Esporte · 2026-10-02 · Redação Notícia ES

Protesto contra veto às bets marca clássico no Morumbis

Painéis do estádio exibiram mensagens de empresas do setor durante São Paulo e Santos, primeiro jogo da Série A após a medida provisória.

Protesto contra veto às bets marca clássico no Morumbis
Protesto contra veto às bets marca clássico no Morumbis

O clássico entre São Paulo e Santos teve nesta sexta-feira (2), no Morumbis, uma manifestação de empresas contrárias à medida provisória que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil. Frases de protesto apareceram nos painéis de publicidade ao redor do gramado durante a partida do Campeonato Brasileiro.

O Poder360 informou que a ação foi articulada por empresas associadas à Associação Nacional de Jogos e Loterias e ao Instituto Brasileiro de Jogo Responsável. O Terra e o UOL também registraram a exibição das mensagens no estádio e confirmaram que se tratava do primeiro jogo da Série A após a publicação da nova regra.

Os painéis mostraram os lemas “Proibir não é proteger” e “A proibição não acaba com as apostas”. As frases fazem parte de um manifesto do setor regulado, que sustenta que a retirada das plataformas autorizadas pode deslocar usuários para sites clandestinos. O governo, por outro lado, relaciona a proibição ao endividamento das famílias e aos danos de saúde provocados pelo jogo compulsivo.

A Medida Provisória 1.394/2026 foi publicada em 25 de setembro e proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas esportivas e jogos on-line. O texto estabeleceu um período de adaptação para retirada de marcas e encerramento das operações, razão pela qual ainda havia publicidade do setor no clássico desta sexta-feira.

Placas exibem mensagem conjunta

O protesto ocupou espaços de LED normalmente vendidos a patrocinadores. Segundo o Poder360, as entidades do setor cederam as placas para a campanha. A escolha do Morumbis ampliou a visibilidade da mensagem porque São Paulo e Santos mantinham relações comerciais com empresas de apostas quando a medida foi editada.

O São Paulo entrou em campo com a marca da Superbet no uniforme. O Santos, por sua vez, havia suspendido seu contrato com a Novibet e iniciou a retirada da marca de peças e canais do clube. O prazo indicado para que os apostadores retirassem saldos das plataformas terminaria na segunda-feira (5), antes da indisponibilidade dos sites.

O Terra informou que 14 dos 20 clubes da Série A tinham patrocínio de casas de apostas quando a MP foi publicada. O alcance financeiro explica a reação: contratos de camisa, placas, conteúdos digitais e direitos de nome de competições passaram a depender de uma transição acelerada.

Clubes reagem à proibição

O movimento exibido no estádio não substitui a discussão jurídica. Clubes levaram ao Supremo Tribunal Federal pedidos para suspender os efeitos da medida ou ampliar o prazo de adaptação. O ministro Luiz Fux, relator das ações, deu 72 horas para a Advocacia-Geral da União prestar informações antes de examinar os pedidos.

As equipes argumentam que a interrupção imediata compromete receitas já previstas em orçamento e contratos de longo prazo. Segundo levantamento da Sports Value citado pelo Poder360, as casas de apostas responderam por cerca de R$ 1,1 bilhão das receitas de marketing dos 20 maiores clubes em 2025.

A defesa da proibição parte de outra prioridade: reduzir a exposição da população a jogos com dinheiro e dificultar práticas associadas a dependência, endividamento e publicidade agressiva. A existência de operadores clandestinos é um desafio adicional, mas não elimina o dever do Estado de definir regras para a atividade econômica e para a propaganda.

O episódio no Morumbis mostrou que a disputa deixou as mesas de negociação e chegou ao espaço mais visível do futebol. Enquanto o Congresso e o STF analisam a medida, clubes, patrocinadores e entidades do setor tentam preservar contratos; o governo sustenta a necessidade de conter os efeitos sociais das apostas.

Em resumo

O que apareceu nas placas do Morumbis?

Os painéis exibiram mensagens contrárias à medida provisória que proibiu as bets no Brasil.

Quem articulou a manifestação?

A ação foi organizada por empresas associadas à ANJL e ao IBJR.

Por que ainda havia marcas de apostas?

A medida previa um período de adaptação antes da retirada completa das marcas e do encerramento das plataformas.

Quantos clubes da Série A tinham patrocínio de bets?

Quando a medida foi publicada, 14 dos 20 clubes da elite mantinham patrocínio do setor.

O que os clubes pediram ao STF?

Eles buscaram suspender os efeitos da medida ou obter mais prazo para adaptar contratos e receitas.

Fontes