

O candidato também inclui a cultura popular entre os temas de campanha. Ele defende apoio permanente a escolas de samba, grupos comunitários e rádios comunitárias, além de mecanismos de financiamento que, segundo sua proposta, alcancem organizações culturais que hoje dependem de editais ou trabalho voluntário.

A ligação com o samba capixaba aparece em sua biografia política. Fabian cita participação ou proximidade com agremiações tradicionais do carnaval de Vitória, entre elas Novo Império, Andaraí, Pega no Samba e Piedade.

Federação dividida no Espírito Santo

A candidatura nasceu em um ambiente político peculiar dentro da própria Federação PSOL Rede. Em julho, PSOL e Rede chegaram a um acordo para manter a candidatura de Fabian ao Senado, mesmo apoiando palanques diferentes para o governo do Espírito Santo. O PSOL se alinhou à candidatura de Helder Salomão, enquanto a Rede ficou no campo de Ricardo Ferraço.

Com isso, a candidatura de Fabian foi preservada, mas sem uma convergência integral entre as duas siglas federadas no plano estadual. A configuração ajuda a explicar por que sua campanha busca reforçar uma identidade própria, ligada principalmente às bandeiras históricas do PSOL.

Uma disputa com 11 nomes

O Espírito Santo terá duas vagas em disputa no Senado em 2026. Levantamentos de candidaturas registradas mostram 11 concorrentes, entre eles nomes com forte presença política no estado, como Renato Casagrande, Fabiano Contarato, Sérgio Meneguelli, Evair de Melo, Rose de Freitas e Marcos do Val.

Fabian entra nesse cenário como um dos candidatos de menor exposição eleitoral anterior. Sua estratégia, portanto, passa por transformar a carreira na educação e a presença em movimentos sociais em ativos de campanha suficientes para ganhar conhecimento entre os eleitores.

Os suplentes registrados na chapa são Toni Cabado, como primeiro suplente, e Wilson Jr., como segundo, ambos do PSOL. A votação para o Senado ocorre em turno único em 4 de outubro, e cada eleitor poderá escolher dois nomes diferentes.

O desafio da campanha

Para um estreante, o principal desafio é romper a diferença de exposição diante de adversários que já ocuparam mandatos relevantes e aparecem há anos no debate público capixaba. A candidatura de Fabian aposta em um eleitorado identificado com educação pública, movimentos sociais, cultura popular e pautas de direitos humanos.

Até a eleição, o desempenho dependerá da capacidade de transformar essa identidade em reconhecimento eleitoral num pleito em que duas cadeiras estão abertas e a disputa reúne candidatos de perfis ideológicos e trajetórias muito distintas.

Fontes da apuração

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