Tecnologia · 2026-10-18 · Redação Notícia ES

Projeto prioriza gov.br na verificação de idade

Proposta limita a coleta direta de biometria e documentos por sites e aplicativos e exige descarte imediato das imagens usadas na validação.

Projeto prioriza gov.br na verificação de idade
Projeto prioriza gov.br na verificação de idade

Um projeto em análise na Câmara dos Deputados propõe que sites e aplicativos priorizem o gov.br ou cadastros públicos equivalentes na verificação da idade dos usuários. A medida busca confirmar a faixa etária sem entregar CPF, documento completo ou outros identificadores às plataformas privadas.

O Poder360 incluiu a proposta em sua cobertura do Congresso, e a Agência Câmara publicou os termos do Projeto de Lei 2410/2026. O texto é de autoria da deputada Duda Salabert e altera regras do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente.

Pelo modelo sugerido, a plataforma receberia apenas a confirmação necessária para aplicar o limite etário. O sistema público não repassaria o número do CPF nem permitiria que o serviço privado armazenasse dados civis além da informação indispensável ao acesso.

A coleta direta de biometria ou de imagens de documentos continuaria possível quando não houvesse alternativa menos invasiva. Nesses casos, o projeto estabelece exigências adicionais para reduzir o risco de vazamento, reutilização comercial e formação de perfis.

Gov.br vira opção prioritária

A integração com o gov.br pretende funcionar como uma credencial de faixa etária. Em vez de enviar uma fotografia do documento a cada aplicativo, o usuário apresentaria uma confirmação emitida por um cadastro público vinculado ao CPF.

A proposta não obriga aprovação automática de todas as pessoas cadastradas nem define um único limite de idade para todos os serviços. Cada plataforma continuaria obrigada a aplicar as restrições previstas em lei conforme o tipo de conteúdo, a funcionalidade oferecida e o risco para crianças e adolescentes.

O projeto também não libera acesso irrestrito aos bancos de dados do governo. A redação impede o recebimento, o armazenamento e a transmissão de identificadores pessoais pelas empresas quando a verificação ocorrer por meio da integração pública.

A escolha tenta responder a uma tensão criada pelos mecanismos de verificação etária: quanto mais dados uma plataforma coleta para proteger menores, maior pode ser o dano em caso de vazamento. A solução proposta separa a confirmação da idade da identificação civil completa.

Privacidade orienta o modelo

Quando documentos digitalizados ou biometria forem necessários, o projeto exige software de código aberto para permitir auditoria independente. Os dados deverão ser processados localmente ou submetidos a anonimização irreversível, segundo a descrição publicada pela Câmara.

As imagens usadas na validação terão de ser apagadas imediatamente após o procedimento. Essa regra busca impedir que fotografias de documentos ou rostos sejam reaproveitadas para publicidade, treinamento de sistemas ou outras finalidades incompatíveis com a confirmação da idade.

O PL 2410/2026 tramita em caráter conclusivo. Antes de avançar, será analisado pelas comissões de Comunicação; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

A proposta ainda não está em vigor. Para se tornar lei, precisa superar a análise da Câmara e do Senado. Até lá, o debate deverá avaliar se a integração pública é tecnicamente segura, acessível a diferentes perfis de usuário e capaz de proteger menores sem criar uma identificação permanente da navegação.

Em resumo

O que o projeto propõe?

Sites e aplicativos deverão priorizar o gov.br ou cadastros públicos equivalentes para confirmar a faixa etária.

As plataformas receberão o CPF?

Não pelo modelo prioritário; elas receberão apenas a confirmação da faixa etária necessária.

Biometria e documentos serão proibidos?

Não, mas só poderão ser usados quando não houver alternativa menos invasiva e sob regras adicionais de proteção.

O que acontece com as imagens coletadas?

O texto determina o apagamento imediato das imagens depois da validação.

A regra já está valendo?

Não. O PL 2410/2026 ainda será analisado por comissões da Câmara e também precisa passar pelo Senado.

Fontes