Projeto liga multas de trânsito a passagens de fauna
Proposta em análise na Câmara prevê usar ao menos 5% da arrecadação com multas de trânsito para reduzir atropelamentos de animais em rodovias.

Um projeto em análise na Câmara dos Deputados pretende criar uma política nacional para reduzir atropelamentos de animais em rodovias federais e estaduais. A proposta combina obras de proteção à fauna, monitoramento dos trechos de maior risco e uma fonte específica de financiamento ligada às multas de trânsito.
O Poder360 informou neste sábado (24) que o Projeto de Lei 1.724/2026 autoriza o uso de pelo menos 5% dos valores arrecadados com multas para custear as intervenções. A apuração foi confirmada na Agência Câmara, que publicou os dados oficiais da tramitação e os principais dispositivos da proposta.
O texto foi apresentado pelo deputado Cobalchini, do MDB de Santa Catarina. Pela classificação correta do fato, a pauta pertence à editoria Política Nacional: trata-se de uma iniciativa legislativa federal, ainda sujeita à análise do Congresso e sem efeito imediato sobre motoristas ou concessionárias.
Passagens priorizam trechos críticos
Entre as medidas previstas estão passagens subterrâneas e aéreas para animais, cercas que conduzam a fauna até esses pontos, sinalização específica e redutores de velocidade. O projeto também determina monitoramento contínuo dos locais com maior incidência de acidentes, permitindo que as intervenções sejam direcionadas por dados.
A prioridade deverá recair sobre trechos próximos a unidades de conservação, corredores ecológicos, rotas de migração e áreas com registros frequentes de atropelamentos. Projetos novos de construção, ampliação ou concessão de rodovias também teriam de incorporar medidas para reduzir o impacto sobre animais silvestres e domésticos.
O desenho reúne duas finalidades. A primeira é ambiental, porque estradas podem interromper rotas naturais e aumentar a mortalidade de espécies. A segunda é de segurança viária: a presença repentina de animais na pista cria risco de colisão, desvios bruscos e acidentes envolvendo condutores e passageiros.
A reserva de ao menos 5% da arrecadação com multas não seria a única fonte possível. O projeto cita ainda fundos ambientais, compensações, parcerias público-privadas e convênios. A combinação busca evitar que a política dependa apenas de dotações anuais, mas o impacto financeiro ainda será examinado durante a tramitação.
Tramitação ainda exige etapas
A matéria seguirá, em caráter conclusivo, pelas comissões de Viação e Transportes, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Finanças e Tributação, além da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Esse rito permite decisão pelas comissões, salvo recurso que leve a proposta ao plenário da Câmara.
Mesmo se aprovada pelos deputados, a política não entrará em vigor imediatamente. O texto ainda precisará passar pelo Senado e, depois, pela sanção ou veto da Presidência da República. Alterações feitas pelos senadores também poderão obrigar o retorno do projeto à Câmara.
Até a conclusão desse percurso, a proposta deve ser lida como uma regra em construção, não como obrigação vigente. O ponto concreto neste momento é a tentativa de padronizar soluções que hoje aparecem de forma desigual nas rodovias e de ligar uma parcela da receita de trânsito à prevenção de acidentes com fauna.
Em resumo
Criar uma política nacional de prevenção a atropelamentos de animais em rodovias federais e estaduais.
A proposta autoriza destinar pelo menos 5% dos valores arrecadados com multas de trânsito às estruturas de proteção.
Passagens aéreas e subterrâneas, cercas condutoras, sinalização, redutores de velocidade e monitoramento de trechos críticos.
Não. A matéria ainda está em análise na Câmara e também dependerá do Senado e da Presidência da República.
A proposta será examinada por quatro comissões da Câmara em tramitação de caráter conclusivo.