Projeto protege renda do Jovem Aprendiz no Bolsa Família
Proposta em análise na Câmara exclui a remuneração do contrato de aprendizagem do cálculo da renda familiar usado para conceder, manter ou revisar o Bolsa Família.

Um projeto em análise na Câmara dos Deputados pretende impedir que o salário recebido por jovem aprendiz aumente a renda familiar considerada pelo Bolsa Família. A mudança alcançaria a concessão, a manutenção e a revisão do benefício enquanto o contrato de aprendizagem estivesse vigente.
A proposta foi noticiada pelo Poder360 neste sábado (17). A ficha oficial da Câmara confirma que o PL 3175/2026, apresentado pelo deputado Beto Preto (PSD-PR), altera a Lei 14.601/2023 para excluir essa remuneração do cálculo por pessoa da família.
Pelas regras descritas na reportagem, a renda mensal por integrante da residência usada como referência para entrada no programa é de até R$ 218. Hoje, o salário do aprendiz entra na soma, o que pode elevar a renda per capita e levar a família à regra de proteção ou à saída do benefício.
Proposta altera cálculo do benefício
O texto busca separar uma renda temporária, vinculada à formação profissional, da renda familiar considerada para o programa social. O autor argumenta que a regra atual pode desestimular a primeira experiência formal de adolescentes e jovens porque o ganho individual pode reduzir o valor recebido pelo restante da casa.
A exclusão valeria apenas durante a vigência do contrato de aprendizagem. A proposta não elimina as demais condições do Bolsa Família, como os compromissos de acompanhamento de saúde e frequência escolar previstos na legislação.
Contrato de aprendizagem tem natureza especial e combina atividade remunerada com formação técnico-profissional. A medida discutida na Câmara não cria um novo benefício para o aprendiz nem altera o salário pago pelo empregador; ela modifica somente a forma de aferir a renda familiar para o programa.
O efeito concreto dependerá da composição e da renda de cada família. Para uma residência próxima do limite, retirar o salário do aprendiz da conta pode evitar a redução do pagamento. Para grupos que já se enquadram com folga, a mudança pode não alterar o valor recebido.
Texto ainda depende do Congresso
O projeto tramita em caráter conclusivo e precisa passar pelas comissões indicadas pela Câmara, entre elas as de Previdência e Assistência Social, Trabalho, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça. Esse rito permite aprovação sem votação no plenário, salvo recurso ou decisão que leve a matéria ao conjunto dos deputados.
Mesmo depois da análise na Câmara, a proposta ainda precisa ser aprovada pelo Senado e sancionada para virar lei. Portanto, o salário do jovem aprendiz continua sujeito às regras atuais enquanto não houver mudança legislativa em vigor.
A ficha de tramitação registra a apresentação da matéria em 2026 e identifica de forma expressa a concessão, a manutenção e a revisão do Bolsa Família como etapas alcançadas. Esse detalhe evita interpretar a medida como uma exceção restrita apenas ao primeiro cadastro.
O debate coloca duas políticas públicas na mesma conta: a proteção de renda das famílias vulneráveis e o incentivo à formação profissional. A decisão dos parlamentares será definir se o salário de aprendizagem deve ser tratado como renda familiar comum ou como exceção temporária destinada a facilitar a entrada no mercado formal.
Em resumo
O projeto exclui o salário do jovem aprendiz do cálculo da renda familiar usado pelo Bolsa Família.
Não. A proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara, pelo Senado e sancionada.
Durante a vigência do contrato de aprendizagem do adolescente ou jovem.
Não. As demais condições do Bolsa Família continuariam aplicáveis.
A proposta modifica a Lei 14.601/2023, que instituiu o atual Programa Bolsa Família.