Tecnologia · 2026-10-18 · Redação Notícia ES

Projeto exige supervisão humana na IA em saúde

Proposta em análise no Senado fixa transparência, segurança e responsabilidade profissional para sistemas de inteligência artificial usados na saúde.

Projeto exige supervisão humana na IA em saúde
Projeto exige supervisão humana na IA em saúde

Um projeto em análise no Senado pretende estabelecer regras nacionais para o uso de inteligência artificial na saúde. Apresentado em 2026, o texto aguarda votação na Comissão de Assuntos Sociais e mantém a responsabilidade final com os profissionais que atendem o paciente.

O Poder360 noticiou a proposta neste fim de semana. A confirmação consta na Agência Senado: o PL 931/2026 é de autoria da senadora Dra. Eudócia e tem relatório da senadora Damares Alves, que apresentou parecer favorável com ajustes.

A proposta determina que sistemas de IA sejam usados com segurança, transparência, proteção de dados e respeito à autonomia do paciente. A tecnologia poderá apoiar diagnósticos, análises e rotinas administrativas, mas não poderá afastar o dever de supervisão humana.

O projeto também vincula a aplicação das ferramentas às normas sanitárias e profissionais já existentes. Isso significa que uma recomendação produzida por algoritmo não elimina a obrigação de o médico ou outro responsável avaliar riscos, conferir resultados e justificar a conduta adotada.

Supervisão humana permanece obrigatória

O ponto central é a separação entre apoio tecnológico e decisão clínica. Um sistema pode organizar exames, reconhecer padrões ou sugerir hipóteses, porém a responsabilidade pelo atendimento continua atribuída ao profissional habilitado e à instituição que oferece o serviço.

Essa distinção ganha importância quando algoritmos trabalham com bases incompletas ou grupos pouco representados. Falhas nos dados podem gerar respostas menos precisas para determinados pacientes. A supervisão permite confrontar a indicação automática com histórico clínico, exame físico e outras informações que não estão na tela.

A proposta prevê ainda avaliação de riscos e mecanismos de controle proporcionais ao impacto da ferramenta. Sistemas voltados a tarefas administrativas exigem cautelas diferentes daqueles que participam de uma decisão sobre diagnóstico ou tratamento, na qual o erro pode produzir dano direto.

Segundo a Rádio Senado, 18% dos estabelecimentos de saúde brasileiros utilizaram inteligência artificial em 2025. O dado mostra que a discussão legislativa ocorre enquanto hospitais, clínicas e serviços públicos já testam ferramentas para ganhar velocidade e ampliar a capacidade de análise.

Pacientes ganham direito à informação

O texto estabelece que o paciente deve receber informação clara quando a inteligência artificial tiver participação relevante no atendimento. A comunicação precisa indicar a finalidade do sistema e seus limites, sem transformar uma explicação técnica em barreira para quem busca assistência.

Também estão previstos critérios de rastreabilidade. Na prática, o serviço deverá ser capaz de registrar qual ferramenta foi utilizada, quais dados alimentaram a operação e como o resultado participou da decisão. Esse histórico facilita auditoria e apuração de responsabilidade quando houver falha.

No Sistema Único de Saúde, a proposta orienta a integração das soluções à infraestrutura nacional de dados. O objetivo é evitar ferramentas isoladas e incompatíveis, além de exigir proteção adequada para informações sensíveis que circulam entre unidades e profissionais.

O projeto ainda precisa passar pela Comissão de Assuntos Sociais. A votação poderá modificar o texto antes de outras etapas legislativas. Até lá, a iniciativa organiza uma regra básica para o avanço da tecnologia no setor: algoritmos podem ampliar a capacidade humana, mas não substituem dever profissional, consentimento informado e prestação de contas.

Em resumo

Qual projeto regula a IA na saúde?

É o PL 931/2026, apresentado pela senadora Dra. Eudócia e em análise no Senado.

A inteligência artificial poderá substituir o profissional?

Não. O projeto preserva a supervisão humana e a responsabilidade do profissional pelo atendimento.

O paciente deverá ser avisado?

Sim. A participação relevante da IA deverá ser informada de forma clara, com finalidade e limites do sistema.

A proposta alcança o SUS?

Sim. Ela prevê alinhamento das ferramentas públicas à infraestrutura nacional de dados em saúde.

O projeto já foi aprovado?

Não. O texto aguarda votação na Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

Fontes