Economia · 2026-10-11 · Redação Notícia ES

Propostas de candidatos para endividamento dos brasileiros são paliativas, dizem analistas

Lula e Flávio Bolsonaro propõem compra de dívidas das famílias, mas especialistas apontam falta de soluções estruturais, como educação financeira

Propostas de candidatos para endividamento dos brasileiros são paliativas, dizem analistas
Propostas de candidatos para endividamento dos brasileiros são paliativas, dizem analistas

A duas semanas da definição da eleição presidencial deste ano, os adversários Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apostam em programas muito parecidos para combater o elevado endividamento da população brasileira.

Tanto a campanha do presidente quanto a do senador

Tanto a campanha do presidente quanto a do senador prometem comprar dívidas diretamente dos credores com desconto significativo e repassar o benefício às pessoas que estão negativadas para tentar aliviar o orçamento das famílias, que hoje têm parcela recorde comprometida com o pagamento de compromissos financeiros.

Especialistas em crédito, contudo, afirmam que a experiência recente mostrou que esses programas são insuficientes e cobram medidas estruturais.

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Endividamento das famílias brasileiras tem oscilado em patamares historicamente

Segundo os dados mais recentes do Banco Central, o endividamento das famílias brasileiras tem oscilado em patamares historicamente altos desde o fim da pandemia de Covid-19. Em julho, representou quase 50% (49,9%) da renda nacional, recorde da série iniciada em março de 2011.

Desconsiderando o financiamento imobiliário, considerado um crédito de maior qualidade, o percentual é de 30,8%.

Para especialistas, o indicador mais preocupante é o comprometimento de renda, que mostra que quase 30% (28,7%) do orçamento das famílias está tomado pelas parcelas das dívidas, ou 26,4%, descontando o crédito habitacional — ambos os percentuais no pico histórico.

Da mesma forma, a inadimplência das famílias está no maior patamar da História. As razões apontadas para a situação crítica são variadas: juro básico (Selic) em níveis muito altos por um período longo, estímulo ao consumo, baixa educação financeira e uma oferta muitas vezes “predatória” por parte de bancos e fintechs.

Dados da Serasa mostram que o saldo de dívidas que não foram pagas até o vencimento somava R$ 592 bilhões, com 83,9 milhões de pessoas negativadas, média de 4 dívidas por pessoa e tíquete médio de R$ 7 mil.

Cerca de 55% do estoque corresponde a dívidas não bancárias, como água, luz, telefonia e varejo.

No caso de Lula, já é a terceira tentativa de domar o elevado endividamento e comprometimento de renda da população com dívidas.

A primeira versão do Desenrola foi lançada em meados de 2023 e produziu alívio temporário nos indicadores que medem a qualidade do mercado de crédito.

Em maio deste ano, foi anunciada a segunda edição do programa de renegociação de dívidas, mas até agora não mudou a trajetória dos indicadores.

Como mostrou O GLOBO, três em cada dez operações de renegociação de dívidas tinham parcelas que não foram pagas em setembro, segundo dados do Fundo Garantidor de Operações (FGO).

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A cerca de dez dias do primeiro turno da eleição, o governo resolveu trocar a estratégia, comprando ele próprio as dívidas junto aos credores , como bancos, varejo, contas básicas, com desconto e repassando essa dedução ao devedor (leia mais abaixo).

A campanha do PL, por sua vez, aposta em uma receita semelhante para resolver o problema, afirmando que a Caixa seria usada para refinanciar dívidas (leia abaixo).

De acordo com especialistas, a iniciativa pode ajudar no curto prazo, mas não é solução estrutural para resolver o endividamento histórico da população.

Para melhorar a situação, é necessário atacar a oferta abusiva de crédito, principalmente de linhas caras, como o rotativo do cartão e o cheque especial, bem como a baixa educação financeira dos brasileiros e os juros e o spread elevados.

— Na minha visão, o Desenrola 3.0 não é a solução estrutural. Acho que terá mais efeitos que o Desenrola 2.0, porque você centraliza a renegociação no governo, um órgão pegando tudo e renegociando, em vez de as pessoas precisarem renegociar com cada banco.

Mas a mudança estrutural passa por questões de juros estruturais mais baixos e mudança na educação financeira, para a pessoa entender melhor seu orçamento — disse Isabela Tavares, economista da Tendências.

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Rafael Schiozer, professor de Finanças da FGV, afirma que os programas de renegociação funcionam como um antitérmico quando o paciente tem uma infecção que precisa ser tratada com antibiótico.

Além disso, argumenta que a iniciativa incorre em um risco moral, porque pode incentivar bancos e clientes a serem menos criteriosos na análise do crédito, confiando que, em algum momento, serão salvos.

Paralelamente, o BC está trabalhando em medidas mais estruturais, principalmente mirando as modalidades mais onerosas de crédito.

Recentemente, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, afirmou que está preocupado com a oferta de crédito “predatório” e que o regulador financeiro vai lançar um conjunto de medidas para tentar limitá-la.

Estão em estudo tanto medidas macroprudenciais, que são aquelas que miram a estabilidade do sistema financeiro e mexem com requerimentos de capital, por exemplo, quanto de conduta das instituições financeiras.

O BC também quer criar maior “atrito” na experiência do cliente, a fim de estimular maior consciência na tomada de decisões.

Em resumo

O que aconteceu?

A duas semanas da definição da eleição presidencial deste ano, os adversários Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apostam em programas muito parecidos para combater o elevado endividamento da população brasileira. Tanto a campanha do presidente quanto a do senador prometem comprar dívidas diretamente dos credores com desconto significativo

Qual é o ponto principal?

Impostos zerados: Especialistas veem caráter eleitoreiro em medida do governo sobre combustíveis 4,58% em 12 meses: Inflação sobe 0,82% em setembro, com fim do alívio da conta de luz e alta dos alimentos

Quais são os dados mais importantes?

Segundo os dados mais recentes do Banco Central, o endividamento das famílias brasileiras tem oscilado em patamares historicamente altos desde o fim da pandemia de Covid-19. Em julho, representou quase 50% (49,9%) da renda nacional, recorde da série iniciada em março de 2011.

Qual é o contexto?

Desconsiderando o financiamento imobiliário, considerado um crédito de maior qualidade, o percentual é de 30,8%. Para especialistas, o indicador mais preocupante é o comprometimento de renda, que mostra que quase 30% (28,7%) do orçamento das famílias está tomado pelas parcelas das dívidas, ou 26,4%, descontando o crédito habitacional — ambos os percentuais n

Quais são os próximos desdobramentos?

Da mesma forma, a inadimplência das famílias está no maior patamar da História. As razões apontadas para a situação crítica são variadas: juro básico (Selic) em níveis muito altos por um período longo, estímulo ao consumo, baixa educação financeira e uma oferta muitas vezes “predatória” por parte de bancos e fintechs.

Fontes